Coronavírus. Cerco aperta-se ao Luxemburgo mas ainda não há registo de casos
Coronavírus. Cerco aperta-se ao Luxemburgo mas ainda não há registo de casos
A confirmação de três casos positivos em França, na passada sexta-feira, marcou a entrada oficial do coronavírus em espaço europeu que também já se alastrou à Alemanha, onde há registo de quatro casos até à data. O cerco aperta-se aos países ainda livres de uma ameaça que, alertam diversos especialistas, se poderá converter numa epidemia mundial.
Até ao fecho desta edição, o Luxemburgo continua a fazer parte do grupo de estados sem situações registadas. A garantia foi dada pelo Ministério da Saúde ao Contacto. "Até ao momento, não foram comunicados às autoridades de saúde casos suspeitos ou confirmados [de infeção com o novo coronavírus]".
Antes mesmo das situações registadas nos países vizinhos, o governo do Grão-Ducado emitiu um comunicado com recomendações à população em geral e a serviços implicados na gestão e despiste de potenciais situações, como os dos setores da saúde e dos transporte, onde se destacam os aeroportos e as empresas aeronáuticas. A par disso, "o nível de alerta foi aumentado na sexta-feira para médicos e hospitais. Há, portanto, uma maior vigilância no setor médico", sublinha a tutela.
Já nos transportes, o Ministério da Saúde garante que foram adotadas as medidas preventivas necessárias por parte das entidades que operam voos para a China, como é o caso da Cargolux. Apesar de não ter ligação direta para Wuhan, cidade a partir do qual o vírus se terá propagado, a companhia área luxemburguesa de bens e mercadorias realiza habitualmente 23 voos semanais para quatro cidades chinesas: Pequim, que já confirmou o primeiro caso mortal, Xangai, Zhengzhou e Xiamen. A atividade da companhia nesta zona geográfica motivou uma interpelação "urgente" do CSV ao ministro da Saúde, Étienne Schneider, sobre as medidas adotadas pela Cargolux para prevenir a importação do vírus para território luxemburguês.
Em resposta ao jornal sobre a questão colocada pelos deputados de CSV, a tutela refere que "não estão previstas medidas específicas a serem tomadas pelo Direção da Saúde relativamente a esta empresa", justificando que a companhia aérea de transporte de carga está em "contacto direto com a Inspeção de Saúde e aplica medidas de segurança sanitária aos seus funcionários".
Entre os procedimentos adotados estão, por exemplo, "guias com instruções para proteção pessoal e para evitar o risco de contaminação", dirigidos às tripulações e ao restante staff envolvido nas viagens realizadas pelos seus aviões. Além disso, explica Moa Sigurdardottir, responsável pela comunicação da Cargolux, é "distribuído equipamento de proteção pessoal [PPE, na sigla em inglês], que inclui máscaras de elevada qualidade e lenços desinfetantes. O guia também tem instruções claras sobre como as pessoas devem atuar no caso de sentirem sintomas após as viagens", refere, em declarações ao jornal.
O facto de só um número pequeno de pessoas ter acesso aos aviões da companhia e de durante as celebrações do Ano Novo Chinês "muitos dos voos terem sido suspensos até à sexta semana", também "limita o risco de uma potencial transmissão" do coronavírus, acrescenta.
Mesmo sem ter havido alteração ou interrupção de rotas, a representante da Cargolux confirma ao Contacto que foram estabelecidas algumas restrições no serviço normal. "Como medida de prevenção adicional, a companhia colocou em vigor um embargo temporário ao transporte de animais vivos vindos da China".
Moa Sigurdardottir afirma ainda que a empresa monitoriza todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, atualizando as respetivas informações aos funcionários.
China em quarentena
Na segunda-feira, a OMS reavaliou o risco do coronavírus e classificou de "elevado" a nível internacional, mantendo-o "muito elevado" na China. O país já registou mais de 130 mortos e quase seis mil infetados (números oficiais). Para conter o contágio as autoridades colocaram recentemente 13 cidades sob quarentena, uma medida que abrange mais de 40 milhões de pessoas.
Wuhan, considerada o epicentro do surto infeccioso, é a cidade mais restringida. O vírus foi detetado na capital da província de Hubei, no centro do território chinês e onde vivem 11 milhões de pessoas, ainda em dezembro. Inicialmente, as autoridades locais reportaram apenas 41 pacientes e consideraram que a doença não era transmissível entre seres humanos, o que, afinal, se veio a verificar.
A cidade está isolada há quase uma semana, com entradas e saídas interditas pelas autoridades chinesas, que têm trabalhado em contra-relógio. Foram mobilizados quase seis mil médicos para a zona e em fevereiro deverá abrir um hospital criado para acolher doentes infetados com o vírus, construído em em tempo recorde. A maioria das lojas de comércio está encerrado e é proibida a circulação de veículos. As ruas estão desertas. Hong Kong anunciou entretanto o fecho temporário da fronteiras com China.
A China espera começar a testar uma vacina em menos de 40 dias.
Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, França, Alemanha, Austrália e Canadá são outros estados onde também já se confirmaram casos.
(notícia atualizada às 17h com informação sobre o número de vítimas mortais e pessoas infetadas na China)
