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Contra as desigualdades
Editorial Luxemburgo 2 min. 03.10.2018 Do nosso arquivo online

Contra as desigualdades

Contra as desigualdades

Foto: Guy Wolff
Editorial Luxemburgo 2 min. 03.10.2018 Do nosso arquivo online

Contra as desigualdades

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Com as eleições à porta, vale a pena lembrar que a ascensão social no Luxemburgo continua a ser muito difícil para estrangeiros e que as desigualdades sociais começam logo no sistema escolar. E este é um combate que nenhum governo deve rejeitar.

Em qualquer parte do mundo, os pais pretendem sempre que os filhos disponham das melhores condições de vida, procurando que a escola os prepare para todos os desafios que terão de enfrentar ao longo do percurso. No Luxemburgo, a situação não é diferente, mas aqui as desigualdades sociais começam na própria escola que tantas vezes funciona como mecanismo de reprodução social da geração anterior, ou seja, se os pais não tiverem formação superior, os filhos dificilmente podem aspirar a ela.

A reportagem da jornalista Paula Telo Alves exemplifica como, ao longo dos anos, se torna quase impossível mudar o rumo num ambiente desfavorável e em que a mobilidade social escasseia, acabando o futuro dos filhos por ser a imagem ao espelho daquele que vem dos pais. A complementar casos de filhos da imigração portuguesa que têm sofrido na pele esta realidade estão os números de diferentes estudos. Quando o Ministério da Educação, com dados relativos ao ano passado, mostra como a esmagadora maioria de estudantes portugueses continua a ficar fora do trajeto que lhes permitiria chegar a formação universitária, algo permanece errado não com os alunos, mas com o sistema de ensino.

Mas também o Statec se refere a esta problemática no relatório de 2013 sobre a situação socioeconómica de pais e filhos, neste caso sem particularizar quanto a nacionalidades, embora deixando bem patentes as dificuldades dos descendentes de quem não obteve um elevado nível de instrução. A partir daí, não é difícil perceber como os obstáculos à evolução se multiplicam numa espiral que não envolve apenas os baixos salários, mas também eventuais problemas de saúde e agravados riscos de pobreza. O que deveria ser a abertura à mobilidade social transforma-se numa sequência de perpétuas imobilidades que excluem os visados e prejudicam o país, incapaz de aproveitar todo o potencial à sua disposição.

No Luxemburgo como em Portugal e por todo o mundo, tornar a igualdade de oportunidades uma realidade desde os bancos da escola é um combate que nenhum governo deve rejeitar. E não se trata de uma questão de aplicar mais dinheiro, pois, como revelou um estudo da OCDE no mês passado, o Grão-Ducado é o país daquela organização que mais gasta por aluno (19 mil euros/ano). Trata-se de pôr fim a preconceitos e acabar com o desprezo pelos mais desfavorecidos. Com as eleições à porta, vale a pena lembrar os políticos que este é um problema com décadas de existência e tem de ser resolvido. Porque quanto mais tempo persistir mais desigual será a sociedade e maiores serão os problemas que daqui resultam.

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