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Congresso do CSV em Ettelbruck: Passos espera que portugueses ajudem cristãos-sociais "a ganhar as eleições"

Congresso do CSV em Ettelbruck: Passos espera que portugueses ajudem cristãos-sociais "a ganhar as eleições"

Foto: Christophe Olinger
Luxemburgo 3 min. 25.03.2017

Congresso do CSV em Ettelbruck: Passos espera que portugueses ajudem cristãos-sociais "a ganhar as eleições"

Foram duas as vezes em que se ouviu falar português no congresso nacional do CSV, este sábado. A primeira aconteceu quando Claude Wiseler, candidato a primeiro-ministro pelos cristãos-sociais e casado com uma luso-descendente, deu as boas-vindas a Pedro Passos Coelho. A segunda, quando o líder do PSD disse esperar que os portugueses "possam ajudar o CSV a vencer as eleições".

Foram duas as vezes em que se ouviu falar português no congresso nacional do CSV, este sábado. A primeira aconteceu quando Claude Wiseler, candidato a primeiro-ministro pelos cristãos-sociais e casado com uma luso-descendente, deu as boas-vindas a Pedro Passos Coelho. A segunda, quando o líder do PSD disse esperar que os portugueses "possam ajudar o CSV a vencer as eleições".

Passos Coelho discursou hoje no congresso nacional dos cristãos-sociais, que considerou "um partido-irmão" do PSD. Em ano de eleições locais nos dois países, Pedro Passos Coelho disse esperar que os portugueses "tenham uma participação massiva" nas municipais "e que possam ajudar o CSV a ganhar estas eleições".

À margem do congresso, o líder do PSD reforçou o apelo à participação política dos portugueses "em geral". "Eu estive aqui no congresso do CSV, encontrei aqui muitas pessoas portuguesas que estão numa intervenção política mas ativa, mas o meu apelo era mais aberto. Claro que o CSV é um partido irmão do PSD, e nessa medida o meu apelo como presidente do PSD à participação em torno do CSV, mas a minha observação era geral: era muito importante que os portugueses tivessem uma participação mais ativa e pudessem desempenhar um papel mais forte”, defendeu.

O líder do PSD afirmou ainda que o candidato a primeiro-ministro do CSV nas legislativas de 2018, Claude Wiseler, casado com uma luso-descendente, "valoriza muito essa participação" dos portugueses.

O CSV foi um dos partidos que fez campanha pelo "não" no referendo sobre o direito de voto dos estrangeiros nas legislativas, em 2015 – uma consulta que o "não" venceu, com 80%. O Contacto perguntou a Passos Coelho se não considera esse facto paradoxal, num partido que diz defender a participação política dos estrangeiros, mas o líder do PSD desvalorizou a posição adotada pelos cristãos-sociais no referendo.

“São coisas diferentes. As eleições locais têm um enraizamento de proximidade muito diferente das legislativas", defendeu. "Claro que nós preferiríamos que do ponto de vista nacional houvesse também uma participação mais ativa das comunidades emigrantes, mas compreendo que num país em que os emigrantes têm quase metade da presença demográfica, isso possa suscitar problemas aos diversos partidos", afirmou.

O deputado do PSD pela emigração, Carlos Gonçalves, também apelou ao recenseamento dos portugueses no Luxemburgo, afirmando que o fim dos cursos integrados de português em Esch provavelmente "não teria acontecido" se houvesse mais emigrantes inscritos para votar. A autarquia do Sul do país aprovou em novembro o fim das aulas de português já a partir do próximo ano, uma decisão que "eventualmente não teria acontecido se os portugueses tivessem maior participação" na vida política do Luxemburgo, considerou o deputado pela emigração.

"Quem não vota, não conta, e os portugueses, se quiserem contar no Luxemburgo, é tempo de começarem a votar", instou.

A percentagem de portugueses inscritos para votar nas eleições municipais no Luxemburgo ronda os 18%, e o número de candidatos também é baixo. Nas últimas eleições, em 2011, num total de 3.319 candidatos, só 69 eram portugueses, tendo sido eleitos apenas três, segundo dados do Centro de Estudo e Formação Intercultural e Social (CEFIS). Números que o deputado do PSD considerou "fracos" face à percentagem "de portugueses no Luxemburgo" – que representam 17% da população –, defendendo no entanto que o primeiro passo para haver mais candidatos é "haver mais portugueses recenseados". "Se houvesse mais portugueses inscritos, teríamos certamente mais candidatos", sustentou, afirmando que "os próprios partidos políticos" teriam mais emigrantes nas listas.

Carlos Gonçalves disse que encontrou "uma grande abertura" em relação à participação política dos portugueses no congresso do CSV, numa altura em que as listas de candidatos às eleições municipais, agendadas para outubro, ainda não foram apresentadas. "Tivemos contactos com muitos futuros autarcas  - esperemos – de origem portuguesa, e eu acho isso fundamental para a afirmação da nossa comunidade".

P.T.A. (com Lusa)


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