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Bem-vindos ao Principado do Luxemburgo!
Opinião Luxemburgo 3 min. 08.12.2020 Do nosso arquivo online

Bem-vindos ao Principado do Luxemburgo!

Bem-vindos ao Principado do Luxemburgo!

Foto: Chris Karaba/Luxemburger Wort
Opinião Luxemburgo 3 min. 08.12.2020 Do nosso arquivo online

Bem-vindos ao Principado do Luxemburgo!

Sérgio FERREIRA
Sérgio FERREIRA
Aberto, dinâmico e fiável, foram os valores atribuídos ao país pelos publicitários que há alguns anos fixaram a marca "Luxemburgo", antecedido do mote em inglês "Let’s make it happen"! Proponho uma alternativa mais atual e mais em fase com a realidade: Bem-vindos ao Principado do Luxemburgo!

Não é que queira mudar o título dos monarcas luxemburgueses ou a denominação do país que bem sei ser um Grão-Ducado. Mas como no marketing vale (quase) tudo, a utilização do principado podia ser estratégica, pela surpresa e pela interrogação que suscita!

Por que diabo estamos para aqui a comparar o Grão-Ducado com um Principado? E, já agora, qual deles? É que, se Grão-Ducado só há um, principados há muitos!

Não se trata aqui do Principado de Andorra, território onde a população autóctone também é minoritária e onde a emigração portuguesa é igualmente marcante, oscilando entre os 12 e os 16% da população total. As convergências são várias mas não para o que nos interessa agora.

O Liechtenstein também tem pontos comuns com o nosso Grão Ducado: está rodeado de terra por todos o lados, tem um dos PIB por habitante mais elevados do mundo e é germanófono... mas não, também não! Resta-nos o Principado do Mónaco... de facto o que para o caso nos interessa, mas já la vamos!

O Statec grão-ducal publicou há algumas semanas uma nota sobre o emprego assalariado no Luxemburgo, com dados bem interessantes. Antes de mais, demonstra o que todos sabemos mas muitas vezes preferimos ignorar – mesmo após a crise sanitária nos ter exposto essa realidade de forma nua e crua: a dependência do país em relação aos trabalhadores fronteiriços.

45,5% dos trabalhadores do Luxemburgo vêm todos os dias de França, da Alemanha ou da Bélgica! Eram, há alguns anos atrás, o balão de oxigénio da economia luxemburguesa. Quando as coisas corriam mal e era preciso despedir, eram os primeiros a saltar, sem necessidade de assegurar o financiamento dos subsídios de desemprego! Hoje em dia, ironia que a pandemia facilita, já não são só o balão, são o oxigénio mesmo!


Luxemburgueses ocupam empregos mais bem pagos
Segundo um estudo sobre emprego do Statec, os trabalhadores de nacionalidade luxemburguesa ocupam os cargos mais bem remunerados em detrimento dos estrangeiros e transfronteiriços.

Outro dado que a nota do Statec põe em evidência, tem a ver com a repartição dos salários. Apesar de apenas representarem 26,7% do emprego total, os residentes de nacionalidade luxemburguesa trabalham sobretudo nos setores de elevada remuneração (65%), contra 42% dos residentes estrangeiros e 37% dos fronteiriços.

O último dado que aqui nos interessa é o da polarização do emprego: há cada vez mais gente a trabalhar com salários muito elevados - nomeadamente e sem surpresas nos sectores da finança, investigação científica e educação– ao mesmo tempo que há cada vez mais gente a trabalhar com salários baixos, novamente sem surpresa, principalmente nos sectores da construção, do comércio e da restauração.

Se a tudo isto acrescentarmos o que se sabe sobre os fracos desempenhos do sistema de ensino luxemburguês nos estudos internacionais e a segregação no processo de orientação em função das origens migratórias, sociais e económicas e os preços cada vez mais proibitivos da habitação, é difícil traçar um cenário muito risonho para as futuras gerações... ou pelo menos para todos.

O que estes dados demonstram é que o Luxemburgo está a acelerar o passo no caminho para um país cada vez mais desigual, em que algumas franjas da população altamente privilegiadas dominam um número crescente de trabalhadores pobres que convém guardar perto para os servirem, ao mesmo tempo que se faz funcionar a economia com mão de obra e cérebros não residentes!

Bem-vindos ao Principado do Luxemburgo! Só nos falta uma Grace Kelly do século XXI...

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O número de trabalhadores jovens está a diminuir no Luxemburgo. A idade média dos trabalhadores no Grão-Ducado é agora de 41 anos. A conclusão é de um estudo feito pelo Instituto de Investigação Sócio-Economica do Luxemburgo (Liser, na sigla em inglês) que fez a fotografia sobre a situação dos trabalhadores assalariados no país, entre 1994 e 2018. O retrato é o de uma população ativa envelhecida.
“Mais de metade do eleitorado trabnão mudar, vão ser sempre os mesmos a pagar a fatura.” alha na Função Pública. São estes que escolhem quem governa o país e enquanto isto não mudar, vão ser sempre os mesmos a pagar a fatura.”