Consulta popular no Luxemburgo contra Nicolás Maduro supera expectativas

Mesa de voto da consulta popular no Luxemburgo
Mesa de voto da consulta popular no Luxemburgo
Foto: MFR

A consulta popular levada a cabo este domingo pela comunidade venezuelana no Luxemburgo contra o projeto de Assembleia Constituinte, promovido pelo Presidente da Venezuela Nicolás Maduro, superou as expectativas da organização. Já na Venezuela, o plebiscito contou com a participação de mais de 7,1 milhões de pessoas.

"Superou completamente as nossas expectativas porque esperávamos umas 80 pessoas, mas participaram 156 pessoas. Tivemos até gente de Trier, Arlon e  Saarbrücken. Também tivemos pessoas que estavam de férias, de passagem pelo Luxemburgo, e que aproveitaram para votar", disse ao Contacto a coordenadora da mesa de voto, Maria Fernanda Rangel.

"Mostrámos ao mundo o nosso civismo com mais esta forma de protesto pacífico e organizado contra a ditadura. O resultado deste plebiscito é uma mensagem de mudança. As pessoas não querem ditadura, mas progresso para o país. Esperamos que o Governo escute o clamor do povo", acrescentou a ativista venezuelana, que vive há quase dois anos no Luxemburgo.

No plebiscito de domingo foi perguntado aos venezuelanos se estão ou não de acordo com a criação da Assembleia Nacional Constituinte proposta por Nicolás Maduro, qual deve ser o papel da atuação das Forças Armadas e se deve haver convocatória de eleições gerais.

A resposta foi unânime, diz Maria Fernanda Rangel. "Quando foi feita a contagem, rotundamente toda a gente estava contra a criação da Assembleia Constituinte. Todas as pessoas querem uma mudança na Venezuela, ainda que não vivamos no país. Todas as pessoas querem a restituição da Constituição e toda a gente pede as forças armadas que atue de acordo com a Constituição".

Após mais de três meses de protestos, com um saldo de 94 mortos e mais de mil feridos, os apoiantes de Nicolás Maduro estão atualmente em campanha eleitoral para a escolha, a 30 de julho, dos 545 membros da Assembleia Constituinte. Este órgão terá como missão rever a Constituição em vigor, mas a oposição está contra esta iniciativa, considerando-a como uma forma de contornar a Assembleia Nacional, dominada desde 2016 pela oposição.

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Apesar de não ter contado com o aval das autoridades governamentais, mais de 7,1 milhões de eleitores na Venezuela votaram este domingo contra Nicolás Maduro, num dia marcado pela morte de uma mulher de 61 anos e quatro pessoas feridas a tiro quando um grupo de homens armados disparou contra um dos postos de voto no referendo promovido pela oposição, relataram várias fontes.

Já no Luxemburgo, o ambiente foi o oposto. "As pessoas estavam felizes, com as suas bandeiras e cantando o hino nacional da Venezuela. Houve quem veio com bonés e lenços tricolores da cor da nossa bandeira. Tivemos também famílias inteiras, com crianças de colo. Toda a gente veio com alegria e esperança, porque todos querem mudança", desabafa Maria Fernanda Rangel.

No Luxemburgo, a mesa de voto esteve aberta na capital, no n° 42 da rue de Hollerich, das 9h56 até às 16h para receber as pessoas que se apresentaram com um documento venezuelano válido, passaporte ou cédula pessoal.

O momento mais emotivo do dia foi quando o jovem de 18 anos com mobilidade reduzida chegou ao local de voto, acompanhado pela mãe, num carrinho de rodas. "Foi a primeira vez que ele participou numa votação. As pessoas que estavam na fila deixaram-no passar à frente e quando votou toda a gente o aplaudiu. Foi muito emotivo e foi um momento de encontro de venezuelanos com os mesmos ideais pelo país", conta Maria Fernanda Rangel.

No Luxemburgo vivem cerca de 150 venezuelanos, de acordo as associações venezuelanas no país.

Henrique de Burgo


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