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Buracos negros
Editorial Luxemburgo 2 min. 05.11.2019

Buracos negros

Buracos negros

Florin Balaban
Editorial Luxemburgo 2 min. 05.11.2019

Buracos negros

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Os patrões do líder do governo não são os administradores da RTL, mas os eleitores e contribuintes do Grão-Ducado.

Quase 100 trabalhadores da RTL vão ser despedidos. A empresa recebe 10 milhões de euros anuais dos contribuintes do Luxemburgo. É dinheiro de pessoas que trabalham e pagam os seus impostos. Um dinheiro que é dado em troca do cumprimento de um caderno de encargos entre o Estado luxemburguês e este grande grupo de comunicação social. 

Perante o sucedido, o primeiro-ministro, Xavier Bettel, o que faz? Recusa-se a revelar aos deputados da nação o conteúdo desse documento. Faz das contas públicas uma espécie de acordo secreto. 

 Sejamos claros, os patrões do líder do governo não são os administradores da RTL, mas os eleitores e contribuintes do Grão-Ducado. 

 É imoral e intolerável que um grupo económico que apresentou mais de 440 milhões de euros de lucros, no primeiro semestre, queira despedir cerca de 100 trabalhadores do Luxemburgo. Mas é ainda mais inaceitável que o governo esconda os negócios que tem com este grupo, que tem o monopólio televisivo no Luxemburgo, e não faça tudo o que esteja ao seu alcance para o obrigar a manter os postos de trabalho numa empresa tão lucrativa. 

 Ao não ser revelada a matéria acordada entre RTL e governo, ao manter-se secreto este documento, todas as confusões e especulações são passíveis de ser pensadas: o compromisso da RTL em troca de dez milhões de euros anuais serve quem vive no Grão-Ducado ou apenas a empresa, e em troca de quê que existe esta situação? 

A administração da RTL abandonou as negociações do plano social destes 100 trabalhadores. E estes arriscam-se a ser despedidos sem as devidas compensações. Perante este cenário, o governo do Luxemburgo deve avançar com uma intervenção séria de mediação e obrigar a que haja um entendimento que compense devidamente quem deu anos de trabalho a essa empresa. Se não o fizer, vai parecer ainda mais que é refém de acordos secretos que não acautelam devidamente o interesse público. 

 Neste assunto, como em outros, não basta à mulher de César ser honesta tem de o parecer. Não é normal que uma governante com responsabilidades como a ministra da Família, Corinne Cahen, use o seu email do Governo para pressionar uma associação profissional a acautelar os interesses da sapataria da sua família. 

 A cidadã Corinne Cahen tem toda a razão em protestar pela forma atabalhoada e irresponsável com que estão a ser feitas as obras na capital do Luxemburgo. Os responsáveis por estes trabalhos não organizaram e planificaram devidamente os trabalhos, lançam o caos na cidade e vão provocar a a falência de muitos comerciantes. Mas não pode usar o seu email de ministra para defender os seus. É ministra da Família, das outras famílias, não da sua. 

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