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Bettel fez visita guiada ao primeiro-ministro de Cabo Verde que terminou no Palácio... da China
Luxemburgo 4 5 min. 16.02.2016

Bettel fez visita guiada ao primeiro-ministro de Cabo Verde que terminou no Palácio... da China

Xavier Bettel serviu de cicerone a José Maria Neves, mostrando-lhe a cidade de que foi burgomestre

Bettel fez visita guiada ao primeiro-ministro de Cabo Verde que terminou no Palácio... da China

Xavier Bettel serviu de cicerone a José Maria Neves, mostrando-lhe a cidade de que foi burgomestre
Fotos: Manuel Dias
Luxemburgo 4 5 min. 16.02.2016

Bettel fez visita guiada ao primeiro-ministro de Cabo Verde que terminou no Palácio... da China

Na última visita ao Luxemburgo de José Maria Neves enquanto primeiro-ministro, Xavier Bettel recebeu o governante cabo-verdiano como se recebem os amigos. O protocolo deu lugar à informalidade e o primeiro-ministro luxemburguês fez mesmo de cicerone ao seu homólogo cabo-verdiano, numa visita guiada à capital em passo de corrida, "para abrir o apetite" para o almoço oferecido por Bettel num restaurante chinês.

Esta foi provavelmente a visita guiada mais rápida da história. Em menos de meia hora, Xavier Bettel levou José Maria Neves a visitar dois museus, a Câmara dos Deputados, o centro histórico da capital e mostrou mil anos de história ao governante cabo-verdiano.

O encontro com o primeiro-ministro luxemburguês encerrou a visita de três dias de José Maria Neves ao Grão-Ducado, um dos países incluídos no périplo do governante cabo-verdiano para atrair investimento privado para o arquipélago.

José Maria Neves chegou ao Ministério de Xavier Bettel pouco antes do meio-dia, mas não ficou muito tempo no gabinete do primeiro-ministro luxemburguês. Bettel tinha outros planos para o seu homólogo cabo-verdiano: levá-lo numa visita a pé pelo centro histórico da cidade de que foi burgomestre. "Assim abrimos o apetite para o almoço", justificou Bettel, que nunca abrandou o ritmo de corrida que imprimiu ao passeio.

À entrada do Museu de História da Cidade do Luxemburgo, Bettel pára alguns segundos para apresentar José Maria Neves a uma empregada de limpeza do museu. "Olhe, está aqui uma imigrante do seu país", diz Bettel. Depois, vira-se para a funcionária que limpa as portas envidraçadas do museu: "Apresento-lhe o seu primeiro-ministro!". Manuela Monteiro apertou a mão a José Maria Neves, mas disse ao CONTACTO que já conhecia o governante cabo-verdiano.

"Já o conhecia, porque a primeira vez que ele se candidatou para primeiro-ministro eu ainda estava em Cabo Verde e fui uma daqueles que votou nele", conta ao CONTACTO. A imigrante de origem cabo-verdiana, que entretanto obteve a nacionalidade portuguesa, está há cinco anos no Luxemburgo, e esta também não foi a primeira vez que falou com Xavier Bettel, o iconoclasta primeiro-ministro luxemburguês. "Ele passa sempre aqui pelo museu aos fins-de-semana e é sempre muito simpático. Cumprimenta-me sempre, pergunta se está tudo bem... É assim como ele é", diz, a rir.

Xavier Bettel elogiaria mais tarde os imigrantes cabo-verdianos no Luxemburgo, que rondam cerca de 10 a 12 mil pessoas, segundo dados da Embaixada de Cabo Verde. "É uma comunidade que participa na vida económica, política, cultural e desportiva do Luxemburgo", disse Bettel, recordando também a amizade entre os dois países.

"Tive a oportunidade de estar em Cabo Verde poucos meses depois de tomar posse, foi a minha primeira visita fora da União Europeia. Para mim é muito importante também para mostrar a importância da amizade entre Cabo Verde e o Luxemburgo, porque somos parceiros há muito tempo. Cabo Verde pôde contar connosco quando precisou de nós e isso é uma coisa que o país não esquece, e nós não esquecemos Cabo Verde e estamos muito contentes por trabalharmos juntos", sublinhou o primeiro-ministro luxemburguês.

Antes do almoço, José Maria Neves ainda veria a maquete que representa a cidade do Luxemburgo tal como era há mil anos, no Museu de História da Cidade, passeou na Corniche, viu o único quadro de Picasso do Grão-Ducado, no Museu Nacional de História e Arte, e cumprimentou o presidente da Câmara dos Deputados, Mars Di Bartolomeo. Com o sol a ajudar, em menos de meia hora Bettel mostrou o centro histórico a José Maria Neves, que esteve várias vezes no Luxemburgo quando  Jean-Claude Juncker era primeiro-ministro mas nunca tinha visitado aquela parte da cidade. "Não conhecia. A cidade é muito bonita e dá para ver como os cabo-verdianos estão aqui muito bem integrados", disse José Maria Neves ao CONTACTO.

O passeio dos dois governantes terminou no Palácio, mas da China, o nome do restaurante chinês onde Bettel levou José Maria Neves a almoçar, por trás do Palácio oficial dos grão-duques. "É pouco protocolar", justifica-se Bettel, "mas escolhi um restaurante chinês porque adoro comida chinesa". Paul Schmit, que é simultaneamente o embaixador do Luxemburgo em Cabo Verde e Portugal, comenta que em Lisboa "há muitos restaurantes chineses". "E com os vistos Gold vai haver ainda mais", acrescenta o diplomata – uma referência aos mais de 600 cidadãos chineses que obtiveram residência em Portugal através dos polémicos "vistos dourados".

Esta não foi a primeira vez que a China foi mencionada durante a visita de José Maria Neves ao Luxemburgo. Um dia antes, no Fórum Económico Cabo Verde-Luxemburgo, o responsável da Câmara de Comércio do Barlavento cabo-verdiano contou uma história para ilustrar o pequeno tamanho dos dois países ("não é todos os dias que visitamos um país ainda mais pequeno que o nosso", disse). Durante a visita do primeiro Presidente de Cabo Verde ao gigante económico mundial, pouco depois da independência do arquipélago, Mao Tsé-Tung perguntou a Aristides Pereira quantos habitantes tinham as ilhas. Responderam-lhe "350 mil", o número de habitantes nessa altura. "Não", replicou o governante chinês, "perguntei quantos habitantes, não quanta gente viaja na vossa comitiva".

A história é capaz de ser apócrifa, mas ilustra uma semelhança entre os dois países: o pequeno tamanho, que a visita guiada de Xavier Bettel, em passo de corrida, ajudou a confirmar. Mas as semelhanças entre os dois países ficam por aqui: o Grão-Ducado é a segunda maior praça financeira mundial, enquanto Cabo Verde beneficia há anos do seu apoio, através da cooperação luxemburguesa.

As relações entre o Luxemburgo e Cabo Verde iniciaram-se no final dos anos 80. Os dois países assinaram o primeiro Programa Indicativo de Cooperação (PIC) em 2002, durante uma visita de Juncker ao arquipélago. Desde esse primeiro acordo, que representou um investimento de 33,5 milhões de euros, o montante das ajudas do Grão-Ducado a Cabo Verde não parou de aumentar: o PIC II envolveu 45 milhões, com o último a rondar os 60 milhões de euros.

José Maria Neves, que se encontrou também na segunda-feira com o ministro da Cooperação do Luxemburgo, Romain Schneider, seguiu hoje para Paris e Lisboa, onde vai estar entre 17 e 21 de Fevereiro para encontros com a comunidade cabo-verdiana e contactos com as autoridades.

Paula Telo Alves

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