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Dados cruciais sobre o risco do coronavírus ainda vão demorar semanas
Luxemburgo 3 min. 10.04.2020

Dados cruciais sobre o risco do coronavírus ainda vão demorar semanas

Dados cruciais sobre o risco do coronavírus ainda vão demorar semanas

AFP
Luxemburgo 3 min. 10.04.2020

Dados cruciais sobre o risco do coronavírus ainda vão demorar semanas

Emery DALESIO
Emery DALESIO
Cientistas nacionais estão à procura da informação que será determinante para o fim do confinamento no Luxemburgo.

Ainda vai demorar semanas ou meses até que o estudo científico descreva o que todos querem saber sobre o vírus que causa o Covid-19: quantas pessoas transportam e disseminam o SARS-coV-2 sem o saberem, e quantas já o venceram e ganharam alguma imunidade, afirmou o coordenador da investigação que irá em breve ser realizada no Luxemburgo.

O estudo científico anunciado, quarta-feira à noite pelo Governo do Luxemburgo,ainda está na fase inicial e vai ser necessário tempo para selecionar os 1500 indivíduos que serão contactados e convidados a participar nele, declarou ao Luxembourg Times o coordenador do referido estudo, Rejko Krüger (na foto em baixo).

Todos eles serão depois testados, com intervalos de duas semanas, durante os próximos dois meses, para saber se estão infetados ou livres do vírus, explicou Krüger, médico e professor de neurociências da Universidade do Luxemburgo.

Photo: Pierre Matgé

 As provas produzidas pelo estudo serão utilizadas pelas autoridades luxemburgueses para decidir como e quando se irá voltar à vida normal e o comércio reabrir portas, afirmou a porta-voz do Ministério da Saúde, Laura Valli. Uma porta-voz do Ministério do Estado, que se ocupa do planeamento de quando e como o atual encerramento irá ser menos drástico, recusou prestar declarações.

 Por enquanto, tudo o que se sabe sobre a propagação do vírus no Luxemburgo é que mais de 3 000 pessoas testaram positivo, 46 pessoas morreram e centenas necessitaram de tratamento nos hospitais.


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O estudo deveria reduzir as estimativas do número de pessoas infetadas com o vírus mas não atingidas pela febre e pelos problemas respiratórios provocados pela doença - um grupo que, segundo vários relatos de todo o mundo, poderia variar entre 7% e 90% da população, frisou Krüger.

"Ninguém sabe como (em termos gerais) o vírus está presente nas populações de todo o mundo. Nós não sabemos. E isso será a primeira ideia que este estudo do Luxemburgo poderá contribuir a nível mundial, pelo menos como exemplo", disse. "Quando estes testes imunológicos forem eficazes, o segundo ganho é que se poderá uma ideia de quantas pessoas já ganharam anticorpos e talvez se protegerem de uma reinfeção”, acrescentou o investigador.

Estes testes imunológicos que revelam quais os sistemas imunitários que enfrentaram e mataram o coronavírus e que são agora provavelmente imunes ao vírus infecioso são considerados centrais para acabar com o atual bloqueio do coronavírus no Luxemburgo e em todo o mundo.

 No Reino Unido e na Alemanha há quem defenda a ideia de que as pessoas imunes poderiam ser identificadas com uma espécie de "passaporte imunitário", para provar que não ameaçam a saúde pública.


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 Mas o Reino Unido e a Espanha comunicaram, na semana passada, que os kits de teste que tinham adquirido para os seus habitantes realizarem os testes casa, e em grande escala, eram muito pouco fiáveis para serem utilizados.

"A imunidade continua a ser um desafio a nível mundial. Esperamos, e isso está atualmente a ser testado aqui no Luxemburgo, que tenhamos identificado um kit que possa dar resultados mais fiáveis", declarou Krüger ao Luxembourg Times.

 No Grão-Ducado, os participantes no estudo serão recrutados a partir de um grupo de 18.000 pessoas, que fazem parte da base de dados da empresa luxemburguesa de estudos de mercado TNS Ilres, por terem participaram em inquéritos anteriores, afirmou Krüger.


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 Será o Instituto de Saúde do Luxemburgo que contactará os candidatos para participar neste estudo, a tal amostra de 1500 pessoas a serem testadas, com o objetivo de conseguir o retrato da idade, sexo e a geografia da população do país que está imunizada, afirmaram fontes governamentais.

Neste caso, a pequena dimensão do Luxemburgo deverá permitir que o estudo se reúna relativamente depressa, contribuindo com dados importantes necessários para controlar uma doença que ninguém sabia que existia há quatro meses, estimou Krüger.

"Podemos selecionar cerca de 1.500 indivíduos representativos testá-los a todos", disse este investigador principal.

Artigo publicado originalmente no Luxembourg Times

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