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Covid-19. Ministra também tem saudades de ir ao cinema e ao restaurante com o marido
Luxemburgo 7 3 min. 08.02.2021 Do nosso arquivo online

Covid-19. Ministra também tem saudades de ir ao cinema e ao restaurante com o marido

Covid-19. Ministra também tem saudades de ir ao cinema e ao restaurante com o marido

Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
Luxemburgo 7 3 min. 08.02.2021 Do nosso arquivo online

Covid-19. Ministra também tem saudades de ir ao cinema e ao restaurante com o marido

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A luta contra a pandemia ocupa-lhe todas as horas do dia, conta Paulette Lenert numa entrevista ao Paperjam onde confessa que sente falta de ir ao cinema e estar com amigos e fala sobre as decisões difíceis e criticadas que tem de tomar no combate à pandemia.

Desde há um ano que a ministra da Saúde praticamente não tem tempos livres, o combate à epidemia no país toma-lhe o tempo todo, desde que se levanta de manhã até ao deitar. E como qualquer residente sente falta dos momentos de descontração com os amigos na esplanada, de ir ao cinema ou jantar fora com o marido, um momento de descontração a dois, confessa numa entrevista ao Paperjam.

O trabalho e as medidas de restrição impostas para limitar a propagação da covid-19 tiraram os momentos de lazer mais apreciados por Paulette Lenert. Como qualquer cidadão normal sente falta deles.

"Tenho saudades de muitas coisas, de ir ao cinema ou sentar-me na esplanada com os amigos. Tal como toda a gente. Fui acusada de encerrar a Horeca, mas sou a primeira a lamentar o facto. Ir com o meu marido a um restaurante, como casal, era a única oportunidade de sair de casa e descontrair", admite a ministra ao Paperjam, concedida em jeito de balanço do seu primeiro ano à frente da saúde onde tomou posse pouco antes da covid-19 chegar ao Luxemburgo.

Um ano sem descanso

Numa conversa intimista a governante assume que os seus dias são passados a trabalhar, desde que se levanta até ao deitar. "Tempo de lazer. Já quase não tenho. É realmente trabalho e dormir. Tento fazer uma pausa durante a noite, dormir um pouco. Preciso das minhas horas de sono, é restaurador, é o que me mantém viva”, confessa Paulette Lenert.

Mal se levanta da cama começa a trabalhar, a atender "as primeiras chamadas telefónicas". "Começo a ver a minha caixa de correio muito cedo, para ver se há emergências - e há quase todos os dias. Há muitas questões a decidir. Depois disso, faço uma série de marcações. E, à noite, leio que faltava ler. Ainda há decisões a serem tomadas, frequentemente”, conta a governante.

Mesmo o passeio diário com os seus cães, a seguir a colocar o trabalho em dia, é feito a pensar no trabalho. "Finalmente, tento fazer uma pausa. Normalmente, passeio os meus cães durante pelo menos uma hora. E eu vejo as notícias - mas mesmo esse espaço de tempo penso constantemente no coronavírus. Por isso está a tornar-se cada vez mais difícil fazer essas pequenas pausas intelectuais e físicas", vinca Paulette Lenert.

Este ano foi impossível não trabalhar nas férias, refere a ministra. "No verão fui para França e estive três ou quatro dias sem interrupção" a descansar. "O resto das férias trabalhei via Webex. Nas festividades de fim de ano trabalhei todos os dias".

As decisões difíceis

Gerir o ministério mais importante numa crise pandémica é "um trabalho duro" como reconhece a ministra que sabe que cada decisão que toma nunca é totalmente consensual.

"Não há soluções fáceis", diz Paulette Lenert na entrevista ao Paperjam: "Se agirmos demasiado tarde, criamos prejuízos do ponto de vista da saúde, com confinamentos talvez mais longos do que se tivéssemos agido mais rapidamente. Mas se reagirmos demasiado cedo, criamos um impacto na economia ou na educação e em muitos outros aspetos da sociedade".


Ministra. "Temos de ser prudentes, com as novas variantes covid o risco é muito grande"
Paulette Lenert alerta que "janeiro é um muito crítico” da pandemia, sobretudo por causa das novas estirpes do vírus e pede para não haver relaxamento dos gestos barreira. A vacina ainda não evita um novo confinamento.

Questionada sobre as críticas frequentes de falta de coerência das suas decisões, a governante responde com outra pergunta: "E eu sei que não se pode ser coerente! Como é que as medidas de luta contra uma pandemia podem ser coerentes?".  E justifica: "Temos de fazer escolhas. Se procurarmos ser coerentes em todos os planos, ou fechamos tudo ou abrimos tudo. Porque há sempre um limite e alguém lhe dirá: mas porquê eu? Individualmente, cada restaurador dir-lhe-á que tomou todas as medidas de segurança. E é verdade, eles fizeram muito nessa frente. Mas o problema não é esse. Trata-se da interação das pessoas. São danos colaterais, ninguém é culpado. É preciso fazer escolhas e nunca vai ser 100% justo. Não se pode ser".

A ministra da Saúde tem dúvidas frequentemente sobre as decisões a tomar?  "A toda a hora, todos os dias. Mas eu sou uma pessoa que toma decisões e assume as responsabilidades", garante a governante consciente de que "as decisões não podem ser perfeitas, é normal neste contexto. Tento sempre estar em sintonia com aquilo que posso assumir e lidar. Isso tem sido sempre assim até agora".

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