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Cem anos para atingir a igualdade é demasiado!
Editorial Luxemburgo 2 min. 03.03.2021

Cem anos para atingir a igualdade é demasiado!

Cem anos para atingir a igualdade é demasiado!

Foto: Shutterstock
Editorial Luxemburgo 2 min. 03.03.2021

Cem anos para atingir a igualdade é demasiado!

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Quando a legislação não protege as vítimas só há uma coisa a fazer: mudar a lei! É o que se passa no Luxemburgo em que grande parte dos carrascos responsáveis por tráfico humano, escravatura e violência doméstica ficam impunes.

Mulheres obrigadas a prostituir-se, vítimas de escravatura e de violência doméstica que, muitas vezes acabam por calar-se por medo de represálias dos seus carrascos. Conseguimos levantar a ponta do véu e descobrir histórias arrepiantes passadas no mais rico país da Europa contadas na primeira pessoa ao repórter do Contacto, Ricardo J. Rodrigues. Uma reportagem para ler na edição desta semana, publicada dias antes da comemoração do Dia da Mulher. E quantas mais destas histórias haveria por contar que, muitas vezes, infelizmente, acabam em tragédias. O sistema luxemburguês está longe de estar preparado para proteger as vítimas destes casos de exploração. 

A reportagem revela que em 50 casos acompanhados "nenhum agressor foi condenado sequer a um dia de prisão", diz a assistente social da organização Mulheres em Perigo. Um relatório da ONU divulgado em junho do ano passado pediu às autoridades luxemburguesas uma mudança urgente na lei. Mas ainda nada aconteceu.


As mulheres que o paraíso maltrata
São vítimas de violência doméstica, trabalhos forçados, exploração sexual. Denunciaram os abusos que sofreram às autoridades, mas sentiram que o sistema luxemburguês as abandonou. Estas são histórias que não deveríamos ter de contar.

No mundo, cerca de 31% das mulheres dizem ter sido vítimas de violência física ou sexual, segundo os últimos indicadores divulgados pelo Fórum Económico Mundial. Mas há outros tipos de violência simbólica que continuam a afetar as mulheres. A violência do "teto de vidro" que impede que progridam na carreira.

 No Luxemburgo apenas 6% dos lugares nos conselhos de administração são ocupados por elas. "É preciso ter mais mulheres em cargos de gestão" apela a ministra da Igualdade entre mulheres e homens, Taina Bofferding, em entrevista ao Contacto.

Apesar de serem mais qualificadas (há 44% de diplomadas, enquanto só 35% dos homens concluíram o ensino superior), continuam a ganhar menos no final do mês. Os últimos indicadores revelam que as mulheres recebem, em média, menos 7,2% quando comparamos os salários médios anuais, com prémios e bónus, a tempo inteiro no Grão-Ducado. 

Mas a percentagem de mulheres em trabalho a tempo parcial (36%) é muito maior o que faz disparar ainda mais a desigualdade salarial. O que leva a uma consequência ainda mais grave: o fosso nos valores das pensões de reforma em que elas ganham: menos 44% que eles.

Depois levamos com umas chapadas de realidade quando os indicadores são divulgados. Como quando o insuspeito Fórum Económico Mundial revela que só dentro de cem anos haverá igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Depois de analisar a evolução dos indicadores de igualdade de 153 países conclui-se que, a manter-se este ritmo de evolução, lá para 2120 teremos então a desejada paridade.

O tempo está a demorar demasiado a escrever o livro da igualdade de género!

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