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Dá-me licença que use batom vermelho?
Editorial Luxemburgo 2 min. 24.03.2021

Dá-me licença que use batom vermelho?

Dá-me licença que use batom vermelho?

Editorial Luxemburgo 2 min. 24.03.2021

Dá-me licença que use batom vermelho?

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A polémica do que podem e devem as mulheres vestir e usar voltou à ordem do dia na semana passada.

 A morte Sarah Everard no Reino Unido voltou a chamar a atenção para estas cedências que as mulheres são obrigadas a fazer em nome da segurança. A ideia de que, para se manterem a salvo da violência masculina, devem fazer as escolhas “certas” – no vestuário, nos caminhos, nas horas de voltar – e que, não o fazendo, serão culpabilizadas pelo que de mal lhes acontecer, escreve-se na reportagem de Regina Nogueira, correspondente do Contacto no Reino Unido que publicamos nesta semana.


A morte de Sarah Everard gerou uma onda de revolta no Reino Unido
Esta semana, depois de vários dias de protestos e revolta nacional, o primeiro-ministro britânico anunciou um pacote de medidas imediatas destinadas a "eliminar a violência contra mulheres" e a garantir que a justiça funciona.

Estávamos no início da década de noventa e estava a sair de uma reunião da fundação do SOS Racismo quando a medo lancei a pergunta a uma dirigente mais velha. Posso usar maquilhagem e batom vermelho? Hoje penso porque raio fiz a pergunta. A resposta foi obviamente: “Sim!”, seguida de um sorriso compreensivo. A polémica do que podem e devem as mulheres vestir e usar voltou à ordem do dia na semana passada. A morte de Sarah Everard no Reino Unido chamou a atenção para estas cedências que as mulheres são obrigadas a fazer em nome da segurança. A ideia de que, para se manterem a salvo da violência masculina, devem fazer as escolhas “certas” – no vestuário, nos caminhos, nas horas de voltar – e que, não o fazendo, serão culpabilizadas pelo que de mal lhes acontecer, escreve-se na reportagem de Regina Nogueira, correspondente do Contacto no Reino Unido que publicamos nesta semana. “Aceitamos como normal que as mulheres tenham de seguir esses padrões”, disse no Twitter Anna Birley, investigadora e membro do Partido Trabalhista, envolvida com o grupo Reclaim These Streets: “Todas as mulheres se podem rever nesta situação”.

Um artigo que revela dados preocupantes: de acordo com uma nova análise da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicada em março uma em cada três mulheres a nível mundial foram sujeitas a violência física ou sexual nas suas vidas. Uma em cada quatro mulheres entre os 15 e 24 anos já terá sofrido violência por parte de um parceiro.


Quando chegares a casa, manda mensagem
Quando regressam a casa sozinhas à noite, muitas mulheres sabem que é normal enviarem uma mensagem a avisar que chegaram. Mas há quem queira impedir as mulheres de viver no espaço público, perpetuando a cultura do medo. A crónica semanal de Raquel Ribeiro.

Como escrevia Raquel Ribeiro, cronista do Contacto este semana, a propósito do assassinato de Sarah Everard “a misoginia continua: se calhar ela não devia andar sozinha na rua àquela hora. Se calhar a culpa é da vítima. Ainda por cima Londres está em lockdown. Três regras elementares que Sarah quebrou: ser mulher, andar sozinha à noite, violar o confinamento. Triplamente culpada.” Uma crónica onde recorda que “118 mulheres morreram vítimas de violência doméstica no Reino Unido. Em Portugal foram 32, em 2020.”

Viver depois da covid

Na edição desta semana damos ainda conhecer a história de cinco portugueses que tiveram covid-19. Falamos das sequelas que ficam para toda a vida e da doença pós-covid que está a afetar crianças no Luxemburgo e em Portugal.

Partimos ainda à descoberta do trabalho das doulas que ajudam a tornar a morte menos solitária.

E para fechar em grande: uma reportagem da contagem decrescente para a celebração do título que os sportinguistas do Luxemburgo já estão a preparar. Prometem uma “grande festa” apesar da pandemia. Vai saber bem depois de 19 anos de jejum. 

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