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Bettel. "Temos de ajudar os cidadãos e as empresas agora"
Luxemburgo 4 min. 14.09.2022
Tripartida

Bettel. "Temos de ajudar os cidadãos e as empresas agora"

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Bettel. "Temos de ajudar os cidadãos e as empresas agora"

Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
Luxemburgo 4 min. 14.09.2022
Tripartida

Bettel. "Temos de ajudar os cidadãos e as empresas agora"

Mélodie MOUZON
Mélodie MOUZON
"É impensável que as pessoas se perguntem se podem dar ao luxo de aquecer as suas casas", disse o primeiro-ministro ao apresentar as conclusões das reuniões bilaterais desta quarta-feira.

Xavier Bettel lembrou, esta quarta-feira, durante a conferência de imprensa no final das reuniões bilaterais com patrões e sindicatos, a urgência de encontrar soluções para aliviar os encargos das famílias e empresas face ao aumento dos preços da energia e às taxas de inflação que batem recordes. "É agora que temos de ajudar os cidadãos e as empresas", declarou.


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O objetivo destes encontros era analisar a situação atual, "para obter a melhor visão geral possível" e preparar a próxima reunião tripartida, que terá início neste domingo. Espera-se que dure três dias, mas pode ser prolongada se necessário. 

No centro das discussões de quarta-feira estiveram os últimos números do Statec e as perspetivas sobre a inflação. "Os novos cálculos confirmam a tendência inflacionista dos últimos meses. Em todos os cenários desenvolvidos, a inflação permanece elevada", explicou Xavier Bettel, acrescentando: "Estamos num cenário completamente diferente do de março, quando assinámos o último acordo tripartido", o que torna a situação particularmente difícil de prever.

Um cenário completamente diferente 

O primeiro-ministro recordou que, na altura da assinatura do acordo, a "próxima parcela do index estava prevista para o início de 2024". A configuração é hoje bastante diferente uma vez que o cenário mais pessimista do Statec prevê até "4 novas parcelas nos próximos 10 meses, para além da que foi adiada".

O cenário central, o mais provável, é de 6,6% para 2022 e 6,6% para 2023. "O limiar seria ultrapassado por uma nova tranche do index no quarto trimestre deste ano, provavelmente em novembro. Outros virão no primeiro trimestre de 2023, em março, e depois no terceiro trimestre em setembro. Além disso, a que foi adiada este ano será transferida para o próximo mês de abril.


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"É preciso encontrar soluções adaptadas"

Com base nesta análise, as discussões conduziram a quatro conclusões. "A inflação alimentada pela tarifa de energia é um verdadeiro fardo para os cidadãos e empresas. Devem ser encontradas novas soluções. É com este objetivo em mente que a tripartida se reunirá a partir deste domingo", explicou Bettel.

O primeiro-ministro salientou também que "o acordo de março não pode ser simplesmente adotado tendo em conta esta nova situação". As parcelas salariais seguintes "não serão mexidas automaticamente", disse ele. "Precisamos de encontrar novas soluções que sejam adaptadas".  

Ajuda rápida para cidadãos e empresas

A terceira conclusão a emergir das discussões bilaterais de quarta-feira à tarde foi a necessidade de assistência rápida para cidadãos e empresas. "E para isso é preciso chegar rapidamente a um acordo." 

Xavier Bettel explicou que se a tripartida não produzisse nada de concreto na terça-feira, os trabalhos iriam continuar. "Precisamos de encontrar um acordo até ao final de setembro ou início de outubro, o mais tardar. As temperaturas já baixaram e o inverno está a chegar". Foi feito um apelo aos parceiros sociais para "abordarem as negociações com um espírito aberto".


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Para Xavier Bettel, "não seria responsável, tendo em conta o aumento dos preços e das contas que as pessoas receberão, não pôr em prática compensações e não ouvir os receios da população". Segundo o governante, é "impensável que as pessoas se perguntem se podem dar ao luxo de aquecer as suas casas".

Governo não deixa "ninguém para trás"

O primeiro-ministro salientou também a importância de estar "preparado para todos os desenvolvimentos possíveis". "Não sei como a situação irá evoluir e que cenário irá ocorrer. Talvez esta reunião tripartida seja a última. Ninguém sabe. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar a população. Por exemplo, reduzindo os custos de energia para os cidadãos e empresas. Essa é uma medida concreta", afirmou.

Todos estes pontos serão discutidos esta quinta-feira no Conselho de Governo, que se reúne para ver até que ponto a população luxemburguesa pode ser ajudada com os custos energéticos, e depois dialogará com os parceiros sociais durante a reunião tripartida.

 "Temos de negociar todos juntos para ver como dar as melhores respostas a esta crise extraordinária. Temos atualmente uma taxa de inflação que não vemos há 30 ou 40 anos no Luxemburgo", recordou.

Todos os cenários estão, portanto, em cima da mesa. "Nenhuma discussão deve ser tabu", reiterou o primeiro-ministro, que promete que o governo não deixaria "ninguém para trás". 

(Este artigo foi originalmente publicado na edição francesa do Luxemburger Wort.)

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