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Construção: Os dois portugueses mortos no Luxemburgo
 trabalhavam para o mesmo empresário
Luxemburgo 3 min. 12.04.2016

Construção: Os dois portugueses mortos no Luxemburgo
 trabalhavam para o mesmo empresário

Um ramo de flores marca o local onde esta segunda-feira morreu um português de 39 anos, num estaleiro de construção em Limpertsberg, na capital luxemburguesa

Construção: Os dois portugueses mortos no Luxemburgo
 trabalhavam para o mesmo empresário

Um ramo de flores marca o local onde esta segunda-feira morreu um português de 39 anos, num estaleiro de construção em Limpertsberg, na capital luxemburguesa
Foto: CONTACTO
Luxemburgo 3 min. 12.04.2016

Construção: Os dois portugueses mortos no Luxemburgo
 trabalhavam para o mesmo empresário

O português que morreu esta segunda-feira num acidente de trabalho num estaleiro de construção em Limperstberg, na cidade do Luxemburgo, trabalhava para o mesmo empresário da obra onde há uma semana morreu outro imigrante português, em Syren, no sul do país.

É o segundo acidente de trabalho mortal a vitimar trabalhadores portugueses da construção no Luxemburgo em apenas uma semana. O primeiro foi a 4 de Abril, quando um português de 55 anos caiu de um andaime em Syren. Sete dias depois, um trabalhador português de 39 anos perdeu a vida num estaleiro em Limpertsberg, soterrado por um desabamento de terra e de betão, esta segunda-feira. Os dois homens trabalhavam para duas empresas geridas pelo mesmo empresário, o português José Cardoso.

José Cardoso é o gerente da Cialux e da Plafa, as duas empresas de construção com sede em Senningerberg que registaram os dois acidentes mortais no espaço de uma semana, e está "em estado de choque".

"Ainda na sexta-feira fui ao funeral de um em Echternach, e agora acontece mais esta morte", lamentou o empresário português, que fundou a empresa de estucagem Plafa em 1979 e é igualmente gerente da empresa de construção Cialux, criada em 1990. "Durante quase 40 anos, não tivemos acidentes mortais, e agora temos dois numa semana".

O primeiro aconteceu a 4 de Abril, numa pequena obra em Syren, a sul do Luxemburgo. Um trabalhador português de 55 anos, residente em Echternach, caiu de um andaime e "teve morte instantânea", contou ao CONTACTO o gerente da Plafa, responsável pela obra naquela pequena localidade.

Já esta segunda-feira, um novo acidente de trabalho provocou a morte de mais um português, de 39 anos. O trabalhador originário da Figueira da Foz, ao serviço da Cialux, foi chamado para cortar vigas numa empreitada da empresa, um bloco de habitação social que a empresa está a construir em Limpertsberg para a autarquia da cidade do Luxemburgo.

"Foi um funcionário nosso que se deslocou à obra para ir cortar umas vigas de ferro. Foi para cortar uma viga em metal que estava a suportar uma estabilidade de terra [uma barreira para estabilizar o terreno]. Ele tinha de tirar as pontas que ultrapassavam esses limites e foi isso que ele foi lá fazer, cortar as pontas. Foi aí que se deu o acidente".

O português morreu soterrado pelo desabamento de terra e betão. O acidente deu-se às 13h30, esta segunda-feira, e a Polícia chegou ao local pouco tempo depois. No local estiveram também a Inspecção do Trabalho do Luxemburgo (ITM, na sigla em francês) e uma equipa de peritos forenses.

Esta tarde, um dia depois do acidente, ainda havia agentes da Polícia e funcionários da "Association d’Assurance Accident", o departamento da Segurança Social do Luxemburgo responsável pelos acidentes de trabalho, a recolher elementos no local.

Causas dos acidentes ainda por apurar

As causas dos dois acidentes continuam por apurar. Num caso e noutro, José Cardoso garante que as empresas que gere respeitam as regras de segurança.

"São estaleiros com nível de segurança da Secolux, um gabinete de segurança que fiscaliza a obra. Cumprimos as regras, temos um gabinete de segurança na obra. Até agora não conseguimos apurar todos os elementos, será agora ao ITM [Inspecção do Trabalho]... Eu só posso confirmar que houve dois acidentes, dois mortos numa semana, por causas que ainda falta apurar", disse ao CONTACTO o empresário, notoriamente emocionado.

Contactada por este jornal, a Inspecção do Trabalho do Luxemburgo recusou prestar informações sobre os casos enquanto decorrer o inquérito. Cabe à Procuradoria a última palavra sobre se há matéria para abrir inquérito penal, depois de receber as conclusões da Inspecção do Trabalho, disse ao CONTACTO o porta-voz da Procuradoria, Henri Eippers. "Quando há vítimas mortais [em acidentes de trabalho] é a Procuradoria que decide se há lugar a processo penal, em função dos elementos recebidos".

Esta terça-feira, a Procuradoria ainda não tinha recebido "os relatórios dos dois acidentes" em Syren e em Limpertsberg, informou o porta-voz.

Este é o terceiro acidente de trabalho mortal no sector da construção no Luxemburgo desde o início do ano. Um número que já igualou o total de mortes registadas no ano passado no sector, disse ao CONTACTO fonte da Association d’Assurance Accident. Pelo menos duas vítimas eram portuguesas.

O português de 39 anos que morreu esta segunda-feira em Limpertsberg era casado e tinha dois filhos menores. A data do funeral ainda não é conhecida.

Paula Telo Alves


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