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Camionistas portugueses declaram falência de empresa que se tinha evaporado
Luxemburgo 2 min. 09.10.2019

Camionistas portugueses declaram falência de empresa que se tinha evaporado

Camionistas portugueses declaram falência de empresa que se tinha evaporado

Foto: Ricardo J. Rodrigues
Luxemburgo 2 min. 09.10.2019

Camionistas portugueses declaram falência de empresa que se tinha evaporado

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
À entrada do quarto mês sem receber ordenado nem receber notícias dos patrões, os 12 camionistas da transportadora Da Costa Almeida concertaram com a Inspeção de Trabalho a falência da empresa. Só assim poderão ter direito a indemizações e subsídios de desemprego. Sindicato diz que comportamento dos proprietários foi "vergonhoso".

"Já não aguentávamos mais, finalmente vemos uma luz ao fundo do túnel", diz Joaquim Silva, o mais antigo dos 12 funcionários portugueses da transportadora Da Costa Almeida, baseada em Esch sur Alzette. Há um mês, o Contacto denunciou a situação destes homens: não recebiam ordenado há meses, a sede da empresa tinha sido ocupada por uma nova companhia, os proprietários não lhes ofereciam quaisquer respostas. Apresentavam-se todos os dias ao serviço mas não tinham o que fazer. Até hoje.

Meses após a denúncia da central sindical OGBL, a Inspeção do Trabalho e das Minas (ITM) visitou ontem o parque de estacionamento onde homens e camiões têm exercitado uma longa e enervante espera. Ali, tiveram a concordância unânime dos trabalhadores de que chegara o tempo de declarar a falência da transportadora de origem portuguesa. O que o tribunal deverá decretar nas próximas duas semanas.

"Já não aguentávamos mais, isto era uma questão de sobrevivência", diz Joaquim Silva, e depois começa a contar os pormenores do aperto. Há um colega que falhou as prestações do crédito e viu as contas congeladas. Há outro que estava a viver dos rendimentos da mulher mas também ficou com a conta congelada por falta de pagamento de prestações. Esta manhã, os 12 homens receberam uma carta da Caixa Nacional de Saúde informando que os descontos não eram feitos há meses, estavam desprotegidos em caso de doença.

Ainda hoje, todos os trabalhadores estão a falar com os Serviços Sociais das comunas onde residem para receberem apoio imediato. A ITM certificou o seu caso e a OGBL diz que vai verificar que todos eles recebem apoio de emergência e nos próximos dias deverão receber uma indemnização do Estado que pode chegar aos 12 mil euros, para acertarem as dívidas que contraíram no período em que não foram pagos.

Svein Graas, o dirigente da OGBL responsável pelo setor dos transportes, diz que "a lei deveria ser dura para castigar os proprietários da transportadora, porque o seu comportamento foi vergonhoso". Explica que o facto de terem abdicado da sede e de se recusarem a declarar eles próprios a falência da empresa atirou 12 homens para uma situação de urgência social, com famílias a verem esgotar o dinheiro para comprar comida. A Da Costa Almeida tem dois sócios. O fundador, que está reformado e vive em Portugal, e a sócia gerente, que está de baixa médica. 


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