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Covid-19. Há casos de reinfeção no Luxemburgo
Luxemburgo 3 min. 26.08.2020

Covid-19. Há casos de reinfeção no Luxemburgo

Covid-19. Há casos de reinfeção no Luxemburgo

Oliver Berg/dpa
Luxemburgo 3 min. 26.08.2020

Covid-19. Há casos de reinfeção no Luxemburgo

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Trata-se de pessoas que foram dadas como curadas da doença mas ficaram de novo infetadas. E podem voltar a transmitir o vírus.

Nos últimos dias têm sido noticiados casos de reinfeção pela covid-19 em vários países da Europa e na Ásia, o que traz novas preocupações sobre o combate à pandemia. 

“Sim, também houve reinfeções no Luxemburgo”, confirma ao Contacto Paul Wilmes, investigador da Universidade do Luxemburgo e porta-voz da task-force Covid-19. Quantos casos já foram detetados no Grão-Ducado este cientista não pode especificar, pois os dados são centralizados pela Direção da Saúde.

Os alarmes sobre a casos de pessoas que estiveram já infetadas pelo SARS-CoV-2 foram tratadas, ficaram curadas, e afinal foram de novo contaminadas por este vírus soaram há dois dias. Segunda-feira, dia 26 de agosto, um cidadão de Hong-Kong regressado de Espanha testou positivo para o novo coronavírus, o que não seria nada de especial, não fosse o caso deste indivíduo já ter anteriormente estado infetado e ter sido dado como recuperado, ou seja, curado da infeção.


Bélgica e Holanda. Duas pessoas curadas voltam a testar positivo para o coronavírus
Segundo os médicos, o código genético da segunda infecção em ambos os pacientes é muito diferente do da primeira.

 O primeiro caso comprovado

O caso desde homem de 33 anos, considerado oficialmente como a "primeira reinfeção comprovada" foi motivo de um estudo científico publicado na revista Clinical Infectious Diseases. Nas horas seguintes, a Bélgica, Holanda e Alemanha noticiaram igualmente terem registado casos de doentes reinfetados.

A evidência da possibilidade de reinfeção já motivou uma declaração de alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Houve mais de 24 milhões de casos relatados até o momento”, declarou Maria Van Kerkhove da OMS dia 24. Agora “precisamos olhar para algo como [a possibilidade de reinfecção] ao nível populacional”.

O problema é que ainda pouco se sabe sobre a imunidade ao novo coronavírus que é ganha pelas pessoas que já foram infetadas, não havendo ainda nem tempo, nem estudos científicos suficientes para se chegar a conclusões específicas.


Covid-19. Cidadão de Hong Kong é o primeiro caso de reinfeção mundial
Esta descoberta poderá representar um revés para quem defende uma estratégia contra a atual pandemia sustentada na aquisição de uma presumível imunidade após a doença ser superada.

Imunidade fraca?

Por isso, uma das grandes interrogações tem sido se as pessoas infetadas ganham anticorpos e imunidade suficiente para não voltarem a ser infetadas.

Os casos de reinfeção podem significar que, afinal, essa imunidade é fraca para evitar uma nova contaminação?

“Penso que é demasiado cedo para dizer, pois outras evidências sugerem que a imunidade é construída. Alguma imunidade parece estar presente em indivíduos não infetados, através da reatividade cruzada dos antigénios da SRA-CoV-2 com os de outros coronavírus”, explica ao Contacto o investigador Paul Wilmes.

Reinfetados podem contagiar

Segue-se outra questão igualmente preocupante: Podem as pessoas reinfectadas contagiar outras pessoas? Sim, podem, segundo Paul Wilmes. “Se tiverem uma infeção, libertarão o vírus e poderão infetar outras pessoas”, justifica. Tendo em conta a percentagem de assintomáticos na epidemia os casos de reinfeção nesta população podem dificultar ainda mais o combate à doença.


OMS. "Não há provas" de que depois da cura não se possa voltar a ficar infetado
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou no sábado através de um comunicado que ainda não existem "provas" de que uma pessoa que tenha recuperado do coronavírus não possa ser infetada novamente.

E a vacina?

Se a reinfeção pela covid-19 se tornar comum devem as pessoas infetadas e curadas passar a ser também vacinadas? “Se a imunidade conferida pela vacina for mais robusta após uma infeção pelo SARS-CoV-2 isso faria sentido, mas ainda permanece pouco claro”, defende o investigador Paul Wilmes.

 Outra das preocupações relacionadas com os novos contágios de pessoas anteriormente infetadas é a elaboração de uma vacina eficaz. Paul Wilmes desdramatiza. “A eficácia da vacina depende da aquisição de imunidade contra o vírus através da vacina”, por isso nada tem a ver diretamente com a reinfeção, vinca.

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