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Comparações das taxas da epidemia entre países são "pouco significativas"
Luxemburgo 3 min. 25.03.2020

Comparações das taxas da epidemia entre países são "pouco significativas"

Comparações das taxas da epidemia entre países são "pouco significativas"

Hendrik Schmidt/dpa-Zentralbild/
Luxemburgo 3 min. 25.03.2020

Comparações das taxas da epidemia entre países são "pouco significativas"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O epidemiologista luxemburguês Joël Mossong explica porque é "absurdo" aplicar as taxas de letalidade da Itália à realidade do Grão-Ducado.

O novo coronavírus é um vírus novo com um comportamento distinto dos outros coronavírus que já existiram. E assim como não se pode fazer previsões sobre esta pandemia atual com base nos estudos científicos realizados sobre epidemias anteriores, também “não é fiável” elaborar cenários num país, aplicando as taxas da doença de outros países.

Há demasiadas variáveis e fatores diferentes para tais comparações, explica o epidemiologista Joël Mossong, chefe do departamento epidemiológico do Laboratório Nacional de Saúde (LNS) do Luxemburgo numa entrevista ao Luxembourger Wort.

 “É um absurdo estatístico” usar a taxa de letalidade italiana das últimas semanas para os cálculos do Luxemburgo, vinca este especialista sobre previsões e cálculos com base em tal aplicação de taxas que circulam pelas redes sociais.


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Desde essa realidade italiana até agora, já foram impostas medidas restritivas como o "cancelamento do transporte internacional de passageiros" e o confinamento que tiveram "impacto na propagação do vírus”.

Grande família italiana faz diferença

Joël Mossong lembra ainda as características sociológicas próprias de Itália que podem explicar o elevado número de mortos pela epidemia nesse país, mas que não existem na sociedade do Grão-Ducado.

“A extensa família italiana, na qual os avós vivem com seus filhos e netos sob o mesmo teto, e a idade média elevada dos italianos, provavelmente contribuíram significativamente para a alta taxa de letalidade”. No entanto, como declara estas características “não podem são transferíveis para o Luxemburgo”.

Comparações "são difíceis"

As comparações entre países são “difíceis e pouco significativas”, vinca Joel Mossong dando mais um exemplo. Além de que os fatores a ter em conta "podem variar muito, não apenas ao longo do tempo, mas também geograficamente”. 


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Como o das diferentes estratégias adotadas por cada país quanto aos testes de despistagem ao vírus na população. “O Luxemburgo, Alemanha e Holanda, por exemplo, testam [os habitantes] com bastante frequência, a França já testa um pouco menos”.

 Até o número de casos de infeção que estão a aumentar todos os dias pode não significar a real evolução da pandemia.

 “Os números dos casos mostram apenas as pessoas que foram diagnosticadas e que foram testadas. Nem todas as pessoas infetadas são testadas, existem muitas condições que influenciam isso”, refere este especialista. 

Visão otimista

No entanto, se essas condições permanecerem inalteradas, o número de casos testados também será um indicador suficiente para desenvolver uma tendência.


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A verdade é que este especialista está otimista quanto à dimensão da pandemia no Grão-Ducado: “Ao contrário de outros países, tomamos medidas drásticas relativamente cedo” e os “primeiros efeitos desta antecipação devem aparecer daqui a algum tempo”. Mas não para já “nem nos próximos dias”, tal ainda será cedo.

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