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Construção. Sindicatos ameaçam avançar com grande manifestação

Construção. Sindicatos ameaçam avançar com grande manifestação

Foto: Marc Wilwert
Luxemburgo 2 min. 02.05.2018

Construção. Sindicatos ameaçam avançar com grande manifestação

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
Depois de quatro reuniões sobre a convenção coletiva no setor da construção, o patronato e os sindicatos continuam sem chegar a acordo. Caso as negociações avancem em formato tripartido com o Governo, poderá haver uma grande manifestação à porta do Ministério do Trabalho. OGBL e LCGB voltam a sentar-se hoje à mesa para decidir o que fazer face ao impasse nas negociações.

A convenção coletiva no setor da construção expirou em 2016. As reuniões de negociações para o novo acordo começaram em fevereiro de 2017. Na semana passada teve lugar a quarta reunião entre sindicatos e patronato. Sem consenso, fala-se já na tripartida.

“Neste momento o patronato já fala em partirmos para a conciliação, que é a negociação tripartida, entre Governo, sindicatos e patronato. Isso é uma medida muito drástica quando se chega a esse ponto. Só com quatro reuniões, na nossa ótica é muito cedo para se falar nisso. Eles não não querem mesmo negociar connosco. Se houver tripartida, vamos ter de nos organizar de outra forma, nomeadamente fazer uma manifestação em frente ao Ministério do Trabalho”, disse ao Contacto a secretária-sindical da LCGB, Liliana Bento.

“Não houve nenhum avanço nas discussões, não houve novas propostas e nenhum sinal de compromisso em relação às propostas em cima da mesa. Mantemos a nossa posição e os patrões a deles”, refere, por seu turno, o representante do setor da construção do sindicato OGBL, Hernâni Gomes.

A principal reivindicação dos sindicatos é o aumento de 4,5% nos salários, durante os próximos três anos.

“Reivindicamos um aumento de todos os salários do setor, de 4,5% nos próximos três anos, ou seja, 1,5% por cada ano de assinatura, uma vez que a convenção coletiva tem no máximo um período de 36 meses, após o qual há uma nova negociação. Falamos de salários reais, de todos os trabalhadores, e não de tarifários mínimos”, defende Hernâni Gomes.

Foto: Marc Wilwert

Da parte do patronato, a posição é já conhecida. A proposta é de um aumento de apenas 0,7% e somente sobre as tabelas salariais. “Basta um trabalhador ganhar mais um cêntimo acima da tabela salarial que já não tem aumento. Isto tocaria a apenas 30% dos trabalhadores”, lamenta Liliana Bento.

Para compensar 70% dos trabalhadores, os patrões propõem 300 euros divididos por três anos para cada trabalhador.

“Se formos fazer as contas, retirando os impostos, o aumento é de pouco mais de um cêntimo por hora. Se é desta forma que os patrões da construção consideram que devem valorizar o trabalho dos seus funcionários, não podemos aceitar um prémio desses”, defende Hernâni Gomes.

Outra reivindicação prende-se com a inclusão na convenção coletiva dos trabalhadores que não estão nas obras, como os funcionários administrativos. De acordo com os sindicatos, enquanto os operários têm, no mínimo, 27 dias de férias por ano, os funcionários que estão fora da convenção coletiva têm 25 dias e “não recebem ainda a gratificação de fim de ano”.

Os sindicatos dizem-se ainda contra a proposta patronal de flexibilização do tempo de trabalho, defendendo a “saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores”. Por último, a OGBL e a LCGB reclamam um prémio de 600 euros, para cada trabalhador, compensando os quase dois anos de “tempo perdido”, sem avanço nas negociações.

A duas centrais sindicais, OGBL e LGCB, têm uma reunião marcada para hoje para “discutir a continuidade da mobilização dos trabalhadores na luta pela defesa dos nossos direitos”, conclui Hernâni Gomes.


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