Caso SREL: CSV quer demissão de Xavier Bettel
Caso SREL: CSV quer demissão de Xavier Bettel
O maior partido da oposição, CSV, pede a demissão do primeiro-ministro caso se venha a provar que Xavier Bettel tenha estado envolvido no "afastamento" de Jean-Claude Juncker, após um "encontro privado" em 2012 com o antigo membro dos serviços secretos luxemburgueses (SREL), André Kemmer.
O caso remonta a 2012, após escutas feitas a Juncker pelo antigo chefe do SREL, Marco Mille. Depois de Jean-Claude Juncker ter negado a responsabilidade sobre várias irregularidades ocorridas entre 2004 e 2009 no seio do SREL (entre elas escutas ilegais a cidadãos e políticos), os partidos da oposição e o parceiro da coligação governamental (os socialistas do LSAP) exigiram eleições antecipadas, levando à queda do Governo de Juncker em 2013.
De acordo com os cristãos-sociais do CSV, esta recente revelação "é apenas o primeiro passo" para exigir total transparência ao primeiro-ministro.
"É inadmissível receber testemunhas [do processo] em sua casa e não informar a comissão de investigação. O actual primeiro-ministro demitiu-se desta comissão três meses depois deste encontro. Se, além disso, se vier a verificar que Xavier Bettel disse que era preciso livrar-se de Jean-Claude Juncker, parece-me óbvio que a comissão do caso SREL foi manipulada para provocar eleições antecipadas", disse o líder da bancada parlamentar do CSV, Claude Wiseler esta terça-feira.
"Se as acusações contra Xavier Bettel tiverem fundamento, então vamos exigir a renúncia do primeiro-ministro", advertem os cristãos-sociais.
Não fiz nada de ilegal", defende-se Bettel
Em entrevista o jornal Luxemburger Wort, o primeiro-ministro defende-se dizendo que não fez "nada de ilegal", mas reconhece ter cometido um erro: não informou a comissão parlamentar sobre este "encontro privado" com Kemmer.
Xavier Bettel estava presente durante o interrogatório da comissão parlamentar ao ex-agente da secreta luxemburguesa em Fevereiro de 2013, mas não revelou nada sobre o "encontro privado" do dia 17 de Dezembro de 2012, em sua casa.
Na entrevista ao Wort, o primeiro-ministro insiste que não fez "nada de ilegal", mesmo enquanto, na altura, vice-presidente da comissão de inquérito sobre o SREL e deputado da oposição.
"Pode-se pensar que eu deveria ter renunciado mais cedo à comissão. Mas eu não me apercebi imediatamente das coisas. Mais tarde assumi as minhas responsabilidades ao demitir-me e não creio que tenha feito nada de ilegal", disse Bettel.
Sobre a ameaça do CSV em pedir a demissão do primeiro-ministro caso se venha a comprovar a "instrumentalização" do caso SREL, Xavier Bettel disse que "este não é um caso 'Bettel-Kemmer', mas um caso do SREL. O CSV devia lembrar-se de onde veio todo o problema na altura. Pergunto-me se o que este partido faz actualmente é realmente um bom método de fazer política", retorquiu Xaveir Bettel.
Recorde-se que Xavier Bettel foi ouvido no dia 9 de Outubro do ano passado pelo juiz de instrução Ernest Nilles como testemunha no caso SREL.
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