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Carta anónima enviada ao Mudam denuncia más condições de trabalho e pressão sobre os trabalhadores

Carta anónima enviada ao Mudam denuncia más condições de trabalho e pressão sobre os trabalhadores

Foto: Guy Jallay
Luxemburgo 2 min. 18.01.2019

Carta anónima enviada ao Mudam denuncia más condições de trabalho e pressão sobre os trabalhadores

Sibila LIND
Sibila LIND
"A atmosfera é detestável, todas as pessoas estão com medo de perder o emprego e muitas estão a procurar outro lugar [para trabalhar]", lê-se na carta anónima enviada esta quarta-feira à direção do Museu de Arte Moderna Grão-Duque Jean (Mudam), que Suzanne Cotter lamenta ter chegado à imprensa.

A pergunta desta carta é muito simples: se o Mudam recebeu em 2018 mais 30 mil visitantes do que o ano anterior e continua a ser a referência dos museus do Luxemburgo, como é que as condições de trabalho não refletem essa realidade?

"A equipa está esgotada devido à carga de trabalho que está sempre a aumentar, sem haver qualquer reconhecimento do trabalho ou da sua qualidade, com uma pressão cada vez maior, o que é desmotivador para todos nós", lê-se na carta anónima, enviada esta quarta-feira à direção do museu, à qual a imprensa teve acesso. "Cinco demissões em 2018, pedidos de reformas antecipadas e agora a demissão de uma das figuras do Mudam. A direção não questiona o porquê destas saídas?"

Carta anónima de duas páginas enviada à direção do Mudam
Carta anónima de duas páginas enviada à direção do Mudam

O autor da carta denuncia os constantes "problemas financeiros" do museu, recordando a direção de que a equipa do Mudam é a "mais mal paga de todos os museus do Luxemburgo", acrescentando que até o Museu de Arte Contemporânea Casino oferece salários mais elevados. No que toca aos cortes e às contenções a nível económico, o autor afirma que estes são sempre redirecionados para a equipa, sem nunca ter em conta "o custo dos projetos adicionais", "o preço da formação dos responsáveis" e o preço "das viagens de avião, carro e táxi da direção e dos responsáveis". "A direção e os recursos humanos têm de compreender que a equipa está esgotada", alerta o autor. "Os salários são baixos, o trabalho é duro e a direção está a exigir cada vez mais. A atmosfera é detestável, todas as pessoas estão com medo de perder o emprego e muitos estão a procurar outro lugar [para trabalhar]".  

Em resposta a esta carta, Suzanne Cotter, diretora do Mudam desde janeiro de 2018, afirma através de um comunicado de imprensa que o museu está a passar por uma "fase importante de transição e mudança para torná-lo mais atraente a nível nacional e internacional". Suzanne Cotter lamenta que a carta tenha chegado à imprensa, mas afirma que a direção está consciente de "tais situações, que nem sempre são fáceis, nem para o pessoal nem para a direção do Mudam, que leva muito a sério as condições de trabalho da sua instituição". 

Antes de chegar ao Luxemburgo, a nova diretora do Mudam passou cinco anos no Porto, à frente do museu de Serralves.
Antes de chegar ao Luxemburgo, a nova diretora do Mudam passou cinco anos no Porto, à frente do museu de Serralves.
Fotos: Gerry Huberty / Contacto

No comunicado, a diretora relembra o aumento do número de visitantes do museu, em 2018, e conclui que as prioridades do Mudam são "continuar a pôr a tónica nas novas contratações e aumentar os esforços de comunicação interna para apoiar o atual período de mudança". 


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