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Meteolux. "São as maiores inundações de que há memória nesta altura do ano"
Luxemburgo 2 min. 16.07.2021
Chuvas torrenciais

Meteolux. "São as maiores inundações de que há memória nesta altura do ano"

Chuvas torrenciais

Meteolux. "São as maiores inundações de que há memória nesta altura do ano"

Viktor Wittal
Luxemburgo 2 min. 16.07.2021
Chuvas torrenciais

Meteolux. "São as maiores inundações de que há memória nesta altura do ano"

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Ainda que o Meteolux tenha emitido alertas laranjas e vermelhos devido ao risco de inundações, não esperavam que a precipitação atingisse os níveis a que chegaram.

As chuvas torrenciais que se abateram sobre a Europa central continuam a marcar esta sexta-feira, 16, com o número de mortos a aumentar a cada momento - está, neste momento, em 103 - e ainda há desaparecidos. A extensão total dos danos deverá demorar ainda alguns dias a apurar. 

Em pleno verão, ninguém esperava um cenário como este, com o Luxemburgo a decretar "catástrofe natural". Mesmo para o Instituto Nacional de Meteorologia, Meteolux, que emitiu vários alertas laranja e vermelho, devido ao mau tempo, a severidade da intempérie não foi calculada. "Em geral, não fomos apanhados de surpresa, mas os modelos meteorológicos subestimaram de fato as quantidades máximas de precipitação sobre o Luxemburgo", adianta Luca Mathias, meteorologista do MeteoLux. 


Cheias são o resultado de "uma falha monumental do sistema"
As alterações climáticas aumentam agora o risco de as chuvas sazonais se tornarem catastróficas. Numa Europa mais quente, os cientistas esperam que as chuvas fortes se tornem ainda mais intensas e que as cheias se tornem mais frequentes.

Mathias traça o caminho dos alertas à medida que a tempestade se ia intensificando. "Havia muita incerteza nas previsões, especialmente para a região do Luxemburgo, até quarta-feira de manhã. Emitimos um aviso laranja (segundo nível de aviso mais elevado), às 07h00 de quarta-feira, para precipitação intensa. A Administração da Gestão da Água emitiu um aviso vermelho (nível de aviso mais alto) para inundações às 17h00". Houve também vários avisos amarelos emitidos pelo MeteoLux e pela AGE antes da publicação dos avisos laranja e vermelho, para aumentar a sensibilização para o potencial de condições meteorológicas severas. 

Ainda assim, o cenário revelou-se mais catastrófico do que o previsto. O meteorologista vai mais longe e arrisca a dizer que "é muito provável que estas sejam as maiores inundações desta época do ano de que há memória. Sobretudo no que diz respeito à grande extensão dos danos". Quatro países (Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e Países Baixos) lutam agora para contabilizar as perdas significativas. 


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Segundo o Meteolux, as chuvas de 14 e 15 de julho excederam os níveis registados em 2016, durante as últimas grandes inundações. Assim, a precipitação máxima em 12 horas e 24 horas, respetivamente, atingiu acumulações de 74,2 l/m² e 79,4 l/m², contra 60,4 l/m² e 70,6 l/m² em 2016. 

Para os próximos dias, "não é esperada precipitação significativa no Luxemburgo para os próximos sete dias". Ainda assim, o instituto decidiu prolongar o alerta vermelho no Luxemburgo, pelo menos, até amanhã de manhã, devido ao nível das águas. 


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