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Como a hesitação em tomar a vacina pode ser uma ameaça para todos nós
Editorial Luxemburgo 3 min. 17.02.2021

Como a hesitação em tomar a vacina pode ser uma ameaça para todos nós

Como a hesitação em tomar a vacina pode ser uma ameaça para todos nós

Foto: AFP
Editorial Luxemburgo 3 min. 17.02.2021

Como a hesitação em tomar a vacina pode ser uma ameaça para todos nós

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A verdade é que quem não tomar a vacina está a colocar em risco a sua vida e a dos outros.

Quase metade dos médicos luxemburgueses ainda não foram vacinados. Números preocupantes que indiciam a relutância de parte dos profissionais de saúde em vacinar-se. Uma hesitação que levou o Centro Hospitalar do Luxemburgo a lançar um vídeo informativo sobre a doença dirigido a todos os trabalhadores do hospital em que se apelava à vacinação.

Uma dúvida que se estende a toda a população. Apenas 55% dos inquiridos no Luxemburgo admitia ser vacinado e os imigrantes portugueses eram os mais reticentes, segundo uma sondagem divulgada no final do ano passado.

O processo de vacinação desenrola-se a conta-gotas no Luxemburgo. Apenas 3,6% dos residentes já tomaram a vacina como revela o texto da jornalista Teresa Camarão. O Grão-Ducado está no fundo da tabela da UE em percentagem de pessoas vacinadas. E o Ministério da Saúde não avança qualquer data para ter 70% das pessoas vacinadas, a percentagem necessária para atingir a imunidade de grupo. Se continuarmos a este ritmo apenas em 2024 chegaremos à imunidade de grupo prevê o site politico.eu.

A relutância em tomar a vacina pode ser mais ameaçadora que as dificuldades logísticas na sua distribuição.

A relutância em tomar a vacina pode ser mais ameaçadora que as dificuldades logísticas na sua distribuição. O alerta foi deixado pelo líder da FDA, organismo que regula a aprovação dos medicamentos nos Estados Unidos, em declarações ao The Wall Street Journal. "A hesitação em tomar a vacina" pode tornar-se a principal ameaça na luta contra a covid-19, sublinhando que "se o mundo quiser domar o vírus, estas dúvidas terão de ser combatidas", pode ler-se na revista The Economist. 

A verdade é que quem não tomar a vacina está a colocar em risco a sua vida e a dos outros.

Um discurso alimentado pela desinformação

O discurso anti-vacinas é fortemente alimentado pela desinformação nas redes sociais. Há 425 contas no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube com cerca de 60 milhões de seguidores, contra as vacinas. Números que não param de crescer já que "o medo e a incerteza são muito mais fáceis de promover que a verdade e confiança", sublinha a revista.

No início de fevereiro, o fundador do Facebook, anunciou que iria retirar todos os conteúdos falsos sobre vacinação que aparecessem na rede social. Todos os post que alegassem que as vacinas causavam doenças ou autismo vão desaparecer.

Uma ponte solidária

A primeira equipa da missão luxemburguesa de apoio médico já chegou a Portugal. Uma médica de urgência especializada em anestesia e reanimação e uma enfermeira graduada e professora no Lycée Technique pour Professions de Santé (LTPS) que já estão a trabalhar na unidade de cuidados intensivos do Hospital de Évora. Uma ajuda saudada pela diretora do Hospital e pelo Governo português. O "reforço valioso" do Luxemburgo será dirigido às duas unidades de cuidados intensivos covid-19 – a segunda foi uma extensão da primeira para fazer face ao agravamento da pandemia pode ler-se na notícia da Ana Tomás que publicamos nesta edição.

No próximo sábado chegam mais reforços. Em tempos difíceis é bom ver a solidariedade europeia a funcionar.

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