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Bettel infetado é um "lembrete da realidade da pandemia" no Luxemburgo, diz politólogo
Luxemburgo 3 min. 06.07.2021
Entrevista ao Wort francês

Bettel infetado é um "lembrete da realidade da pandemia" no Luxemburgo, diz politólogo

Entrevista ao Wort francês

Bettel infetado é um "lembrete da realidade da pandemia" no Luxemburgo, diz politólogo

Foto: Serge Waldbillig
Luxemburgo 3 min. 06.07.2021
Entrevista ao Wort francês

Bettel infetado é um "lembrete da realidade da pandemia" no Luxemburgo, diz politólogo

Jean-Michel HENNEBERT
Jean-Michel HENNEBERT
A hospitalização por vários dias do primeiro-ministro é um acontecimento com múltiplas consequências, segundo o cientista político Philippe Poirier, da Universidade do Luxemburgo.

O investigador revê no líder do Governo o facto de algumas pessoas se terem esquecido que a pandemia ainda pode ter "efeitos reais" no Luxemburgo. Leia a a entrevista publicada originalmente na edição francesa do Luxemburger Wort. 

O primeiro-ministro continuará hospitalizado durante mais alguns dias após ter contraído covid-19. Poderá esta situação por em risco a estratégia sanitária posta em prática desde o início da pandemia? 

Se compararmos com outros chefes de governo que também foram infetados, tais como Boris Johnson no Reino Unido ou Donald Trump nos Estados Unidos, as sondagens de opinião realizadas antes, durante e logo após estas hospitalizações mostram que estes líderes viram a sua legitimidade reforçada entre a população. O mesmo se aplica à política que eles encarnam, mesmo que este episódio possa também reforçar as convicções dos opositores políticos do primeiro-ministro luxemburguês. 


"Estado grave, mas estável". Bettel vai continuar hospitalizado
O ministro das Finanças, Pierre Gramegna, fica encarregado temporariamente da liderança do Executivo.

Esta infeção realça o facto de que qualquer pessoa pode ser infetada se as regras sanitárias não forem respeitadas, apesar da toma de uma primeira dose da vacina... 

De facto. Porque desde segunda-feira à tarde, a população tem sido informada da gravidade do estado de saúde do primeiro-ministro. Isto levanta a questão das variantes e dos seus efeitos. É aqui que a dúvida se pode infiltrar, onde uma nova preocupação pode surgir. Afinal de contas, não é tanto o que vai acontecer ao primeiro-ministro que é preocupante, mas sim o facto de alguns se interrogarem sobre as consequências desta infeção para os residentes. Esta hospitalização é um lembrete da realidade da pandemia e que pode ainda ter efeitos reais no Luxemburgo.

Poderá este evento estar ligado, por este ponto de vista, à má disposição de Paulette Lenert, já que ambos encarnam a política da luta contra a pandemia? 

Sim, embora este episódio provavelmente tenha causado mais preocupação porque a ministra da Saúde é responsável pela execução quotidiana da política de saúde. Mas este é o primeiro-ministro, que não é visto como um chanceler alemão ou como um primeiro-ministro belga. Porque, constitucionalmente, no Luxemburgo é o Governo que governa. Com um chefe de equipa na liderança. 

O que significa no plano político ter sido o ministro das Finanças a delegar na ausência temporária do primeiro-ministro? 

Pode significar várias coisas. Em primeiro lugar, significa que o Governo quer consolidar a recuperação económica, dando poderes a uma pessoa que conhece perfeitamente bem a situação e que pode tranquilizar os atores que possam estar preocupados com uma mudança na liderança do Governo. Esta é uma indicação da direção que o primeiro-ministro deseja tomar. Depois, temos de admitir que ainda é muito curioso não confiar esta missão a um dos dois vice primeiro-ministros. Isto pode até aparecer como uma bofetada na cara dos outros dois partidos da coligação. E particularmente para o Déi Gréng, que teve pouco a dizer durante toda a gestão desta pandemia.

O que aconteceria se a situação atual se mantivesse? 

Em termos gerais, este seria um acontecimento importante que minaria a confiança adquirida nas últimas semanas sobre a vacina ser a solução e na esperança de um futuro melhor. Por conseguinte, poderia gerar ansiedade que poderia então ter impacto no comportamento social, bem como nos hábitos de consumo, por exemplo. A nível político, isto poderia levar à aceleração da reforma constitucional que deveria, entre outras coisas, organizar mais precisamente o funcionamento do Governo em caso de emergência.


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