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Crise de refugiados. Luxemburgo irá acolher dez crianças desacompanhadas
Luxemburgo 3 min. 06.03.2020 Do nosso arquivo online

Crise de refugiados. Luxemburgo irá acolher dez crianças desacompanhadas

Crise de refugiados. Luxemburgo irá acolher dez crianças desacompanhadas

Foto: AFP
Luxemburgo 3 min. 06.03.2020 Do nosso arquivo online

Crise de refugiados. Luxemburgo irá acolher dez crianças desacompanhadas

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
A Grécia tem enviado vários pedidos de socorro à União Europeia ao longo dos últimos meses

O Luxemburgo irá acolher dez crianças refugiadas provenientes da Síria que se encontram sem acompanhamento parental nos campos superlotados da Grécia. Mais de mil e oitocentas crianças encontram-se desacompanhadas em campos que pretendiam alojar seis mil  pessoas e atualmente albergam mais de quarenta mil. 

A Grécia tem enviado vários pedidos de socorro à União Europeia ao longo dos últimos meses, por se encontrar incapaz de gerir os novos fluxos de refugiados que as organizações de Direitos Humanos alertam não estarem a receber abrigo, água, comida, educação ou cuidados médicos e psicológicos suficientes.

"A União Europeia deve ajudar a Grécia", declarou Jean Asselborn, Ministro dos Negócios Estrangeiros luxemburguês durante o Conselho extraordinário de Justiça e Assuntos Internos dedicado à situação dos refugiados e migrantes na fronteira greco-turca. "No século XXI, não devemos brincar com a vida das pessoas que estão na miséria", declarou.

Asselborn propôs que cada Estado-membro participe na deslocalização de dez menores não acompanhados por cada 500 mil residentes, numa tentativa de resolver a crise humanitária nas ilhas gregas. Na sequência dessa proposta, o Luxemburgo irá abrir portas a dez refugiados sírios, menores de idade e desacompanhados, numa tentativa de dar o exemplo no que diz respeito à gestão da crise de refugiados. 

Embora reconhecendo os esforços da Turquia para receber e acomodar um grande número de refugiados, mais de 3,6 milhões nos últimos nove anos, Asselborn considera a decisão unilateral tomada pelo governo turco de abrir as fronteiras para a Europa uma “chantagem” e que irá “fechar mais as portas da União Europeia, em vez de abri-las". ”

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, mostrou ainda apoio à ideia do destacamento de tropas e recursos adicionais para as fronteiras da Grécia e Bulgária. "O Luxemburgo deseja ajudar a Grécia para melhorar a situação humanitária", disse um porta-voz do ministério numa declaração, sem esclarecer quando é que realocação começará a ser concretizada. 

Outros países tomaram iniciativas de apoio a esta crise humanitária. A Finlândia concordou anteriormente em acolher 175 migrantes dos campos de refugiados mediterrâneos, tendo a França dito que aceitaria 400 migrantes da Grécia. 

A Alemanha constatou que será necessária uma "coligação de vontades" para estabelecer um plano de realojamento. No ano passado, um pequeno grupo de países europeus implementou um plano semelhante para receber migrantes presos a bordo de embarcações de salvamento que a Itália não permitiria que aportassem

O ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, acrescentou que só aceitaria receber migrantes da Grécia se a UE ajudasse o país a evitar que mais pessoas chegassem ao bloco.

Esta quarta-feira, em Bruxelas, fez-se a promessa que a União Europeia irá transferir 700 milhões de euros em fundos de apoio à situação grega, com objectivo de ajudar a Grécia a reforçar as suas fronteiras. A decisão surge depois do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ter dito que não impedirá mais que os migrantes e refugiados cheguem à Europa a partir do seu país.

Em 2016, a UE pagou a Ancara 6 mil milhões de euros pela promessa de que a Turquia manteria os refugiados dentro das suas fronteiras para que eles não atravessassem para a Grécia ou a Bulgária.

Esta quarta-feira, as autoridades da Grécia e da Turquia disseram que mais de vinte e cinco mil pessoas já foram detidas na fronteira terrestre entre os dois países. Segundo a AFP, migrantes e refugiados entraram em conflito com a polícia grega na fronteira com a Turquia no dia 4 de março de 2020, quando retomaram os esforços para entrar na Europa, deixando pelo menos uma pessoa ferida. 

Os residentes nas ilhas de Lesbos tentaram impedir o desembarque dos migrantes que chegam de barco. Uma criança afogou-se na segunda-feira, quando um barco que viajava entre a Turquia e Lesbos se virou.


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