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Casal russo ajudou a trazer 19 refugiados ucranianos para o Luxemburgo
Luxemburgo 5 15 min. 09.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Casal russo ajudou a trazer 19 refugiados ucranianos para o Luxemburgo

Juliet Ostretsova e Ilia Ostretsov são russos e ajudaram a trazer 19 refugiados ucranianos para o Grão-Ducado.
Guerra na Ucrânia

Casal russo ajudou a trazer 19 refugiados ucranianos para o Luxemburgo

Juliet Ostretsova e Ilia Ostretsov são russos e ajudaram a trazer 19 refugiados ucranianos para o Grão-Ducado.
Foto: Tiago Rodrigues
Luxemburgo 5 15 min. 09.03.2022 Do nosso arquivo online
Guerra na Ucrânia

Casal russo ajudou a trazer 19 refugiados ucranianos para o Luxemburgo

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
Um casal russo que vive no Luxemburgo decidiu ajudar os ucranianos que estão a fugir da guerra. Ilia e Juliet organizaram uma viagem até à fronteira polaca e trouxeram 19 refugiados para o Grão-Ducado. Apelam aos russos para expressarem a sua opinião e agora vão ajudar aqueles que querem escapar do regime de Putin.

Nos primeiros dias após a invasão russa à Ucrânia, Ilia não conseguia parar de pensar nas notícias. Não conseguia concentrar-se em mais nada, nem no trabalho. Perguntava-se como é que o presidente do seu país tinha sido capaz de cometar tal atrocidade contra os irmãos. No domingo, 27 de fevereiro, enquanto conduzia, o russo decidiu que queria ajudar as pessoas ucranianas. Ligou à mulher e disse-lhe que precisava de ir à fronteira para trazer refugiados para o Luxemburgo.

Ilia Ostretsov, 37 anos, e Juliet Ostretsova, 36, são de Moscovo, mas vivem no Grão-Ducado há seis anos. Ele é engenheiro de formação, mas trabalha em digitalização de processos empresariais numa empresa japonesa. Ela é atriz e encenadora e tem uma escola de artes para crianças e outra de teatro para adultos. Têm duas filhas, uma de 13 anos e outra de nove. A família vive em Junglinster. Lá em casa, as notícias do ataque à Ucrânia foram “um choque”.  “Para nós é como uma guerra civil. São russos a matar os irmãos. Agora não querem mais ser nossos irmãos, porque os irmãos não se magoam. É muito doloroso…”, desabafou Ilia.

Para nós é como uma guerra civil. São russos a matar os irmãos."

Para o casal, a ação de Putin não foi uma surpresa, mas não acreditavam que ele pudesse ir tão longe. “Somos casados há 15 anos e durante toda a nossa vida, no nosso país, estivemos do lado da oposição. Compreendíamos tudo o que estava a acontecer na Rússia durante estes anos e éramos contra o nosso governo. Agora vemos na prática o que vínhamos a falar. Não nos surpreendeu. Já esperávamos que algo pudesse acontecer, mas claro que não pensávamos que podia ser tão brutal”, explicou Juliet.

Os russos lembram que a situação na Ucrânia já dura há oito anos e admitem que “era uma questão de tempo até que a guerra continuasse”, embora ninguém acreditasse que uma invasão poderia acontecer. “Nós também não queríamos acreditar, mas aconteceu. Não é uma guerra contra as pessoas ucranianas. É um jogo geopolítico que Putin está a jogar e a Ucrânia é apenas um tabuleiro de jogo. As pessoas russas são apenas peças de xadrez que ele está a mover sem pensar na vida delas. Ele pensa apenas nas suas ambições e ideias loucas”, criticou o engenheiro.

Não é uma guerra contra as pessoas ucranianas. É um jogo geopolítico que Putin está a jogar e a Ucrânia é apenas um tabuleiro de jogo".

Ilia e Juliet têm muito amigos ucranianos, tanto no Luxemburgo como na Ucrânia. “Já estive lá muitas vezes em trabalho. Quando ouvimos os nomes das cidades que estão a ser bombardeadas e destruídas, pensamos que conhecemos pessoas lá”, disse ele. Para este casal, é difícil conter as emoções quando falam sobre o assunto. “Sou uma pessoa muito emotiva. Eu e as minhas amigas estávamos a chorar a toda a hora. Acordava a meio da noite a chorar. Foi um choque, porque tenho amigos em Kiev…”, contou ela, respirando fundo para segurar as lágrimas.

Uma tia de Juliet vive em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, situada não muito longe da fronteira com a Rússia. É uma das principais zonas de guerra. “Tenho estado em contacto com a minha tia. Ela fugiu porque a casa dela já não existe. A cidade já não existe. Estou tão exausta, é uma grande dor para mim. E para nós, russos, é uma dor a dobrar porque pensamos na Ucrânia e no nosso país… É muito difícil”, desabafou a atriz.

Cinco carros, cinco condutores, vinte lugares vagos

O casal admite que os últimos dias têm sido “desconfortáveis” e decidiram falar com amigos para fazerem alguma coisa, “por mais pequena e insignificante que fosse”, para ajudarem os ucranianos que estão a fugir da guerra. “Foi muito repentino. Foi uma decisão muito emocional”, recordou Juliet.

 “A minha melhor amiga aqui no Luxemburgo é ucraniana e estou sempre em contacto com ela. Estávamos juntas quando vimos as notícias do que estava a acontecer. Eu só conseguia pensar que tínhamos de ajudar aquelas pessoas”. A artista decidiu fazer uma lista de bens essenciais para levar para a fronteira na Polónia e publicou-a no Facebook, para quem quisesse ajudar na missão. “Muitas pessoas contactaram-me, mesmo russos”, revelou.

No entanto, muitos compatriotas ainda “têm algum receio de ajudar abertamente”, lamenta Juliet, reconhecendo que “também há muitas pessoas que apoiam Putin”. “Muitos russos usam o argumento de que não apoiam a guerra, mas justificam de alguma forma o que está a acontecer. Mas não há qualquer justificação”, apontou o marido. Ilia começou então a organizar a viagem para a Polónia. Depois de feita a lista, o casal recolheu os bens. A ideia era levar o máximo de caixas para deixar na fronteira e depois trazer refugiados para o Grão-Ducado.

Muitos russos usam o argumento de que não apoiam a guerra, mas justificam de alguma forma o que está a acontecer. Mas não há qualquer justificação".

Criaram um grupo no WhatsApp com dois amigos ucranianos, mas rapidamente chegaram aos 20 participantes. “Tentámos manter o grupo pequeno, porque havia muita gente a juntar-se e estava a ficar fora de controlo. Era apenas um grupo para a nossa viagem de cinco carros”, afirmou o engenheiro, que passou a redirecionar os pedidos de pessoas que queriam ajudar para associações como a LUkraine.

A lista de bens incluía comida enlatada, medicamentos, produtos de higiene para crianças e mulheres, comida para bebés e alguns cobertores e almofadas, “porque há pessoas que passam dias sem ter onde se deitar”, refletiu Juliet. “Tínhamos duas ideias em mente: que há pessoas na fronteira que precisam de coisas básicas e também que há pessoas em abrigos na Ucrânia que não têm comida ou estão a ficar sem bens”, acrescentou o marido.

Ilia e mais quatro homens – dois russos, um ucraniano e um polaco – começaram a viagem na quinta-feira de manhã. Fizeram 2880 quilómetros com cinco carros cheios de bens essenciais. “Tudo o que levámos foi transferido para Lviv, perto da fronteira. Lá há a distribuição de bens pelas autoridades ucranianas”. E, no regresso, vinte lugares para transportar refugiados. “Quando estávamos a conduzir para lá começámos a perguntar-nos quem é que iríamos trazer. O Luxemburgo não é um país barato e ainda não há nada realmente preparado pelo Governo para integrar os refugiados. Decidimos que não era uma boa ideia trazer pessoas aleatoriamente”, refletiu o russo.

No total trouxemos 19 pessoas, mulheres e crianças, e um cão”.

O casal anunciou no Facebook que iam viajar até à Polónia e que podiam trazer amigos e familiares de ucranianos que vivem no Luxemburgo. Ilia chegou à fronteira na sexta-feira ao fim do dia. “Conseguimos entrar em contacto com 11 pessoas que já estavam na fronteira ou a chegar. Enchemos três carros, mas os outros dois tiveram de ficar mais uma noite para apanhar mais oito pessoas”, recordou. Ilia e os companheiros da primeira caravana chegaram ao Luxemburgo no sábado à noite. “Deixamos as pessoas no parque do Auchan, onde se encontraram com os amigos e familiares. Os outros dois carros chegaram no domingo à noite. No total trouxemos 19 pessoas, mulheres e crianças, e um cão”.


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A nova vida das ucranianas acolhidas por família portuguesa no Luxemburgo
Três mulheres – avó, mãe e filha – que fugiram da guerra na Ucrânia chegaram ao Luxemburgo no dia 3 de março. Estão na casa da família luso-romena que as acolheu, em Rumelange.

O silêncio é cúmplice

Apesar de já estarem em segurança em casa de amigos e familiares, Ilia alerta que estas pessoas “vão ter dificuldades com a língua e em encontrar trabalho” no Luxemburgo e por isso “vão precisar de ajuda para encontrar emprego e para pôr as crianças em jardins de infância ou na escola”. O russo relembra ainda que é preciso ter alguma sensibilidade para lidar com os refugiados nesta fase. “Foi um grande stress para eles para conseguir passar a fronteira e encontrar-nos, especialmente para as pessoas mais velhas. Nós dissemos sempre para elas não se preocuparem, que não íamos embora sem elas”, garantiu.

Juliet conta que uma das mulheres até lhe queria oferecer dinheiro pela ajuda. “Estão tão agradecidas. Mas sentem-se perdidas. Estas mulheres estão num lugar seguro, mas talvez tenham um filho lá com uma arma nas mãos. O próximo passo é encontrar um bom psicólogo para elas, porque têm medo não só do que já aconteceu, mas também do que ainda pode vir a acontecer. O maior medo é sobre o que pode acontecer aos filhos”, disse a atriz, lembrando que o casal também juntou algum dinheiro que foi doado e que agora está a ser utilizado para ajudar estas pessoas. “Todos os dias compramos alguma coisa”.

A russa revelou que algumas pessoas lhe têm perguntado por que razão tem estado “a ajudar tão abertamente”. E responde: “Acho que é muito importante dizer a toda a gente que queres ajudar. Também o fazemos pelo nosso país. Sou russa, amo o meu país, de verdade. Muitos russos estão a tentar ajudar, eles entendem a realidade…  Não fiquem em silêncio. Porque o silêncio pode ser cúmplice”, apelou Juliet.

Muita gente me disse para não fazer isto, porque podia perder a nacionalidade ou o visto"

Emocionada, a artista quis deixar uma mensagem àqueles que querem ajudar: “Vivemos num grande mundo. Não há nacionalidades, a única nacionalidade é o ser humano. Não interessa quem és ou de onde és, se queres ajudar as pessoas… é impossível ficar indiferente a esta situação. Na última semana eu nem conseguia comer… Muita gente me disse para não fazer isto, porque podia perder a nacionalidade ou o visto”, afirmou.

Juliet acredita que agora há cada vez mais russos a voluntariar-se para ajudar os ucranianos. “Todos os dias vejo alguém a organizar estas viagens. Tenho a certeza de que a nossa iniciativa foi um exemplo para essas pessoas. Sinto-me muito orgulhosa disso”, assumiu. Depois de ter ajudado a trazer 19 refugiados para o Luxemburgo, o casal quer agora ajudar os russos que estão a tentar sair do seu país. “Há muitas pessoas que são contra o que está a acontecer, que não apoiam Putin. Não são refugiados, mas vai haver uma grande onda de emigração da Rússia”, garantiu Ilia.

O engenheiro discutiu com os amigos a ideia de criar alguns grupos de apoio para os russos que vêm para o Grão-Ducado ou outros países. “Temos vindo a discutir quem é que podemos ajudar, porque é difícil segmentar, então queremos tentar focar-nos em ajudar estudantes e professores de universidades que não concordam com o que está a acontecer, para os trazer para cá e arranjar-lhes oportunidades nas universidades no Luxemburgo ou em Metz ou noutros sítios que os pudessem aceitar”, explicou.

O casal considera que muitos russos “também têm muito medo” e sentem que “não podem confiar em ninguém”. “E vão continuar a ter medo para o resto da vida”, lamentou Juliet. Eles admitem que pode ser difícil ser-se russo nos dias de hoje, mas que “essa dificuldade não vem de fora”, mas sim dos seus “medos e lutas internas”. “Não me sinto vítima de bullying nem de raiva de outras pessoas por causa da minha nacionalidade, de todo. Nunca senti isso. Mas há muito ódio dentro da comunidade russa”, disse Ilia.

Para o russo, a mensagem a passar é que as pessoas precisam de falar sobre a situação na Rússia e expressar mais o seu apoio à Ucrânia. “O silêncio também pode levar ao bullying. As pessoas começam a questionar porque é que não falas ou expressas a tua opinião. Se ficas em silêncio, as pessoas começam a pensar que apoias o que está a acontecer e que se és russo não és boa pessoa. Então, se és contra, a melhor coisa a fazer é falar”, assegurou.

Se ficas em silêncio, as pessoas começam a pensar que apoias o que está a acontecer e que se és russo não és boa pessoa. Então, se és contra, a melhor coisa a fazer é falar”

O medo de voltar à Rússia

Ilia admite que possa ter sido um “pouco egoísta” por querer fazer alguma coisa, mas garante que isso ajudou na sua saúde mental. “O apoio que recebo dos meus colegas de trabalho tem sido incrível”. Juliet partilha desse sentimento. “Quero agradecer muito ao Luxemburgo, porque durante estes anos não sofri nenhum tipo de bullying ou discriminação. Só respeito e apoio”, disse ela. “Mesmo agora, há bons professores que estão a trabalhar com as minhas filhas na escola e perguntam-lhes o que acham sobre a guerra, como se sentem. Elas sentem-se seguras”.

Juliet contou uma situação que aconteceu no liceu com a filha mais velha, de 13 anos, quando um rapaz lhe perguntou: “Então, o que aconteceu?”; e ela respondeu: “O nosso presidente louco fez isto. Mas nós não o apoiamos. Ele é que é o monstro, não somos nós”. O casal não viu isto como um ato de bullying, mas apenas uma discussão sobre o assunto. “Ela é uma menina muito educada, acompanha as notícias e sabe o que está a acontecer e tem a mesma opinião que nós”, explicou a mãe.

Daqui para a frente, o casal quer continuar a ajudar os ucranianos e até se mostram disponíveis para acolher refugiados. “Preparei a nossa casa para receber refugiados, porque eu disse ao Ilia que quando ele fosse à fronteira e se encontrasse alguma família que precisasse de casa, podiam ficar connosco. Temos dois quartos livres para os receber”, afirmou Juliet, lembrando que também querem ajudar os “russos que estão presos no regime da Rússia”. “Todos os nossos familiares e amigos estão lá. Queremos ajudá-los e encontrar formas para poderem escapar. Queremos criar um grupo e angariar doações para poder ajudá-los a sair e a encontrar o seu lugar aqui”.

Algumas pessoas criticam Zelensky por ele não desistir. Mas é o país dele, como é que ele pode desistir? E mesmo que ele desista, as pessoas não vão desistir."

Quanto ao desfecho da guerra na Ucrânia, o casal não está muito otimista. “Sou uma pessoa muito positiva, penso sempre que tudo vai ficar bem, mas esta é a primeira vez que eu não vejo a luz ao fundo do túnel. Putin nunca vai parar. Quando ele começa alguma coisa, vai até ao fim”, lamentou a atriz. “Algumas pessoas criticam Zelensky por ele não desistir. Mas é o país dele, como é que ele pode desistir? E mesmo que ele desista, as pessoas não vão desistir. Os ucranianos são muito fortes e amam o seu país. Estão a defendê-lo e querem mantê-lo”.

Ilia considera que o plano de Putin era controlar Kiev rapidamente e mudar o governo em poucos dias, mas “esta é uma guerra para durar”. “Pode levar ao colapso de todo o país. Pode levar a muitas mortes em ambos os lados. Vai ser uma guerra longa e exaustiva. A Europa e todo o mundo também vão pagar o preço”, disse o russo, que não acredita que Putin possa invadir outros países. “Não acho que ele seja louco o suficiente para atacar algum país da NATO”.

Ele [Putin] já perdeu aquilo a que ele chama de ‘operação especial’, porque na Rússia é proibido dizer que isto é uma guerra, é considerado crime".

A mulher também não acredita que isso possa acontecer, afirmando que quem está a perder a guerra é Putin. “Claro que os países vizinhos estão com medo. Mas, honestamente, acho que ele perdeu esta batalha. Ele já perdeu aquilo a que ele chama de ‘operação especial’, porque na Rússia é proibido dizer que isto é uma guerra, é considerado crime”, argumentou Juliet.

Sobre a possibilidade de um dia voltarem à Rússia, o casal garantiu que não o farão enquanto Putin estiver no poder. Ou talvez nem possam, mesmo que queiram. “Ainda não somos oficialmente ‘inimigos do Estado’, mas há uma lei que diz que se doarmos dinheiro ao exército ucraniano são 15 anos de prisão por ‘traição’. Ajudar refugiados ucranianos na fronteira ainda não é ilegal, não é considerado um crime, mas isso muda todos os dias”, afirmou Ilia.

Juliet teme que se um dia voltarem ao seu país possam ser presos por causa destas iniciativas, porque “ajudaram os inimigos”. Além disso, existe alguma preocupação sobre como o país passará a ser visto por causa desta guerra. “Muitas pessoas na Rússia me dizem que os russos vão passar a ser muito mal vistos por todo o mundo. Mas a grande diferença entre a Europa e a Rússia é que aqui os governos pensam nas pessoas. Na Rússia não há qualquer respeito”, assumiu a artista.

O casal assume que o seu líder é Alexei Navalny, porque é “a cara da oposição”. Mas alertam que isso não significa que estejam contra o seu país. “Há várias nacionalidades, mas não existe razão para qualquer má atitude. Ainda somos russos, amamos a nossa história, o nosso país, a nossa cultura… Não negamos isso. Tenho muito orgulho em dizer que sou russo. Sempre tive e vou continuar a ter. Mas ser russo não significa apoiar o governo. Sou contra o Estado russo, mas não sou contra a Rússia”, concluiu Ilia.

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