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Caso Bettel - Kemmer: Deputado do ADR Gast Gibéryen quer cabeça de Xavier Bettel
Gast Gibéryen é conhecido pela sua franqueza no falar

Caso Bettel - Kemmer: Deputado do ADR Gast Gibéryen quer cabeça de Xavier Bettel

Foto: Gerry Huberty
Gast Gibéryen é conhecido pela sua franqueza no falar
Luxemburgo 2 min. 15.04.2016

Caso Bettel - Kemmer: Deputado do ADR Gast Gibéryen quer cabeça de Xavier Bettel

"Um primeiro-ministro que não diz a verdade não pode mais manter-se no cargo. No estrangeiro, um membro do governo deveria demitir-se por menos do que isso, mas esta coligação vai ficar no poder a todo o custo, apesar das críticas que se multiplicam contra ela", protesta o deputado Gast Gibéryen, do partido conservador ADR.

"Um primeiro-ministro que não diz a verdade não pode mais manter-se no cargo. No estrangeiro, um membro do governo deveria demitir-se por menos do que isso, mas esta coligação vai ficar no poder a todo o custo, apesar das críticas que se multiplicam contra ela", disse esta quinta-feira o líder da bancada parlamentar do partido conservador ADR, Gast Gibéryen.

A posição do ADR surge três dias depois de o maior partido da oposição, CSV, ter pedido a demissão do primeiro-ministro caso se venha a provar que Xavier Bettel tenha estado envolvido no "afastamento" de Jean-Claude Juncker, após um "encontro privado" em 2012 com o antigo membro dos serviços secretos luxemburgueses (SREL), André Kemmer.

O líder do ADR exige consequências políticas da parte do primeiro-ministro no debate público marcado para a próxima terça-feira na Câmara dos Deputados. "O seu comportamento, neste caso, é indesculpável. Nós não vamos tolerar qualquer mentira ou ocultação", critica.

"Como jurista, é suposto que Xavier Bettel conheça os procedimentos e jamais deveria esconder dos membros da comissão o facto de se ter encontrado com André Kemmer".

Há muitas questões por esclarecer, diz CSV

Os cristãos-sociais do CSV pediram um debate público, aceite pelos outros partidos, para terça-feira. Xavier Bettel deverá responder às questões dos deputados, que querem ver esclarecidos os detalhes do "encontro privado".

Claude Wiseler quer esclarecimentos por parte de Xavier Bettel
Claude Wiseler quer esclarecimentos por parte de Xavier Bettel
Foto: Pierre Matgé

"Porque é que Xavier Bettel esteve com André Kemmer, porque é que não informou à comissão de inquérito e porque é que ele teve a impressão de ter sido manipulado por André Kemmer? Por outro lado, na sua primeira reacção, o primeiro-ministro entrou em contradição por diversas vezes. Há clarificações que se impõem", desafia o líder da bancada parlamentar do CSV, Claude Wiseler.

"Se as respostas não nos satisfizerem, está claro que iremos usar todas as possibilidades que temos à nossa disposição", acrescenta Wiseler.

Entre essas possibilidades, o CSV poderá apresentar uma moção de censura alegando "falta grave" de Xavier Bettel, apresentar voto contra numa possível moção de confiança do Governo ou ainda propor a criação de uma comissão de inquérito sobre este "caso Bettel - Kemmer".

De acordo com o antigo presidente da comissão de investigação do SREL, Alex Bodry (dos socialistas do LSAP), é importante que Xavier Bettel responda às acusações que lhe são dirigidas. "Normalmente, esta história deverá terminar depois do debate, a não ser, claro, que novos elementos manchem a reputação do primeiro-ministro. Mas não creio que isso venha a acontecer".

Xavier Bettel assume o erro de não ter informado a comissão de inquérito sobre o encontro secreto com André Kemmer, mas terá de esclarecer outras questões
Xavier Bettel assume o erro de não ter informado a comissão de inquérito sobre o encontro secreto com André Kemmer, mas terá de esclarecer outras questões
Foto: Chris Karaba

O primeiro-ministro está no centro desta nova polémica depois de ter tido uma reunião secreta em 2012 com o antigo agente dos serviços secretos luxemburgueses André Kemmer. Este agente participou na escuta ilegal ao primeiro-ministro da altura, Jean-Claude Juncker. Xavier Bettel era na altura deputado e vice-presidente desta comissão parlamentar de inquérito sobre o SREL e não informou a comissão sobre este encontro com Kemmer.

Depois de Jean-Claude Juncker ter negado a responsabilidade sobre várias irregularidades ocorridas entre 2004 e 2009 no seio do SREL (entre elas escutas ilegais a cidadãos e políticos), os partidos da oposição e o parceiro da coligação governamental (os socialistas do LSAP) exigiram eleições antecipadas, levando à queda do Governo de Juncker em 2013.

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