Escolha as suas informações

Bissen. Google certa de um projeto que ainda pode não acontecer
Luxemburgo 4 min. 21.11.2019

Bissen. Google certa de um projeto que ainda pode não acontecer

Bissen. Google certa de um projeto que ainda pode não acontecer

Foto: Gerry Huberty/Luxemburger Wort
Luxemburgo 4 min. 21.11.2019

Bissen. Google certa de um projeto que ainda pode não acontecer

Catarina OSÓRIO
Catarina OSÓRIO
A Google admite que todas as opções estão ainda em aberto, mesmo a possibilidade de a construção do centro de dados nunca vir a concretizar-se no Luxemburgo. A empresa convocou os jornalistas hoje mas avançou poucos detalhes sobre o projeto.

O projeto de instalação do centro de dados da Google pode nunca vir a concretizar-se no Luxemburgo. Todas as opções estão ainda em aberto, admitiu  Fabien Vieau, diretor regional de Energia do Centro de Dados e Localização Estratégica da Google EMEA (Europa, Médio Oriente e África). O  executivo da Google afirmou que "continua a estudar o Luxemburgo entre outras localizações" de forma a perceber o melhor compromisso entre um projeto e o que é permitido fazer localmente". 

Além dos terrenos em Bissen, no Luxemburgo, a Google tem vindo a adquirir outras parcelas de território na Europa ao longo destes anos, para alojar servidores informáticos. Nomeadamente Áustria (74 hectares em 2008), Dinamarca (duas parcelas, 131 e 73 hectares em 2017) e Suécia (109 hectares em 2017). 

A gigante tecnológica Google convocou esta quinta-feira os jornalistas baseados no Luxemburgo para informar que o Plano de Ordenamento do Território (PAP, na sigla em francês) para a construção do centro de dados, em Bissen, foi submetido no final de outubro.

O esboço do projeto vai ser agora debatido publicamente pelos cidadãos. Para esta quinta-feira, 21 de novembro, a Google preparou também uma sessão de informação com os habitantes de Bissen para debater publicamente o PAP. 

Durante a conferência de imprensa, dois executivos da Google falaram sobre os poucos e recentes desenvolvimentos do projeto de construção do centro de dados, em Bissen, no norte do Luxemburgo. 

O "namoro" entre a Google e o Luxemburgo começou com o convite do governo do Grão-Ducado à gigante tecnológica, que acabou mesmo por adquirir os 33,7 hectares em Bissen a 11 de dezembro de 2017. E mesmo que o projeto vá para a frente não estará operacional "antes de 2023" assegurou Vieau aos jornalistas.

Certo é também que a gigante tecnológica tem algum interesse em agilizar a construção de um centro de dados de forma a corresponder às necessidades de armazenamento atuais, o que poderá levar a empresa a considerar uma outra localização fora do Luxemburgo, entre as referidas anteriormente. 

Questionado sobre se tem um prazo limite para decidir se irá mesmo construir o centro de dados em Bissen, a empresa não se compromete a avançar uma data concreta para o "sim" definitivo ao projeto mas afirma ao mesmo tempo não ter um "plano B". 

"Queremos assegurar o mínimo impacto para os cidadãos e moradores", afirmou Fabien Vieau, executivo da Google EMEA (Europa, Médio Oriente e África). 

Anunciado em 2017, o projeto parece ainda não ter passado de um esboço. "Quando chegamos [a um sítio] para estudar uma localização, tentamos perceber o que existe, o que é possível e o que não é possível e isso é algo que ainda está a acontecer atualmente", explicou Fabien Vieau ao Contacto. 

Após este processo terá de haver um ajuste entre o que é proposto e as leis e regulamentações do país, no que toca por exemplo ao impacto ambiental. 

A Google adquiriu 33,7 hectares de terreno em Bissen, em 2017.
A Google adquiriu 33,7 hectares de terreno em Bissen, em 2017.
Foto: Pierre Matgé/Luxemburger Wort

E é neste ponto em que a construção do centro de dados tem gerado mais controvérsia. Duas questões estão a preocupar a organização não-governamental com sede no Luxemburgo, Movimento Ecológico: o consumo de água e eletricidade. 

Alguns estudos estimam que o centro utilizaria 10 milhões de litros de água de forma a arrefecer as filas de servidores, o correspondente a 1o% do consumo total de água no país. 

Durante a conferência, os executivos da Google foram questionados sobre a possibilidade de utilização de água do sistema de tratamento de esgotos do rio Alzette para o arrefecimento dos servidores. Surpreendidos com a pergunta, referiram que esta "nova informação" é apenas uma das hipóteses que será estudada pela gigante tecnológica para dar resposta ao elevado consumo de água. 

Ainda de acordo com o jornal Luxembourg Times, a infraestrutura faria aumentar o consumo energético da pequena localidade, consumindo tanto como uma cidade de 200 mil habitantes. Bissen tem atualmente cerca de 3 mil habitantes. 

Para o projeto em Bissen, está estimada a criação de 100 postos de trabalho diretos, entre eles "segurança, equipamento e operações e manutenção dos servidores" mas admite que uma grande percentagem de postos de trabalho vêm do estrangeiro. 

Durante as últimas semanas soube-se também que o projeto prevê dois edifícios e tem um custo estimado de 1,2 mil milhões de euros.

A Google reitera que a instalação no Grão-Ducado permite à empresa uma localização privilegiada "no coração da Europa" bem como ressalva a estabilidade das suas instituições. 


Notícias relacionadas

Falta encontrar local : Google "será o maior investimento do Luxemburgo", diz Etinenne Schneider
Caso a gigante Google se instale no país, este “será o maior investimento no Luxemburgo, disse Etienne Schneider, ministro da Economia, ontem à noite, sexta-feira, ao Luxembourg Wort, em resposta à crescente especulação sobre a vinda da empresa para o Grão-Ducado. Além do maior investimento, "será o maior consumidor de eletricidade no Luxemburgo, à frente do ArcelorMittal", explicou Schneider.
O Luxemburgo já perdeu duas corridas para a instalação da Google, mas quer garantir que à terceira ganha