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Covid-19. No Luxemburgo e Portugal a situação "não deverá atingir a gravidade de Itália”
Luxemburgo 4 3 min. 04.03.2020

Covid-19. No Luxemburgo e Portugal a situação "não deverá atingir a gravidade de Itália”

Covid-19. No Luxemburgo e Portugal a situação "não deverá atingir a gravidade de Itália”

AFP
Luxemburgo 4 3 min. 04.03.2020

Covid-19. No Luxemburgo e Portugal a situação "não deverá atingir a gravidade de Itália”

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Virologista português explica as causas da grande propagação do Covid-19 entre os italianos e perspetiva que com a primavera a pandemia vai acalmar.

Itália é o país da Europa mais afetado pela pandemia e a situação está descontrolada. Todos os dias há novos casos de pessoas infetadas pelo novo coronavírus, 2706 segundo os dados de hoje. E 107 pessoas falecidas.

Também ontem o governo anunciou que irá fechar escolas e universidades, pelo menos, até 15 de março.

Para o reputado virologista português Jorge Atouguia a pandemia no Luxemburgo e em Portugal “não deverá atingir a gravidade de Itália”.


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Primeiro, porque o coronavírus chegou mais tarde a estes dois países pelo que as “pessoas já estão mais alerta”, e fala-se mais na prevenção do contágio, nas medidas a tomar, sendo a principal “lavar as mãos muitas vezes ao dia”, lembra este especialista que é também presidente da Sociedade Portuguesa deMedicina do Viajante.

Do lado das autoridades da saúde e dos governos do Luxemburgo e Portugal “podem olhar para Itália e tomar medidas para evitar que se repita o caso italiano”, e eu acredito que isso não irá acontecer, até pelo que vejo, as autoridades estão a tomar as medidas corretas.

E o que aconteceu em Itália para se tornar no país da europa com maior propagação do vírus? “Itália tem características especiais, os italianos são pessoas de muita proximidade, contactos entre si”, muito dada aos afetos físicos e isso “facilitou o maior contágio do deste vírus entre a população”, diz Jorge Atouguia. 

Por outro lado, adiantou “os italianos também viajam muito, por isso exportaram o novo coronavírus para vários países”. Além destas características culturais que permitiram a propagação do Covid-19, “o governo não soube lidar com o problema corretamente”.


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Bom tempo diminui contágio

Quando chegar a primavera e com ela o bom tempo as estimativas são que os contágios diminuam.

“Com o calor as pessoas tendem a estar em sítios arejados e é por causa disso que a tendência é para o contágio diminuir. O frio faz com que se privilegie os ambientes fechados, confinados e esses são propícios à transmissão do vírus”, explica o virologista.

Por isso, é que o novo coronavírus não se propagou ainda pelos países de clima tropical, como por exemplo nos do continente África. “Surtos destes tipos de vírus não são muito frequentes em climas tropicais. Claro que nesses países as pessoas também estão em espaços fechados, mas com escapatória”, vinca Jorge Atouguia. 

Contudo, até pode acontecer uma situação mais complicada nesses países, mas tal ficará a dever-se “à dificuldade de diagnóstico e falta de resposta dos serviços de saúde”, um problema que abarca a generalidade dos países africanos.

 As várias fases da pandemia

Até o bom tempo chegar, o que não falta muito, a pandemia do Covid-19 continua a assolar 60 países e a passar por “várias fases e a afetar com intensidade diferente as regiões, o que acontece neste flagelo.


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“O contágio na China está a diminuir, e a tendência é para haver cada vez menos casos, mas temos agora Itália, Irão e Coreia do Sul numa situação complicada, com grande aumento de casos”, frisa Jorge Atouguia, estimando que poderá haver países com menos recursos onde o Covid-19 também possa infetar muita gente.

Este especialista vinca que como se trata de um novo coronavírus, do qual se desconhece quase tudo, só se podem traçar cenários futuros com bases noutras epidemias de coronavírus, os quais já estão estudados. Estimativas que são falíveis.

“A verdade é que não sabemos o que irá acontecer, não podemos fazer futurologia, pois este é um vírus novo que ainda desconhecemos e não está estudado”, declara este especialista.

Atualmente, Portugal tinha ao final do dia de ontem cinco doentes infetados com o Covid-19, enquanto no Grão-Ducado se registava apenas um doente cujo teste deu positivo para o novo coronavírus. 

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