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Covid-19. “A próxima semana será crucial para sabermos se estamos na terceira vaga”
Luxemburgo 3 3 min. 18.09.2020

Covid-19. “A próxima semana será crucial para sabermos se estamos na terceira vaga”

Covid-19. “A próxima semana será crucial para sabermos se estamos na terceira vaga”

Foto: ScienceRelations
Luxemburgo 3 3 min. 18.09.2020

Covid-19. “A próxima semana será crucial para sabermos se estamos na terceira vaga”

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O grande aumento de casos diários pode significar que o Luxemburgo possa estar a entrar numa nova vaga da epidemia, como previam as projeções realizadas pela task-force covid-19. O seu porta-voz, o investigador Paul Wilmes explica ao Contacto o que poderá acontecer no país e na Europa.

Na terça-feira registaram-se 40 novos casos no Luxemburgo, na quarta-feira, 110, e quinta-feira, 147 novas infeções diárias no país. Será que o Grão-Ducado está a entrar numa terceira vaga da epidemia como prevêem as projeções elaboradas pelos cientistas da task-force? 

“Possivelmente sim, mas só 'na próxima semana' se terá a certeza de que previsões estão corretas", declara ao Contacto o investigador Paul Wilmes, o porta-voz da ‘task force’ covid-19.

As previsões divulgadas no relatório mensal de agosto da task-force, elaboradas com base em simulações matemáticas da situação epidemiológica do país para os dois meses seguintes, alertam para o início de uma nova vaga da covid-19, em meados de setembro, por volta do dia 17, que poderá atingir o pico de infeções na última semana de outubro, nos dias 26 ou 27.  E se as projeções da task-force estiverem corretas?

Nos últimos dias têm-se verificado um grande aumento de casos diários de infeções. Será o início da terceira vaga da epidemia no Luxemburgo?

 Houve claramente um aumento de casos positivos desde o início desta semana (14 de setembro). É possível que sim, mas também pode ser devido ao facto de mais pessoas estarem a ser testadas antes do início das aulas ou a voltar ao trabalho. A evolução ao longo da próxima semana será crucial. Em qualquer caso, quanto mais interações sociais as pessoas tiverem (como durante o regresso à escola e o regresso ao trabalho), maior será a transmissão do vírus.

Estamos em meados de setembro e as previsões apontam para que por estes dias, por volta do dia 17, se dê o início da terceira vaga. Pensa que as projeções da vossa investigação estão a concretizar-se?

É muito provável que um cenário [dos elaborados] esteja a começar a desenrolar-se como previmos.

Quais as medidas a tomar, especialmente entre os mais jovens, uma vez que o ano letivo começou esta semana?

As medidas postas em prática estão centradas na limitação da transmissão, assegurando ao mesmo tempo o máximo de instrução e aprendizagem possível. É um equilíbrio desafiante a atingir e as medidas terão de ser continuamente monitorizadas e adaptadas.

Em Portugal, ontem dia 17 setembro atingiu-se o maior número de casos desde 10 de abril, 770 casos e dez mortos. Também ontem a França registou o número mais elevado de sempre, 10.500 casos em um dia. É possível que novas vagas a nível europeu sejam mais violentas em número de casos do que as anteriores?

É possível que vejamos mais casos, o que não significa que vamos ter mais pessoas realmente doentes e mais mortes. O que vimos na segunda vaga no Luxemburgo é que as distribuições etárias entre a primeira e a segunda vaga foram muito diferentes. Vemos que mais pessoas mais jovens estão atualmente a ser infetadas, mas mantém-se a preocupação com as pessoas mais idosas, de que também sejam afetadas. Todos os grupos etários devem adaptar o seu comportamento no que diz respeito às interações sociais.

O aumento de casos registados no Luxemburgo e Europa pode ser causa do maior número de testes de despistagem que os países estão a realizar? Ou pode ser a combinação dos dois fatores?

O número de testes contribui. Por exemplo, no Luxemburgo, os testes em larga escala contribuíram com mais de um quarto dos casos positivos desde que começaram a ser realizados. Assim, os testes contribuem para os números, mas não são os únicos responsáveis. Portanto, é uma combinação de ambos os fatores.

Novos recordes de casos na Europa

Poderemos continuar a assistir a novos recordes de registos diários de casos, como ontem em França?

É provável que sim.

A Europa pode continuar a viver novas vagas da epidemia? E estas serem mais fortes do que as anteriores?

Enquanto não houver imunidade de grupo, quer seja através de infeções ou de vacinas, e se as pessoas não cumprirem as medidas de prevenção e controlo, poderemos assistir a mais vagas epidémicas.

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