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Cavaco acusado de fazer campanha pela direita
Luxemburgo 3 min. 22.11.2015 Do nosso arquivo online
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Cavaco acusado de fazer campanha pela direita

José Sócrates
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José Sócrates
Foto: Lusa
Luxemburgo 3 min. 22.11.2015 Do nosso arquivo online
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Cavaco acusado de fazer campanha pela direita

O ex-primeiro-ministro José Sócrates acusou esta domingo Cavaco Silva de estar a actuar com base no ressentimento e considerou que a demora na resolução do impasse político tem como intenção construir as bases da campanha eleitoral da direita.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates acusou esta domingo Cavaco Silva de estar a actuar com base no ressentimento e considerou que a demora na resolução do impasse político tem como intenção construir as bases da campanha eleitoral da direita.

"No fundo, o que o senhor Presidente da República quer fazer e está a fazer é sublinhar a anormalidade desta solução política, mostrar que ela é muito anormal, que ela é muito estranha, para com isso construir as bases da campanha eleitoral que a direita vai fazer, ou melhor, as bases da campanha eleitoral que a direita um dia fará contra o futuro Governo que ainda não o é", afirmou José Sócrates, numa intervenção num almoço organizado em sua homenagem pelo movimento Cívico "José Sócrates Sempre", em Lisboa.

Falando pela primeira vez sobre a actualidade política, o antigo primeiro-ministro deixou duras críticas ao chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, acusando-o de estar a actuar com base no ressentimento e sublinhando nunca ter visto "um Presidente terminar tão só".

"A intenção do senhor Presidente da República com esta demora, com estas audições, não é outra que não seja tentar desacreditar e enfraquecer a solução política de Governo que é a única solução política de que o país dispõe", acrescentou.

Numa intervenção centrada na sua situação judicial, José Sócrates reservou os últimos dez minutos para a política, metade dos quais dedicados "à demora" do Presidente da República na resolução do impasse político aberto com a aprovação de uma moção de rejeição ao programa do Governo de coligação PSD/CDS-PP, que implicou a demissão do executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

Lembrando que, apesar de existir uma solução de Governo, mês e meio depois das eleições o Presidente da República ainda está a "pensar", o antigo primeiro-ministro declarou que verdadeiramente Cavaco Silva "não precisa de ser aconselhado e não está a pensar em nada", porque, se quisesse seriamente ser aconselhado, convocava o Conselho de Estado.

"Mas, o senhor Presidente da República prefere convocar a Associação das Empresas Familiares, cujo presidente tem muito mais ar de agitador político do que propriamente de um representante corporativo que representa interesses legítimos", gracejou, argumentando que, no fundo, Cavaco Silva apenas chama as pessoas a Belém para "que (…) falem nas televisões dizendo aquilo que ele quer que (…) digam".

Insistindo que Cavaco Silva pretende mostrar aos portugueses que não gosta da solução apresentada pelo PS, o antigo primeiro-ministro voltou a ironizar recuando a 2011, quando saiu do Governo: "afinal de contas, deu-lhe tanto trabalho pôr lá a direita em 2011 que agora lhe custa o trabalho de tirar de lá a direita e pôr de novo a esquerda em 2015".

"Verdadeiramente, as soluções políticas ou o comportamento com base no ressentimento, é um comportamento destinado sempre ao falhanço", vincou, recordando o que ouviu "muito injustamente" a direita dizer em 2011, quando se referiu aos anos em que chefiou o Governo como uma "década perdida".

"Talvez seja altura de dizer a essa direita que verdadeiramente o que nós tivemos foi uma década perdida para a Presidência da República (...). Essa foi a instituição que mais faltou ao país, a instituição [de] que o país precisa e que faltou, que faltou nos momentos críticos, nos momentos chave e está a faltar, porque um Presidente quando se comporta com base no ressentimento, isso leva sempre ao seu isolamento", vincou.

José Sócrates, que se tornou no único chefe de Governo português a ser detido preventivamente em Portugal, foi indiciado por crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, num caso que envolve o empresário e seu amigo Carlos Santos Silva, o antigo ministro socialista Armando Vara, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, e o empresário Helder Bataglia, ligado ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, entre outros.


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