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Coronavírus. Pouco se sabe sobre a “ameaça internacional”
Luxemburgo 4 min. 04.03.2020 Do nosso arquivo online

Coronavírus. Pouco se sabe sobre a “ameaça internacional”

Coronavírus. Pouco se sabe sobre a “ameaça internacional”

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Luxemburgo 4 min. 04.03.2020 Do nosso arquivo online

Coronavírus. Pouco se sabe sobre a “ameaça internacional”

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Com o eventual encerramento das fronteiras na ordem do dia, o Luxemburgo não adopta nenhuma medida para controlar a propagação do vírus para evitar “alarmismos”. Num quadro de incertezas, a Organização Mundial de Saúde mantém que “o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã” e recomenda hábitos de higiéne padrão.

Febre, tosse e dificuldades respiratórias. Os sintomas ligeiros que podem ser comparados aos de uma gripe sazonal manifestam-se 14 dias depois da exposição ao vírus, após o chamado período de incubação. Quer o tratamento, quer a dinâmica de transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2) estão por apurar. Numa luta contra o tempo e contra a propagação do surto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) é a primeira a dizer que “o que hoje é verdade pode ser mentira amanhã”. Identificado em dezembro, num mercado chinês que comercializa animais vivos para consumo em Wuhan, o vírus circula numa série de espécies sem representar qualquer perigo à sua sobrevivência. É no ser humano que se pode revelar letal. Comprovada a transmissão inicial por um animal, ainda não identificado, para o homem, o aumento do número de casos de infeção em todo o mundo fez soar os alarmes da comunidade científica que confirmou a possibilidade de contágio de pessoa para pessoa.

Prevenção possível

Em geral, os vírus respiratórios são transmitidos através de gotículas criadas pela tosse ou pelo espirro. Objetos eventualmente contaminados como interruptores ou maçanetas também podem ser um foco de propagação. Sem certezas absolutas, a OMS estima que familiares e técnicos de saúde estão na linha da frente do risco de infeção, uma vez que lidam diretamente com o paciente. Evitar contacto com a pessoa que apresenta sintomas da doença que os cientistas batizaram de Covid-19 é uma das principais recomendações, apesar do elevado grau de improbabilidade.

Entre as medidas de higiene padrão recomenda-se o uso de máscaras de proteção, apenas em ambiente hospitalar, lavar as mãos com água e sabão ou com um gel desinfetante várias vezes ao dia e garantir que os animais estão bem cozinhados antes de consumir. Tal como tem sido reforçado pelos gabinetes das diferentes Direções Gerais de Saúde, as salas de espera dos hospitais e dos centros de cuidados primários devem ser evitadas. Caso os sintomas comecem a manifestar-se, o doente deve contactar a linha telefónica de emergência. Partilhar o histórico recente de viagens com as equipas médicas é essencial para despistar ou confirmar a infeção que também já chegou ao Grão-Ducado.

“Pandemia”

Por cá, o indicado é ligar para a recém criada linha direta 8002 8080 e aguardar as indicações dos técnicos de saúde que a ministra Paulette Lenert garante estarem “preparados” para “responder sem demoras”. Se inicialmente o governo apostou na sorte e no “cruzar os dedos” para prevenir o aparecimento do novo coranavírus no Luxemburgo, a confirmação do primeiro caso em território nacional, este fim-de-semana, obrigou o grupo de crise chamado “Pandemia” a assumir que “outros possam surgir no Luxemburgo”. De qualquer forma, a equipa convocada pelo primeiro-ministro Xavier Bettel resiste a adoptar “medidas para limitar e conter a propagação do vírus”. Quer isto dizer que, entrar ou sair do Luxemburgo por via aérea ou terrestre vai continuar a fazer-se sem qualquer restrição ou controlo para evitar o que o executivo apelida de “alarmismo”, numa altura em que empresas como a Ferrero cancelaram todas as viagens ao exterior e pediram aos funcionários que passaram por alguma das zonas afetadas, incluindo Itália, onde fica a sede da chocolateira, para ficar em casa pelo menos durante o período de incubação.

Sem cura

Certo é que, para já, não há vacinas nem antídotos, cientificamente testados, para tratar Covid-19. Na melhor das hipóteses, o primeiro tratamento poderá estar disponível em meados de 2021. Nada garante que seja disponibilizado em grande escala num tão curto espaço de tempo, apesar do laboratório Inovio, situado em São Diego, nos Estados Unidos, assegurar que os testes realizados em humanos possam arrancar “dentro de alguns meses”. As primeiras experiências em animais já decorrem, segue-se um longo período de licenciamento e produção.

Com uma taxa global de mortalidade provisória avaliada em 2%, o novo coronavírus ameaça sobretudo homens com mais de 60 anos, sendo particularmente perigoso para as pessoas que têm outras doenças associadas, como patologias cardiovasculares, diabetes ou doenças respiratórias crónicas, como bronquite asmática. Acima dos 80 anos, a taxa de mortalidade da infeção dispara para 14,8%. Estima-se que crianças até aos nove anos idade não corram perigo de vida.

Em comparação com outras doenças respiratórias transmitidas por animais, a taxa de mortalidade do vírus que a OMS considera uma “ameaça internacional” é inferior. Entre 2002 e 2003, outro coronavírus designado apenas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) estendeu-se a quatro continentes com uma taxa de mortalidade de 9,5%. Mais recentemente, em 2012, o Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS) superou os 34%. Em comparação, o que o SARS-CoV-2 tem vindo a demonstrar é a capacidade de infectar um número mais elevado de pessoas que o anterior, sendo que das mais de 80 mil em vários países, quase 37 mil já “recuperaram” ou nunca estiveram infectadas, dado que entre os milhares de casos confirmados há falsos positivos. 


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