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Caso Ana Lopes. Família mais aliviada, mas prisão perpétua "não vai trazer filha de volta"
Luxemburgo 3 min. 12.01.2021

Caso Ana Lopes. Família mais aliviada, mas prisão perpétua "não vai trazer filha de volta"

Caso Ana Lopes. Família mais aliviada, mas prisão perpétua "não vai trazer filha de volta"

Foto: Alain Piron
Luxemburgo 3 min. 12.01.2021

Caso Ana Lopes. Família mais aliviada, mas prisão perpétua "não vai trazer filha de volta"

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
O português Marco Silva, acusado do assassínio da ex-namorada, também portuguesa em 2017, foi condenado esta terça-feira a prisão perpétua pelo Tribunal da Comarca da Cidade do Luxemburgo.

(Notícia atualizada às 15:09.)  

"O processo foi longo, muito difícil para a família da Ana, eles precisavam de ter respostas. Respostas que não foram dadas pelo Marco", como admitir a culpa, conta Marisa Roberto, advogada da família de Ana Lopes, ao Contacto. A pena máxima foi pedida pelo Ministério Público em novembro passado, quando o caso foi retomado após uma pausa devido à pandemia.

"Mas a sentença foi a esperada e eles estão mais aliviados, apesar de não trazer a filha de volta", denota Marisa Roberto. Na leitura do veredito esta manhã, na Cité Judiciaire, na capital, esteve presente apenas o pai da portuguesa encontrada morta em 2017 que revelou sentir-se "aliviado", confirmou a representante legal.

Além da prisão perpétua, o ex-namorado de Ana Lopes foi condenado a pagar várias multas por danos morais: 100.000 euros aos pais da jovem, 25.000 euros à irmã e 100.000 euros ao filho que tinha com Ana Lopes, com 22 meses na altura do assassínio. 

Foto: Contacto

Na sessão, o agora condenado pela morte da jovem de reiterou a inocência e deverá recorrer da sentença, confirmou o advogado de Marco Silva ao Contacto, Gennaro Pietropaolo. À altura da conversa telefónica, a defesa do português aguardava uma cópia da sentença para poder avançar com o recurso da decisão, que será oficial nos próximos dias.

Desde o início do caso, em 2017, que o português continua a declarar-se inocente e tornou a fazê-lo esta terça de manhã perante o juiz, onde "ouviu atentamente a sentença". "Nesta perspetiva existe um sentimento de injustiça por estar preso", avalia o advogado de Marco Silva. 

"Ele é o suspeito perfeito, é ex-namorado, eles tinham um filho mas acho que não é suficiente, há elementos que não estão claros, incluindo certas provas forenses". Elementos que a defesa quer confrontar agora para poder avançar formalmente com o recurso da decisão.

Num artigo publicado no Contacto em novembro de 2020 pode ler-se que embora não se consiga demonstrar que Marco Silva, que fará 33 anos em fevereiro, esteve no local do crime e àquela hora, há um rolo de fita adesiva a incriminar um elemento masculino da sua família. As perícias encontraram vestígios de ADN no adesivo encontrado junto ao carro da vítima.

"Matou três vezes"

A prisão perpétua tinha sido, aliás, pedida em novembro de 2020 pelo Ministério Público que considerava que o crime "foi deliberadamente planeado" pelo português natural de Viseu e que tinha morto a companheira por "três vezes": a primeira quando lhe tirou efetivamente a vida; a segunda quando deitou fogo ao carro que abandonou na fronteira francesa; e a terceira quando tentou denegrir a imagem de Ana Catarina. "Ele simplesmente não quer deixar-lhe nada", concluiu o magistrado citado num artigo do Contacto no ano passado.

Ana Lopes, na altura com 25 anos, foi dada como desaparecida a 15 de janeiro de 2017, em Bonnevoie, na cidade do Luxemburgo. Dois dias após o alerta de desaparecimento, o carro da portuguesa foi localizado em território francês, em Roussy-le-Village, perto da fronteira com o Grão-Ducado.

O veículo estava completamente devorado pelas chamas. No interior, as autoridades encontraram um corpo carbonizado que mais tarde a autópsia confirmou ser o de Ana Lopes. Sem apresentar um fio condutor para os relatos que diz provarem a sua inocência, Marco Silva contou ao longo do processo várias versões do crime às autoridades e ao tribunal, que no entanto não demoveram o juiz de aplicar a pena máxima.

O culpado vai, assim, continuar preso em Schrassig - onde se encontra esde 2017 -, apesar dos vários pedidos de liberdade condicional feitos pela defesa, e todos recusados. 

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