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Carruagens só para mulheres para acabar com agressões sexuais?
Luxemburgo 3 min. 07.11.2019

Carruagens só para mulheres para acabar com agressões sexuais?

Carruagens só para mulheres para acabar com agressões sexuais?

Foto: Contacto
Luxemburgo 3 min. 07.11.2019

Carruagens só para mulheres para acabar com agressões sexuais?

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Casos de agressões na linha de comboio Luxemburgo – Metz levam as empresas ferroviárias a criar uma linha telefónica de emergência e a reforçar a videogilância.

Mazzei Elisa preparava-se para regressar a casa, ao anoitecer . Apanhou o comboio na Gare Central do Luxemburgo e pouco depois reparou que um homem não parava de a olhar fixamente. Mudou de carruagem mas foi seguida. Acabou por falar com o revisor do comboio que resolveu a situação. Esta estudante do último ano do liceu revelou ao Contacto que já viveu várias situações como esta nos comboios luxemburgueses, mas "em Paris é muito pior". O problema é quando não há ninguém a quem pedir ajuda. Nesses casos, muda de carruagem e espera que não a sigam. A estudante luxemburguesa está sentada no comboio que se prepara para partir rumo a Metz.

A linha que liga Luxemburgo a Metz foi notícia, recentemente, por causa dos casos de agressões sexuais denunciados por seis passageiras e duas funcionárias da empresa de Caminhos de Ferro Luxemburgueses (CFL).

Também Elizete Sousa recorda que "já aconteceu estar sentada no comboio, de regresso a casa, e um desconhecido começar a puxar conversa". Quando isso acontece, a brasileira levanta-se e vai para outro lugar. Pior é quando se cruza com jovens que "acabaram de sair da balada [de sair à noite] e, muitas vezes, incomodam as mulheres", relata ao Contacto esta empregada da limpeza que já vive no Luxemburgo, há dez anos. "Há muitos problemas com os homens nos transportes", revela outra passageira que prefere não se identificar.

Linha de emergência e câmaras de videovigilância

Os Caminhos de Ferro Luxemburgueses (CFL) estão preocupados com o assédio sexual nas estações e nas carruagens de comboio. O fenómeno não é novo e afeta principalmente as linhas de comboio mais frequentadas. A questão está em saber quantas mais mulheres terão sido assediadas e e não apresentaram queixa da sua experiência traumatizante. Do lado françês, para evitar a repetição deste tipo de situações a empresa de Caminhos de Ferro Francesa (SNCF, na sigla francesa) colocou em funcionamento uma linha de socorro, com o número 3177 para chamadas e 31177 para SMS, a fim de serem alertados os serviços que prestam segurança nos comboios.

No seu sítio de internet, a polícia francesa recomenda que em caso de agressão sexual a vítima tente recolher dados, provas e indícios para o agressor ser posteriormente identificado.

Em França, um agressor sexual pode ser condenado a cinco anos de cadeia, e a uma multa de 75.000 euros, sendo seguidamente inscrito num ficheiro de autores de agressões sexuais.

Carruagens só para mulheres?

Criar comboios com carruagens só para mulheres – sistema que existe na Índia , Japão e em alguns comboios na Alemanha. México, Brasil e Indonésia – será a solução? "Acho que é uma boa ideia" respondem a uma só voz Jeannot Sonia e Jeaumet Joelle. Estão sentadas na carruagem enquanto esperam a partida do comboio rumo a Metz. Todas as passageiras questionadas pelo Contacto consideram positivo o sistema de criar carruagens exclusivas para elas.

Na Índia as primeiras carruagens do Metro de Deli só podem ser utilizadas por mulheres. Uma medida de segurança para evitar o assédio sexual a que muitas eram sujeitas. "Os homens olhavam-nas fixamente, faziam gestos ou assediavam-nas", revela em declarações ao Contacto, Swasti Sacharya, uma estudante de sociologia indiana que vive em Nova Deli, a capital indiana. Para evitar estas situações, o metro de Nova Deli decidiu criar estas carruagens só para elas. As únicas excepções a esta proibição da entrada de homens nestas composições são os cegos e os deficientes. 

Também nas carruagens dos comboios indianos há uma percentagem dos lugares que só podem ser ocupados por mulheres.


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