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Covid-19. O mês em que abandonamos as ruas da Europa
Luxemburgo 7 min. 25.03.2020

Covid-19. O mês em que abandonamos as ruas da Europa

Covid-19. O mês em que abandonamos as ruas da Europa

Foto: AFP
Luxemburgo 7 min. 25.03.2020

Covid-19. O mês em que abandonamos as ruas da Europa

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O estado de emergência de três meses foi decretado há nove dias, mas o número de infetados do país não para de crescer. O Luxemburgo chegou a ser apontado como o terceiro país do mundo com mais casos positivos de coronavírus, por cada milhão de habitantes. O primeiro-ministro, Xavier Bettel, explica a razão: “estamos a fazer mais testes que nos outros países, por isso, temos mais casos registados”.

A sorte está a passar ao lado do Luxemburgo. Afinal a expressão “vamos cruzar os dedos” para que não surgisse nenhum infetado com coronavírus no Grão – Ducado, dita ao Contacto pela ministra da Saúde, Paulette Lenert, 72 horas antes do surgimento do 1° caso, não resultou. Ao 26° dia, depois da chegada da doença ao Luxemburgo, já há mais de mil infetados e oito mortes.

O estado de emergência de três meses foi decretado há nove dias, mas o número de infetados do país não para de crescer. O Luxemburgo chegou a ser apontado como o segundo país do mundo com mais casos positivos de coronavírus, por cada milhão de habitantes. O primeiro-ministro, Xavier Bettel, explica a razão: “estamos a fazer mais testes que nos outros países, por isso, temos mais casos registados”.


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O Luxemburgo está em estado de emergência desde 18 de março para conter a pandemia provocado pelo coronavírus Covid-19.

Ao contrário de muitos outros estados, o apelo do “fiquem em casa” está a ser respeitado. Há muito menos pessoas e carros nas ruas. À noite o silêncio é interrompido, pontualmente, às 20:00, quando milhares de pessoas surgem nas janelas a bater palmas aos profissionais de saúde e outros trabalhadores que continuam a assegurar os serviços essenciais, apesar da pandemia.

Sistema de saúde “pode entrar em colapso”

Para já, a capacidade instalada dos hospitais está a responder às necessidades, garante o Governo. E se a epidemia começar a crescer a um ritmo exponencial? A ministra responde que a capacidade instalada pode não chegar. Os médicos, por seu lado, avisam que o sistema pode entrar “em colapso”.


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O agravamento dos casos em França pode mesmo levar à "requisição dos médicos e enfermeiros transfronteiriços", alerta Marie-Lise Lair. Alemanha e Bélgica também o podem fazer. O país está "muito vulnerável", frisa, explicando o que o governo pode e está a fazer.

Dias depois desta alerta, a ministra da Saúde, Paulette Lenert anunciou a instalação de quatro centros de cuidados avançados no país para o tratamento de infetados. O primeiro, na Luxexpo Box, abriu portas na segunda-feira à tarde. O segundo, na Rockhal, em Belval, entrou em funcionamento ontem. Os outros dois serão instalados em Hall Deich, Ettelbruck, e em Grevenmacher e deverão abrir nos próximos dias.

Depois há números que parecem muito aquém das necessidades. O Luxemburgo terá entre 120 e 150 ventiladores, que poderão redistribuir entre os quatro hospitais do país. A Direção de Saúde decidiu encomendar mais 30 aparelhos ventiladores, revelou a ministra da Saúde aos jornalistas. Chegará?

Mas há reforços a chegar da China: cinco milhões de máscaras de proteção médica para médicos e profissionais de saúde, cinco milhões de luvas de proteção médica , 50 ventiladores , 150 mil óculos óculos e um milhão de outras máscaras de proteção, anunciou à edição francesa do Wort o ministro das Relações Exteriores, Jean Asselborn.

Os transfronteiriços são 70% do pessoal médico no Luxemburgo

Mas o sistema de saúde luxemburguês enfrenta um outro desafio: 70% dos seus trabalhadores são transfronteiriços. Apesar do fecho das fronteiras o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, garantiu que está acordado com as autoridades belgas, francesas e alemães que deixem estes trabalhadores chegarem, diariamente, ao Luxemburgo. Mas já há casos a registar de fecho da fronteira a norte do país com a Alemanha, em Echternach e Dasburg. Casos que as autoridades luxemburguesas estão a tentar resolver.

A preocupação em comunicar é uma constante. Diariamente são dadas conferências de imprensa por membros do Governo responsáveis pelas várias áreas e que fazem um ponto de situação do impacto do Covid–19. Como medida de precaução todas estas comunicações são feitas em livestream.

Luxemburgo solidário

Como ainda há capacidade disponível nos hospitais, o Luxemburgo está a ajudar os países vizinhos. Já chegaram ao Luxemburgo cinco dos sete pacientes com Covid-19 que o país se disponibilizou a acolher. Os doentes em questão são oriundos de Mulhouse, na Alsácia, e foram transportados em helicópteros da Air Rescue.

O Luxemburgo foi um de três países que se disponibilizaram a acolher pacientes franceses da região do Grande Este, de forma a aliviar os serviços hospitalares de França. Outros pacientes serão transferidos para hospitais na Alemanha e na Suíça.


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O Presidente francês vai ao hospital de campanha em Mulhouse prestar homenagem às pessoas que aí trabalham.

A região do Grande Este tem centenas de pessoas hospitalizadas por causa do novo coronavírus. Segundo a RTL, há cerca de 500 pacientes nos cuidados intensivos daquela região, que totaliza neste momento 280 mortes associadas à Covid-19 e 3.400 casos de infeção.  

Risco de “multiplicar falências” de empresas no Luxemburgo

A economia e as empresas estão a enfrentar um verdadeiro terramoto na sequência desta pandemia. Com a declaração de estado de emergência no Luxemburgo foram encerrados todos os estabelecimentos considerados não essenciais. O que significa que há milhares de empresas de portas fechadas. Sem atividade e sem dinheiro em caixa chega, agora, a hora mais difícil: pagar as despesas correntes e os salários.


Rue Notre-Dame - Luxembourg - Foto: Pierre Matgé/Luxemburger Wort
Pandemia vai provocar “forte subida do desemprego” no Luxemburgo
Esta pandemia conduzirá a “sequelas mais duráveis, ligadas à degradação das finanças públicas, a destruição do tecido económico (falências) e um período prolongado de subida do desemprego”, alerta o STATEC.

“Sem uma ajuda direta substancial, as falências de empresas e de trabalhadores independentes podem multiplicar-se a um ritmo elevado”no Luxemburgo. A alerta é do presidente da Confederação Luxemburguesa do Comércio (CLC), Nicolas Henckes. Que denuncia que “as empresas estão em agonia”.  “É preciso agir rápidamente”, apela Nicolas Henckes. O CLC diz que as medidas anunciadas pelo Governo de apoio às empresas “são insuficientes”. Os representantes do comércio esperam, agora, que surjam novas medidas no “Programa de Estabilização” que deverá ser anunciado hoje. Os empresários pedem “ajudas diretas que permitam injetar rapidamente dinheiro nas empresas, que não tenha que ser reembolsado”.


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Apoios são para empresas e profissões liberais.


Foto: AFP

Os médicos contaminados portugueses

Na terça-feira, Portugal registava 30 mortos e 2.362 infetados. O número de pessoas curadas elevou-se a 22. Um dos problemas existentes é o número de profissionais de saúde atingidos pelo vírus: 81 médicos e 37 enfermeiros. Os sindicatos afirmam que há muitos profissionais que são obrigados a trabalhar sem as devidas condições de segurança e material protetor. Diferente visão da realidade tem o primeiro-ministro português, António Costa, que declarou recentemente que todo o pessoal de saúde tinha material de proteção necessário.


Relato de uma portuguesa. "Orgulho-me dos enfermeiros todos os dias"
Uma enfermeira portuguesa conta ao Contacto como têm sido os dias de trabalho intensos para combater a pandemia da Covid-19 em Portugal.

17 mil mortos em todo o mundo

Quase 17 mil pessoas já morreram em todo o mundo infetadas por covid-19, de acordo com um balanço feito pela Agência France Presse e divulgado ontem. Foram registados mais de 386 mil casos de infeção em mais de 175 países e territórios desde o início da epidemia em dezembro. A Europa é agora o novo epicentro da pandemia com quase 200 mil contaminados e cerca de 11 mil mortos.

Itália tornou-se o país com maior número de vítimas com mais de seis mil mortos e 63 mil contaminados. Nos Estados Unidos, o vírus que ia desaparecer com “o calor”, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, já infetou mais de 46 mil pessoas e provocou cerca de 500 vítimas mortais. A China, onde tudo começou, tem agora muito menos casos. Feitas as contas contabilizou 81.171 casos, incluindo 3.277 mortes e 73.159 curados.

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