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Construção. Sindicatos avançam com reunião de conciliação sobre convenção coletiva

Construção. Sindicatos avançam com reunião de conciliação sobre convenção coletiva

Foto: Marc Wilwert
Luxemburgo 2 min. 30.05.2018

Construção. Sindicatos avançam com reunião de conciliação sobre convenção coletiva

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
Com patrões e sindicatos em desacordo, as negociações da convenção coletiva no setor da construção vão avançar com intermediação do Ministério do Trabalho.

As centrais sindicais OGBL e LCGB pediram a intermediação do Ministério do Trabalho nas negociações sobre a convenção coletiva no setor da construção, que expirou em 2016.

As reuniões de negociações para o novo acordo começaram em fevereiro de 2017, mas até agora as duas partes não chegaram a um consenso. A solução encontrada para tentar desbloquear o impasse foi o pedido de reunião com um delegado do Ministério do Trabalho. Os patrões lamentam esta decisão “unilateral” dos sindicatos.

“Os empregadores do setor da construção lamentam que os sindicatos tenham deixado a mesa de negociações (...) e tenham iniciado unilateralmente o processo de conciliação”, refere, em comunicado, Pol Faber, secretário-geral do Groupement des Entrepreneurs (associação de empresários do setor da construção, associada à Federação das Indústrias Luxemburguesas – Fedil).

A LCGB reagiu ao comunicado e diz que está ainda aberta às negociações. “Os sindicatos não deixaram a mesa das negociações. Escolheram a conciliação porque não houve forma nenhuma de arranjar um acordo com o patronato. Mas ainda estamos abertos a negociações até a reunião de conciliação”, diz, ao Contacto, Tiago Ferreira, delegado sindical da LCGB.

Confrontada também pelo Contacto, a OGBL afirma que esta medida é um “último recurso”. “O que agora se pede é que, com a ajuda de um representante do Ministério do Trabalho e mediadores das duas partes, se possa conseguir um avanço nas negociações. É um último recurso, dado que a reunião de conciliação exige prazos estritos nas negociações daqui para a frente”, defende o representante do setor da construção do sindicato OGBL, Hernâni Gomes.

Os sindicatos propõem um aumento salarial para todos os trabalhadores: 4,5% nos próximos três anos, ou seja, 1,5% por cada ano de assinatura da convenção coletiva. Além disso, reclamam um prémio de 600 euros para cada trabalhador, compensando os quase dois anos de “tempo perdido” sem avanço nas negociações.

Da parte do patronato, a proposta é de um aumento salarial de 2,1% (0,7% por ano) e apenas para quem ganha o tarifário mínimo, ou seja, cerca de 30% dos trabalhadores. Quanto ao prémio para cada trabalhador, a proposta é de 100 euros para cada ano, perfazendo 5,4 milhões de euros ao longo de três anos, segundo as contas do patronato. Mas, de acordo com as contas da OGBL, este aumento corresponde a “cerca 2 cêntimos à hora”, o que é “muito pouco” e quando “o setor vai bem economicamente”.

Depois do pedido feito pelos sindicatos ao Ministério do Trabalho, a primeira reunião tripartida deverá ter lugar em meados de junho. “A partir dessa altura teremos 16 semanas para encontrar um acordo entre as partes”, garante Hernâni Gomes. Se não houver acordo, restará aos sindicatos a greve. Até lá, as outras formas de luta passam por manifestações.

“A LCGB organiza uma manifestação no dia 5 de julho, em Esch-sur-Alzette”, assegura Tiago Ferreira. Já a OGBL deverá organizar, também nesse dia, mas na cidade do Luxemburgo, uma outra manifestação com o objetivo de “unir os trabalhadores em torno da causa”, sublinha Hernâni Gomes.


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