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Covid-19. Pandemia agudiza crise dos comerciantes do Luxemburgo
Luxemburgo 4 min. 19.03.2020

Covid-19. Pandemia agudiza crise dos comerciantes do Luxemburgo

Alban Dakgi garante estar à beira da falência.

Covid-19. Pandemia agudiza crise dos comerciantes do Luxemburgo

Alban Dakgi garante estar à beira da falência.
Foto: Á. Cruz
Luxemburgo 4 min. 19.03.2020

Covid-19. Pandemia agudiza crise dos comerciantes do Luxemburgo

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Às obras da capital, em especial na Avenue de la Liberté, juntou-se agora a pandemia do coronavírus que obrigou bares, cafés, restaurantes e lojas a encerrarem portas. Entre os comerciantes, sobra gente à beira da falência sem saber o que fazer. As ajudas tardam e muitos afundam-se sem soluções como é o caso de Alban Dakgi, proprietário do café 2Go.

"Estamos a sofrer imenso e a situação vai-se agravando dia após dia. Se as coisas estavam complicadas devido aos trabalhos da Luxtram na avenida, com o encerramento de bares, cafés, restaurantes e outros comércios, decretado pelo primeiro-ministro por causa da pandemia do coronavírus, agora vai ser o fim. Com as portas fechadas nem sequer fazemos um euro", dispara Alban Dakgi.

O primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, anunciou no domingo o encerramento obrigatório de restaurantes, bares, cafés, bibliotecas, ginásios, cinemas e instalações desportivas. Apenas os estabelecimentos essenciais à população estão abertos como supermercados, talhos, fornecedores, bancos e farmácias.

Alban no interior do café na avenue de la Liberté que fechou as portas na segunda-feira.
Alban no interior do café na avenue de la Liberté que fechou as portas na segunda-feira.
Foto: Á. Cruz

No entanto, o primeiro-ministro garantiu que existem "as reservas necessárias" para repor os bens essenciais e que o apoio às empresas afetadas pela crise do Covid – 19, pode chegar aos 500 mil euros, mas os principais afetados pela crise desesperam: "Não aguento mais. Já me passou de tudo pela cabeça… isto está complicadíssimo. Os trabalhos duram há quase dois anos e o comércio tem morrido a pouco e pouco. As lojas continuam a fechar porque as [prometidas] ajudas do Estado tardam em chegar. Metade da família que tenho na Síria já morreu e neste momento nem 200 euros eu consigo enviar aos que ainda lá estão em zonas de conflito", lembra com a voz trémula.


Covid-19. Horesca prevê perdas na ordem dos 120 ME por mês
Em causa está o encerramento ao público dos espaços comerciais não essenciais. A medida abrange 14.000 trabalhadores.

O Conselho de Ministros vai decidir ainda quais são os setores que vão beneficiar da ajuda excecional, porque a crise abrange toda a economia. Mas até as verbas serem desbloqueadas muitos comércios locais vão entrar em falência.

"Eles falam, falam, prometem ajuda, mas até agora, nada... Quando expomos a nossa situação e pedimos socorro, enviam-nos para outras entidades que por sua vez não nos conseguem dar uma resposta concreta para resolveremos os nossos problemas", acusa  Alban Dakgi, desesperado.

"Já tivémos duas reuniões com a autarquia e a Luxtram, mas ainda nada foi feito. Estamos todos à espera de uma solução há meses… Em janeiro recebi uma carta da Luxtram para elaborar um dossier contabilístico a dar conta das nossas perdas em 2018 e 2019, mas nestes pequenos comércios nós é que fazemos a nossa própria contabilidade. Nestes dois últimos anos tive que despedir os empregados, cortar ao máximo em todas as despesas, gastei todas as economias que tinha e ainda me endividei. Não posso mais, estou à beira do abismo”, explica em lágrimas.

"A verdade é que estamos a morrer lentamente. Se as ajudas do Estado não chegarem os comerciantes não vão sobreviver", garante, colocando as mãos na cabeça.

"As rendas, as mercadorias, os fornecedores, tudo se acumula e vem sobre as nossas cabeças. Ninguém vai sobreviver. Nem consigo dormir. Há dias que ando à volta do café sem saber o que fazer. Falam em somas avultadas que vão ser desbloqueadas para ajudar, mas até agora nada", lamenta o franco-sírio de 53 anos.

Entre as obras na avenue de la Liberté, o café 2Go encerrou as portas na segunda-feira.
Entre as obras na avenue de la Liberté, o café 2Go encerrou as portas na segunda-feira.
Foto: Á. Cruz

François Koepp, secretário-geral da federação que representa o ramo da hotelaria e da restauração, reconheceu em recentes declarações que "o Executivo não teve escolha" e disse compreender a decisão de encerrar estes espaços para conter a pandemia do Covid-19, embora admita que se tratam de "medidas muito graves" para o setor. E poderão mesmo "colocar em perigo um grande número de empresas que não têm os meios financeiros necessários para fazer face à situação", afirmou.

O encerramento dos espaços comerciais não essenciais abrange 14 mil trabalhadores, como é o caso de Alban. Só o setor da hotelaria e restauração deverá ter um prejuízo de 120 milhões de euros por mês no Luxemburgo. 

"Estamos numa situação completamente crítica, isto é o caos. O meu amigo florista, ali em frente, tinha feito uma encomenda de flores de alguns milhares de euros para os próximos dias. Quando o primeiro-ministro decretou o encerramento das lojas no domingo, ele quase desmaiou e neste momento está em casa doente. Olhem para nós e ajudem-nos, ou não sei o que vai ser das nossas vidas", apela em desespero.

Se a conjuntura económica já era grave para muitos comerciantes da capital, a pandemia mundial do coronavírus vem agravar ainda mais a já debilitada situção da esmagadora maioria dos comerciantes que estão à beira de um ataque de nervos. Sem soluções à vista.

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