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Calor extremo. Luxemburgo poderá ter escassez de água potável

Calor extremo. Luxemburgo poderá ter escassez de água potável

Foto: Shutterstock
Luxemburgo 2 min. 04.06.2019

Calor extremo. Luxemburgo poderá ter escassez de água potável

Marc AUXENFANTS
Marc AUXENFANTS
Segundo a ministra Carole Dieschbourg, as reservas subterrâneas poderão não ser suficientes num cenário de seca. Se o Luxemburgo chegar a uma situação extrema, será necessário limitar a utilização de água potável no país.

No ano passado, o Luxemburgo foi atingido por uma longa vaga de calor e ainda por um défice de precipitação significativo, o que poderá provocar nos próximos anos escassez de água potável no país. "O nível da água das reservas subterrâneas é 25% inferior à média registada nos últimos 40 anos", disse a ministra do Ambiente, Carole Dieschbourg, em resposta a uma pergunta parlamentar. "Apesar de a situação ter estabilizado no inverno passado, o nível das reservas não aumentou".


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Carole Dieschbourg recordou que o abastecimento de água potável do Luxemburgo, a médio e longo prazo, assenta em três pilares. O primeiro visa preservar todos os recursos existentes e potencialmente exploráveis através da criação de zonas de proteção em torno das reservas de água subterrâneas e do lago Haute-Sûre. O segundo pilar baseia-se num programa de poupança de água potável, cuja "implementação ainda está em desenvolvimento". Por fim, o terceiro pilar assenta no desenvolvimento de novos recursos para o abastecimento de água potável no país. O Ministério e a organização responsável pela gestão da água "estão a estudar a viabilidade de uma combinação de recursos hídricos subterrâneos adicionais e do tratamento da água do rio Mosela", tendo esta última prosseguido.

120.000 m3 de água por dia

"Em função da taxa de poupança de água potável que for possível realizar, do crescimento demográfico, do número e do tipo de grandes consumidores que se instalarão no Luxemburgo no futuro, os novos recursos deverão estar operacionais até 2035, nomeadamente para cobrir os picos de consumo", prevê Carole Dieschbourg. "Estão também em andamento estudos de viabilidade para a construção de uma nova e importante estação de tratamento de água no país", acrescentou a ministra. "No entanto, serão necessários cerca de 15 anos até que esteja a funcionar".

Para enfrentar a próxima seca, a consciencialização e a punição são as duas alternativas: em caso de escassez de água a nível local, uma primeira fase irá passar por recomendar a limitação do consumo de água potável numa base voluntária. Se se atingir o limite crítico de seca (alerta laranja/vermelho), a utilização de água potável acima do limite pode então ser proibida pela regulamentação municipal. O não cumprimento desta proibição pode resultar numa multa.

O Luxemburgo consome diariamente uma média de 120 mil m3 de água, dos quais dois terços provêm de reservas de água subterrâneas e um terço é abastecido pelo Lago Esch-sur-Sûre, segundo informa a organização de gestão da água no seu site.

Este artigo foi publicado originalmente em francês no Luxemburger Wort