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Covid-19. Luxemburgo regista mais duas crianças com inflamação Kawasaki
Luxemburgo 7 min. 18.05.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Luxemburgo regista mais duas crianças com inflamação Kawasaki

Covid-19. Luxemburgo regista mais duas crianças com inflamação Kawasaki

Luxemburgo 7 min. 18.05.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Luxemburgo regista mais duas crianças com inflamação Kawasaki

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
No total, são cinco os casos que surgiram país. Kerstin Wagner cardiologista pediatra do CHL, no Luxemburgo e Cristina Camilo pediatra intensivista de Santa Maria, em Lisboa, analisam a situação na Europa e nos EUA. Há notícias de vários casos nas últimas semanas.

Nas últimas duas semanas chegaram notícias de casos da sintomalogia pediátrica Kawasaki-like associada à covid-19 em vários países da Europa e no estado de Nova Iorque. Algumas crianças não sobreviveram. Uma das vítimas mortais foi um bebé de oito meses, no Reino Unido.

E no Luxemburgo? Até ao dia 1 de maio havia três registos de crianças que tinham sido internadas com esta inflamação. Tinham sido tratadas, tinham tido alta e estão bem, como na altura, contou ao Contacto a cardiologista pediátrica Kerstin Wagner do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL).

Nas duas últimas semanas registaram-se mais dois casos, declarou agora ao esta especialista. "Uma criança de origem europeia e outra de origem americana/mundial", descreve a cardiologista pediatra do CHL. Contudo, Kerstin Wagner garante que a situação no Grão-Ducado “está estável”.“Não há razão para pânico, mas pais e médicos têm de estar vigilantes”, alerta esta cardiologista pediátrica.


Luxemburgo regista três casos de crianças com a inflamação grave ligada à covid-19
"Não há razão para pânico mas pais e médicos têm de estar vigilantes", vincam as especialistas Kerstin Wagner e Isabel De La Fuente. As crianças foram internadas, já tiveram alta e estão bem. As médicas explicam os sintomas deste choque inflamatório.

 Também em Portugal surgiu pela primeira vez, um caso de inflamação Kawasaki associada à covid-19. “Tivemos um caso. Felizmente, é uma criança que evoluiu bem e já teve alta. Estamos alerta nos serviços de pediatria e estamos prontos para diagnosticar e tratar qualquer situação”, garantiu a responsável da Direção-Geral da Saúde de Portugal.  

Morte de um bebé de oito meses

Por outros países da Europa e sobretudo no estado de Nova Iorque, EUA têm chegado notícias mais tristes, nestas duas últimas semanas. O governador de Nova Iorque anunciou a morte de três crianças e o registo de 102 casos no seu estado, França perdeu um menino de nove anos para a doença. França regista 135 casos, 10 dos quais entre 13, 14 e 15 de maio, ou seja três dias, como anunciou a Direção da Saúde francesa ao Le Figaro.

Ontem do Reino Unido chegou a notícia da partida para mais jovem vítima desta associação das duas doenças que se conhece até agora. Foi a própria mãe que deu anunciou que o seu bebé, de apenas oito meses de idade faleceu, dia 25 de abril, vítima desta inflamação grave no quadro da pandemia. A família vive em Inglaterra e o bebé Alexander estava internado há 12 dias. Também neste país onde foram igualmente registados uma centena de casos, entre eles a de um adolescente de 14 anos que não sobreviveu à luta contra a doença.


Covid-19. Criança morre em França com sintomas semelhantes a doença de Kawasaki
Uma criança de nove anos morreu em França após registar sintomas semelhantes aos da doença de Kawasaki, descritos em jovens que tiveram contacto com o coronavírus.

Causa: Paragem cardíaca

Para a cardiologista pediátrica do Luxemburgo é verdade que há casos a ocorrer pela Europa e nos Estados Unidos, sobretudo no lado oeste do país, “mas os números são proporcionais em relação ao número de habitantes e à taxa de infeção pela covid-19 nessas regiões”.

A causa da morte da quase totalidade das crianças foi uma paragem cardíaca dado que a “a doença Kawasaki afeta provoca inflamação vascular e pode chegar aos músculos do coração, às coronárias” provocando paragem cardíaca, explica Cristina Camilo.  O bebé Alexander foi uma das vítimas de ataque cardíaco, e este foi precedido por um aneurisma coronário.

A mãe de Alexander (foto em baixo com o filho e o marido) confessa que quando o bebé começou a ficar doente teve medo de o levar às urgências hospitalares.

A 3 de abril o bebé ficou cheio de febre, com uma temperatura muito alta e um grande inchaço no pescoço. Os pais ligaram para o NHS 111 e foram vigiando o bebé, porque devido à pandemia tinham muito medo dele ser observado pelo médico, lê-se na introdução de JustGiving, a página de crowdfunding para ajudar os pais de Alexander com o funeral e alertar para esta doença rara, mas que pode ser fatal. Este crowdfunding pedia 10 mil libras (11171,15 euros), mas já angariou 13,600 libras (15,190 euros) pois a morte do bebé deixou o Reino Unido em choque. Depois de Alexander desenvolver "uma erupção cutânea que se assemelhava a uma queimadura do sol", continuar com febre alta, “ter diarreia, vómitos, e o seu batimento cardíaco ficou muito acelerado”, os pais levaram-no ao hospital, onde ficou internado. 

No Luxemburgo um dos casos de internamento foi um do bebé também de oito meses com sintomatologia Kawasaki-like associada à covid-19, como contou a cardiologista pediátrica do CHL. Só que, felizmente este bebé reagiu bem ao tratamento e ficou bem de saúde.

Pais têm medo de levar filhos às urgências

Cristina Camilo que é também a Presidente da Sociedade de Cuidados Intensivos Pediátricos, da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) conta que também há pais portugueses que têm medo de levar os seus filhos doentes às urgências pelo medo da infeção pela covid-19. "Uma vez foi o avô quem levou a criança às urgências porque viu que o menino precisava mesmo de ir", conta esta pediatra intensivista.


Covid-19. Aumento de casos graves em crianças preocupa médicos
Os ministros da Saúde francês e britânicos anunciaram que estão a ser internadas crianças com inflamações vasculares graves, desconhecendo se serão novos sintomas ligados ao coronavírus.

“Por favor não tenham medo. É muito seguro. Os hospitais têm acessos diferentes para crianças suspeitas de estarem infetadas com covid e afetadas com as restantes doenças”, informa Cristina Camilo.

“Sempre que notem algo anormal nos filhos que os preocupem, como febre entre três a cinco dias, se a criança estiver prostrada, irritada, com diminuição da sua atividade normal, mais sonolenta, deverá ser vista por um médico”, alerta esta pediatra salientando, no entanto, como a colega luxemburguesa Kerstin Wagner, que ao nível dos casos existentes “não deve haver alarmismos”, “os pais têm sim é de estar atentos”.

Sinais de alerta

  “Os pais têm de consultar o seu médico em caso das crianças terem febre alta por mais de 72 horas, ou em caso de alteração do estado geral da criança”, avisa Kerstin Wagner.    

“Se a criança tiver dificuldade em respirar, vómitos ou dejeções diarreicas que duram há alguns dias, cefaleias intensas que não passam com paracetamol (ou que voltam a aparecer), manchas ou "pintas" na pele que não desaparecem com a pressão, que dão comichão, deve ser observada”, acrescenta por seu turno, Cristina Camilo. Como vinca esta Presidente da Sociedade de Cuidados Intensivos Pediátricos da SPP “a existência da Covid-19 não modificou as indicações para que uma criança seja observada em contexto de serviço de urgência. As outras doenças continuam a existir e já percebemos que a própria Covid -19 tem um espectro de manifestações clínicas muito variadas”.

 “No caso da doença de Kawasaki é muito importante as crianças serem tratadas na fase inicial para que as artérias do coração não sejam afetadas, e de ficarem com lesões coronárias. Aí sim, é perigoso”, frisa a pediatra intensivista.


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Este estado dos EUA já registou 75 menores com doença Kawasaki, uma infeção grave que está a surgir com a pandemia do novo coronavírus.

 A explicação para Nova Iorque

E como se explica a taxa tão elevada de casos no estado de Nova Iorque? “Eventualmente pela percentagem de habitantes de origem africana porque parece que as crianças de raça negra são as mais afetadas”, explica Kerstin Wagner.

Mais uma vez Cristina Camilo é da mesma opinião: “No Reino Unido esta infeção viral afeta mais as crianças de origem afro-caribenhos, o que também pode estar a acontecer no estado de Nova Iorque”. Estudos indicam que “pode haver apetências genéticas para desenvolver a infeção”.

Kerstin Wagner revelou ao Contacto que o seu serviço do CHL  mantém um contacto direto semanal com o Hospital Pediátrico de Boston através da realização de Webinars, onde a troca de experiências e ideias sobre a covid-19 em crianças e a sintomatologia pediátrica Kawasaki-like é certamente realizada.

Por seu turno Cristina Camilo está mais ligada aos seus colegas de Londres com quem já realizou também webinars. Ambas as especialistas referem que esta inflamação rara e grave já existe há muito e costuma associar-se a surtos como o da covid-19. “Desta vez está a surgir cerca de um mês após a infeção pelo novo coronavírus, como uma pós infeção”, mas é uma doença com “baixa mortalidade e baixa hospitalização”, vinca Cristina Camilo.

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