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Covid-19. Alunos com casacos e mantas nas salas de aulas por causa das janelas abertas
Luxemburgo 7 min. 12.10.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Alunos com casacos e mantas nas salas de aulas por causa das janelas abertas

Covid-19. Alunos com casacos e mantas nas salas de aulas por causa das janelas abertas

Luxemburgo 7 min. 12.10.2020 Do nosso arquivo online

Covid-19. Alunos com casacos e mantas nas salas de aulas por causa das janelas abertas

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Os pais do Luxemburgo dizem que há muitos alunos constipados porque este ano faz frio nas salas, devido às medidas de prevenção do coronavírus. Cabe a cada escola reajustar as regras, diz o ministério. Os conselhos dos pediatras.

"A professora da minha filha pediu aos pais para os filhos levarem uma pequena manta para as aulas para estarem mais quentinhos nos dias de inverno, porque as janelas têm de ser abertas para ventilar o ambiente e vai estar frio na sala", contou uma mãe ao Contacto numa altura em que o tempo começa a esfriar no Luxemburgo e as constipações e febres surgem entre os alunos.

Só que este ano letivo as temperaturas das salas de aula são mais baixas do que nos anos anteriores, devido à necessidade de ter janelas e portas abertas para ventilar o ambiente, como prevenção da transmissão da covid-19.

"Os miúdos já estão com muito frio nas salas de aula. A minhas duas filhas já ficaram doentes, devido às correntes de ar, provocadas pelas janelas e portas abertas. Na escola delas há turmas em que metade dos alunos está doente. Não devido à covid-19, mas a constipações", disse, por seu turno, Luísa, mãe de uma menina de oito anos e outra de quatro anos que já levam "um casaquinho" para vestir durante o tempo de aulas.

“O professor da minha filha mais velha já pediu aos pais para os meninos levarem um agasalho, e explicou que não podia ter as janelas fechadas na sala, tinham de estar abertas por ordens da direção da escola", acrescentou esta mãe. A Maria, professora e mãe cabe uma dupla preocupação. Tentar manter os seus alunos confortáveis durante as aulas e agasalhar o seu filho de oito anos.

"Na sala de aula tento manter as janelas e portas abertas, mas se algum aluno diz sentir frio, fecho algumas durante um bocadinho, e assim vou alternando entre fechadas e abertas", explica esta docente.


Regresso às aulas. O meu filho está com gripe ou tem covid-19?
Esta será uma das grandes dúvidas dos pais, sobretudo dos mais pequenos, nos próximos meses, por causa dos sintomas semelhantes. Duas pediatras especializadas, do Kannerklinik, Luxemburgo, e do Hospital de Santa Maria, Portugal, dão a resposta e os conselhos mais importantes.

Quanto ao seu filho, Maria planeia ir a uma loja desportiva "comprar uns casacos de aquecimento finos" e colocar na mochila do seu filho, para que possa vestir durante a classe. "Vou optar por estes polares quentes, mas de malha fina pois são mais confortáveis. Trabalhar com casacos grossos na aula não dá jeito", precisou. Nos últimos dias o menino já confessou que "já teve frio uma vez ou duas quando a professora abriu as janelas porque está sentado junto a uma".

Esta docente mãe alerta que não se deve sobrevalorizar a situação. "Constipados os meninos ficam todos os anos e, este ano, não penso que seja por causa da ventilação nas salas". Maria refere que as salas precisam de ser ventiladas para o ar circular e prevenir o risco de contágio nas escolas.

Até aos alunos adultos que andam a frequentar as aulas de luxemburguês ao final da tarde "a professora já recomendou que trouxéssemos agasalhos extra para as aulas pois este ano as salas têm de ser ventiladas", precisou Ana, de 43 anos, que chegou ao Luxemburgo há menos de um ano e quer aprender o idioma.  

 "A ventilação é muito importante"

Patrick Theisen, pediatra e presidente da Sociedade Luxemburguesa de Pediatria (SLP) também desdramatiza o problema de ventilação nas escolas "que é necessária e muito importante na saúde dos alunos e no controlo da covid-19 nas escolas". "Os meus doentes pediátricos e os pais estão a chegar ao meu consultório com constipações, mas estas devem-se ao facto de os adolescentes continuarem a vestir-se como se ainda fosse verão, de manga curta . Além disso, já é outono e os miúdos continuam a ir jogar à bola ou outros desportos ao ar livre de t-shirt. Depois transpiram e não se agasalham. É sempre assim e estas são as causas da grande maioria dos casos que me chegam agora. Por isso, eu aconselho vivamente a que vistam qualquer coisa mais quente para os desportos ao ar livre", declarou ao Contacto o presidente da SLP.

Às preocupações dos pais sobre as salas mais frias e correntes de ar, Patrick Theisen responde que "neste contexto de epidemia a ventilação das salas de aula é fundamental" pelo que os alunos "devem ir mais agasalhados para a escola". "Sei que não é agradável, mas tem de ser, para a segurança dos alunos. Os termómetros já estão nos 10 ou 12 graus e vão continuar a baixar, pelo que os pais têm de vestir roupa mais quente às crianças e os jovens tem também de se proteger do frio", pede este pediatra.

Famílias têm de cumprir regras

"Vai haver alunos com constipações como há todos os anos nesta altura, mas não creio que a ventilação das salas vá provocar um aumento destes problemas. Não se pode fechar as escolas e os alunos voltarem para casa. As consequências são piores, sobretudo a nível psicológico, como provam os estudos realizados no país durante o ano letivo passado", frisa este pediatra. E justifica: "Os números do Ministério da Saúde provam que as escolas são locais seguros, não constituem um foco de infeção. É um ambiente seguro pois está protegido com as medidas sanitárias adequadas".

 O principal foco de contágios é "o ambiente familiar", recorda este pediatra sublinhando que é ao nível das "relações intrafamiliares que os pais e todos os adultos têm de cumprir as medidas sanitárias".


Há 167 casos de covid-19 nas escolas do país
A escola recomeçou há três semanas e o mais recente balanço dá conta de 167 alunos infetados pela covid-19.

"Não é tempo para visitas a casa de familiares, para reuniões familiares e festas. As pessoas têm de ter cuidado e proteger-se a si próprias e aos outros", aconselha vivamente Patrick Theisen.

 O que dizem as medidas do Ministério

O plano do Ministério da Educação para a rentrée escolar 2020/21 no contexto da covid-19 sobre o arejamento e ventilação nas salas de aula prevê as medidas para os dias de outono e para o inverno.

"Enquanto as condições meteorológicas o permitirem, as janelas e portas devem ser mantidas sempre abertas. Nos períodos mau tempo, é necessário criar um arejamento repetido das salas de aula durante o dia" e a ventilação realizada "por períodos curtos (janelas bem abertas) durante os primeiros ou últimos cinco minutos das aulas”, lê-se no documento entregue às escolas do país.

Este dispositivo alerta mesmo para a questão do vestuário dos alunos durante as classes em função destas medidas de prevenção da epidemia: “Adaptação do vestuário às temperaturas mais baixas nas salas de aula”, indica o plano da tutela.

“Estas regras são gerais pois devido às estruturas tão diferentes dos estabelecimentos escolares no país, à disposição das janelas nas salas de aula e método de abertura, cabe a cada escola adotá-las da melhor forma”, declarou ao Contacto a porta-voz do Ministério da Educação, lembrando que há escolas com edifícios mais antigos dotados de janelas tradicionais, e outras com estruturas mais modernas, que têm janelas basculantes (pode abrir-se com inclinação vertical deixando entrar o ar pela parte superior).

Tal como refere o plano, nos dias mais frios que se adivinham os professores podem abrir as janelas e portas, por exemplo, cinco minutos no início da aula, fechando e abrindo de novo num curto período no final da aula, “o importante é que haja arejamento e ventilação do ambiente” precisa a porta-voz do Ministério da Educação. Esta responsável confirmou que as escolas continuam a ser “um local seguro face à epidemia pois a grande maioria das infeções detetadas em alunos foram transmitidas fora do ambiente escolar, nomeadamente nas famílias”.


"Poderemos ter que fechar todas as escolas, numa determinada região"
Mas só "em casos excecionais" e se todas as outras atividades em que os jovens se podem encontrar forem encerradas, diz o ministro da Educação, Claude Meisch em entrevista ao Contacto.

167 casos de infeção nas escolas

O último balanço divulgado pela tutela a 6 de outubro contabilizava 167 casos de infeção entre estudantes, dos quais 133, sendo um caso isolado por turma. Este é o cenário 1 da epidemia no Plano do Ministério da Educação e significa que o aluno infetado fica em casa, a turma fica isolada no estabelecimento, mas as crianças não ficam em quarentena. Os alunos continuam a ir à escola, mas devem minimizar os seus contactos até fazerem um teste à covid-19. Por norma, este é feito ao sexto dia após a deteção do caso infetado. No caso dos 31 alunos que se encontravam no 'cenário 2', ou seja mais do que um caso de infeção por turma, aqui toda a classe é colocada em quarentena e passam a ter aulas a partir de casa. Depois de um teste negativo as crianças poderão regressar à escola. 

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