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Covid-19. “Se houver aumento de infeções nas crianças as escolas voltam a fechar garantiu o ministro”
Luxemburgo 5 min. 08.05.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. “Se houver aumento de infeções nas crianças as escolas voltam a fechar garantiu o ministro”

Covid-19. “Se houver aumento de infeções nas crianças as escolas voltam a fechar garantiu o ministro”

Foto: DPA
Luxemburgo 5 min. 08.05.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. “Se houver aumento de infeções nas crianças as escolas voltam a fechar garantiu o ministro”

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A portuguesa Lídia Garcias reuniu-se quinta-feira com Claude Meisch para expor as dúvidas dos mais de 6500 pais que assinaram a sua petição contra o regresso das aulas em maio. O governante admitiu que vai ser difícil manter o distanciamento até aos 6 anos.

A portuguesa Lídia Garcias, autora da petição 1550 pedindo o regresso às aulas apenas em setembro, reuniu-se quinta-feira, de manhã, com o ministro da Educação, Claude Meisch e com a ministra da Saúde, Paulette Lenert.

Após o encontro esta portuguesa, mãe de uma bebé de 21 meses, confessa que as suas “apreensões” sobre as medidas de prevenção contra o contágio nas creches e escolas do ensino fundamental “são ainda maiores”.

“O ministro sabe que vai ser muito difícil as crianças, sobretudo até aos seis anos, respeitarem o distanciamento social nas escolas, mas diz que está disposto a correr os riscos porque considera que as crianças necessitam de contacto social e no caso dos meninos dos 4 aos 6 anos, estes poderem continuar a aprender o idioma luxemburguês”, contou ao Contacto Lídia Garcias. Uma medida que visa sobretudo as crianças “das comunidades imigrantes no Luxemburgo”. “Porque o luxemburguês é um idioma difícil”.

Lídia Garcias, mãe de uma bebé de 21 meses, é a autora da petição 1.550.
Lídia Garcias, mãe de uma bebé de 21 meses, é a autora da petição 1.550.
Foto: DR

Cumprir medidas de prevenção

A grande preocupação desta mãe portuguesa é: “O ministro garantiu que todas as crianças e funcionários das escolas vão ser testados no primeiro dia de aulas e os estabelecimentos averiguados se irão cumprir todas as regras. Mas, e depois de abrirem? Haverá capacidade para vigiar todas as escolas, creches e amas para saber se continuam a cumprir as regras de prevenção? Tenho muitas dúvidas”.

Estes estabelecimentos escolares e as ‘maisons relais’ vão reabrir a 25 de maio, sendo que nas creches, serão os pais dos bebés e crianças a tomar a decisão de voltarem a frequentar os estabelecimentos ou ficarem em casa, com os pais a manter a licença por razões familiares. Por outro lado, até 15 de julho os pais não pagarão as mensalidades das creches ou ‘maisons relais’, assim o disse o ministro da Educação.

Para as restantes crianças do ensino fundamental o regresso à escola é obrigatório.


Lok , Vorbereitungen Rentree Primaner Athenee Luxembourg , Coronakrise , Sars-CoV-2 , Covid-19 , Masques devant les salles de classes Foto:Guy Jallay/Luxemburger Wort
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 O ministro convidou esta portuguesa para se reunir consigo dado que a sua petição pública "A abertura de todas as escolas, escolas secundárias, creches, centros de dia e 'maison relais' apenas em Setembro, para proteger todas as crianças" reúne já 6610 assinaturas. Clique aqui para consultar a petição 1550. Como o prazo de encerramento é dia 6 de junho, ou seja, posteriormente à reabertura das escolas, o ministro quis ouvir Lídia Garcias agora. “Por gentileza ele convidou-me para uma reunião ontem, dia 7”, disse esta mãe portuguesa.

São só "16 dias de aulas"

De Claude Meisch e Paulette Lenert, Lídia Garcias ouviu a garantia de que a partir de 25 de maio “se se verificar um aumento de infeções nas crianças, as escolas fecham novamente. Se for um aumento significativo entre crianças e funcionários nas escolas”.

Correr estes riscos, por “16 dias de aulas até às férias vale a pena?”, questionou a portuguesa ao ministro. “Ele disse que sim, que as escolas vão mesmo reabrir”.


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“Eu e as duas portuguesas que me acompanharam tentámos dissuadir o ministro de reabrir as escolas por tão poucos dias, tentámos apelar ao seu coração de pai, para só reabrir em setembro, sobretudo, até aos seis anos, para protegermos as nossas crianças da pandemia, mas ele está irredutível”.

Crianças não podem brincar juntas

E quais serão as medidas de prevenção que irão ser adotadas? “No ensino fundamental as turmas vão ser divididas em duas, e cada grupo ficará sempre na mesma sala até ao final do ano e com a mesma professora. Também o horário das ‘maisons relais’ será passado nessa mesma sala de aula, ou seja, os meninos podem ficar das 8h00 da manhã às 18h00 sempre na mesma sala. Como as cantinas continuam encerradas, os almoços são entregues nas salas e os meninos almoçam ali”, explica Lídia Garcias de acordo com o que o ministro a informou.

Como se fará o distanciamento social? “O ministro afirmou que cada criança estará no seu lugar a dois metros de distância do colega, e não vão poder nunca brincar juntos, têm de brincar sempre sozinhos”.


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 O trauma da máscara

Lídia Garcias questionou os governantes se este distanciamento, sem brincadeiras juntos “não irá afetar as crianças mais pequenas que não compreendem porque não podem brincar nas creches e escola como antigamente com os seus coleguinhas. Para mim isto pode ter um impacto negativo nos meninos”. O ministro Claude Meisch “não acredita que tal impacto irá acontecer e o importante é que as crianças retomem o contacto social e esse estará lá mesmo brincado sozinhas nas escolas”, disse esta mãe portuguesa.

Além do problema de uso de máscara. “Os mais pequeninos, como a minha filha de 21 meses, vão seguramente estranhar muito ver as educadoras e funcionários todos de máscara. Pode ser traumático para eles”.

Segundo Lídia Garcias, os ministros da Educação e Saúde “estão confiantes que as crianças vão reagir bem, até porque toda a população tem agora de usar máscara obrigatoriamente em muitos locais, como as escolas”.

O debate com deputados

Cabem às comunas reorganizar os estabelecimentos escolares para garantir a segurança sanitária dos alunos. Claude Meisch declarou a Lídia Garcias que “as escolas vão precisar de mais espaço para adotar as novas regras” mas que todas irão conseguir e reabrir.  No ensino fundamental as medidas estão “já a ser planeadas”, mas ao nível das creches e amas “o ministro assumiu que ainda estão analisar como vão fazer”.


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Apesar de ter tido esta reunião com o ministro da Educação, Lídia Garcias não saiu convencida e diz que “vai continuar a lutar”. Até pelos milhares de pais que assinaram a sua petição que só encerra as assinaturas dia 6 de junho.  E pelos 17. 500 que assinaram uma petição idêntica de outra portuguesa que não é oficial. Como a petição de Lídia Garcias possui já mais de 4500 assinaturas, a peticionária continua a ter direito a ir ao parlamento e a “petição ser alvo de um debate entre os deputados e o ministro da educação”. Uma oportunidade que não vai perder. “Se correr tudo bem vou lá dar os parabéns ao ministro, senão correr haverá razão para levar o assunto a discussão”.

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