Escolha as suas informações

Burgomestre português no Luxemburgo “teria sido sinal importante” em país de imigrantes
Luxemburgo 2 min. 22.10.2017 Do nosso arquivo online
Jornal luxemburguês defende

Burgomestre português no Luxemburgo “teria sido sinal importante” em país de imigrantes

Jornal luxemburguês defende

Burgomestre português no Luxemburgo “teria sido sinal importante” em país de imigrantes

Foto: Peggy Conrardy
Luxemburgo 2 min. 22.10.2017 Do nosso arquivo online
Jornal luxemburguês defende

Burgomestre português no Luxemburgo “teria sido sinal importante” em país de imigrantes

O jornal luxemburguês Luxemburger Wort considerou que "um burgomestre com raízes portuguesas teria sido um sinal importante para o país", denunciando "fossos e barreiras" na participação política dos estrangeiros.

O jornal luxemburguês Luxemburger Wort considerou que "um burgomestre com raízes portuguesas teria sido um sinal importante para o país", denunciando "fossos e barreiras" na participação política dos estrangeiros. 

O jornal destacou o caso do imigrante português que venceu as eleições municipais, a 8 de outubro, em Bettendorf mas renunciou ao cargo de burgomestre, invocando dificuldades com a língua luxemburguesa e o facto de só ter a quarta classe. 

Num editorial em alemão, traduzido esta semana pelo semanário português Contacto, o jornalista Marc Thill disse compreender a decisão do português, que considerou "sábia", mas lamentou a ocasião perdida de ver um imigrante com passaporte português chegar ao mais alto cargo municipal.

O jornalista denunciou "fossos e barreiras" à participação política dos imigrantes no Luxemburgo, que representam quase metade da população, recordando que "só um quinto dos estrangeiros" votou nestas eleições, realizadas em 8 de outubro.

O editorial apontou ainda "as feridas abertas" com a vitória do "não" no referendo sobre o direito de voto dos estrangeiros em eleições legislativas, em 2015, considerando que foi "uma mensagem incómoda para numerosos imigrantes, sem os quais o país não pode funcionar". 

Acusando o Luxemburgo de ter "um défice democrático", Marc Thill defendeu que este não se limita à política, apontando também barreiras no acesso dos imigrantes à educação. 

"Aqueles que não conseguem ter sucesso no sistema de ensino luxemburguês, e é esse o caso de muitas crianças de origem estrangeira, não têm depois qualquer oportunidade no mercado de trabalho", acusou, afirmando que muitos são condenados "a um emprego não qualificado". 

O editorial criticou ainda a escassa representatividade de trabalhadores não qualificados entre os candidatos às eleições municipais, considerando que se trata de um círculo vicioso e defendendo que esta situação "não pode continuar".

Com 47,7 por cento de estrangeiros, o Luxemburgo tem sido alvo de críticas por causa da baixa participação política dos não-nacionais.

Num relatório sobre o país divulgado em 21 de junho, a OCDE apontava que poucos imigrantes "votam ou são eleitos", representando "uma fatia crescente e muito significativa da população que não participa no debate político".

O país também foi alvo de críticas por causa das dificuldades dos imigrantes no acesso ao emprego e o insucesso dos seus filhos no ensino luxemburguês. 

Um relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI), divulgado em março deste ano, apontava que os imigrantes no Luxemburgo desempenham as funções menos bem pagas, ocupando 75% dos trabalhos pouco qualificados no país. 

Aquele órgão do Conselho da Europa também criticava o facto de "os filhos de imigrantes" serem "uma minoria no ensino secundário clássico (21,9%)", considerado "a via mais valorizante", apontando ainda que os mais afetados pelo abandono escolar são os portugueses, cabo-verdianos e italianos.


Notícias relacionadas

O homem que marcou um golo do Luxemburgo contra a seleção de Cristiano Ronaldo, em 2012, é candidato às legislativas pelo ADR. O partido nacionalista é conhecido pelas posições contra os direitos dos estrangeiros, mas o jogador de futebol defende que "não é racista". Nesta grande entrevista ao Contacto, este filho de imigrantes portugueses explica as razões que o levaram a filiar-se no ADR.
Daniel Da Mota. Photo: Guy Wolff
O caso de José Vaz do Rio
O caso de José Vaz do Rio, o português que não quis ser burgomestre, deu que falar nos jornais luxemburgueses. Num editorial publicado no diário Luxemburger Wort, o jornalista Marc Thill defende que "há fossos e barreiras" para os imigrantes no Luxemburgo e diz que o "défice democrático" não se limita à política. Para o jornalista luxemburguês, as barreiras começam na educação. O Contacto publica o editorial traduzido em português.
José Vaz do Rio recebe o Contacto na casa onde vive há 30 anos, em Gilsdorf, enquanto está ao telefone com a RTP. O imigrante português combina mais uma entrevista e marca a data no calendário. Por estes dias, só se fala do português que não quis ser burgomestre. Nesta conversa, em que entra também a mulher do imigrante português, Vaz do Rio explica as suas razões.
José Vaz do Rio poderia ter sido o primeiro burgomestre com passaporte português.