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Aviões são os maiores emissores de CO2 no Luxemburgo
Luxemburgo 5 min. 12.07.2019

Aviões são os maiores emissores de CO2 no Luxemburgo

Aviões são os maiores emissores de CO2 no Luxemburgo

Luxemburgo 5 min. 12.07.2019

Aviões são os maiores emissores de CO2 no Luxemburgo

A Luxair é a segunda responsável pelo poluente dióxido de carbono no país, e a Cargolux surge em oitavo lugar. A TAP Portugal é a segunda maior emissora de CO2 na Europa, diz o T&E.

A companhia Luxair é a segunda responsável pelas emissões de dióxido de carbono (CO2) no Luxemburgo e a Cargolux surge em oitavo lugar.  Os dados são da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), que refere também que a TAP Portugal é a quinta responsável pela emissões no seu país e, surge na segunda posição no crescimento de emissões na Europa, pela aviação europeia.

Estas são as conclusões da T&E, relativas a 2018, depois de analisar os dados reportados pelas companhias aéreas sobre estes gases com efeito de estufa no espaço europeu, à exceção dos voos realizados de e a partir das ilhas dos Açores, Madeira e Canárias.

A companhia britânica low cost Jet2 é a companhia que lidera as emissões deste gás poluente no espaço europeu, seguindo-se a transportadora aérea portuguesa. O que “mereceu uma nota negativa” pela T&E, declarou a associação portuguesa ambientalista ZERO em comunicado, frisando que só nos últimos dois anos, “as emissões da TAP aumentaram 13%, assumindo-se como a segunda companhia europeia com o maior crescimento de emissões (só ultrapassada pela companhia Jet2)”.

"As companhias aéreas são as novas centrais elétricas a carvão (anteriormente as mais poluentes). Ao contrário dos carros, caminhões, carrinhas e comboios, as companhias aéreas possuem isenções fiscais sobre o querosene e não têm limite para o crescimento de suas emissões. Por isso não admira que estejam no top 10 dos maiores emissores. Os governos da UE precisam acabar com a ausência de taxas de combustível e exigir cortes reais de emissões da aviação”, declarou Andrew Murphy, da T&E. Em 2018, as companhias aéreas da Noruega, Reino Unido, Irlanda e Suécia lideravam a lista dos responsáveis pelas emissões de dióxido de carbono nos seus países ( ver quadro em baixo). 

 Esta federação europeia volta aos números para frisar o quanto é necessário taxar e impor limites às emissões de carbono nos voos no espaço europeu. As emissões da aviação cresceram 4,9% em 2018, ou seja, passaram para 67,5 milhões de toneladas de CO2, um aumento de 26,3% em cinco anos. E estas emissões abrangem apenas voos dentro da Europa (Bucareste-Helsínquia) e não extra-UE (Varsóvia-Nova Iorque), representando apenas cerca de 40% do total das emissões da aviação europeia. Apesar deste âmbito reduzido, o total de 67,5 milhões de toneladas é quase igual ao total das emissões anuais de Portugal (72,5 milhões de toneladas em 2016) explica a T&E, no seu site.

 A associação ambientalista ZERO sublinha, em comunicado, que o desempenho ambiental da TAP foi também analisado no contexto europeu pela T&E e “mereceu uma nota negativa”. “Nos últimos dois anos, as emissões da TAP aumentaram 13%, assumindo-se como a segunda companhia europeia com o maior crescimento de emissões (só ultrapassada pela companhia Jet2).  

Ambientalistas querem acabar com a isenção fiscal

Cada vês mais as pessoas viajam de avião, sobretudo com os preços baixos e atrativos das companhias low cost. Num artigo da revista espanhola Contexto, intitulado “Voar menos para se viver melhor”, é dado o exemplo de como a emissão de dióxido de carbono é muito menor numa viagem de comboio de Madrid a Barcelona, onde só se emite 18 quilos de CO2, por passageiro, do que num voo, onde se produz 141 quilos deste gás, por pessoa.

Apesar de ser o meio de transporte menos utilizado, por exemplo, no Reino Unido apenas 15% da população viaja com frequência de avião, é dos maiores emissores de gases que causam efeito de estufa no planeta e geram o aquecimento global. E que têm isenções fiscais.

“Não é de todo surpreendente que o modo de transporte menos tributado seja também aquele que apresenta um crescimento das emissões mais rápido. Para as associações de defesa do ambiente, esta tendência de crescimento das emissões irá manter-se até que a Europa perceba que este setor não está a ser adequadamente tributado e pouco regulamentado, e precisa ser alinhado com a exigência do Acordo de Paris e do objetivo de a Europa tornar-se neutra em carbono em 2050”, defende a associação ambientalista ZERO.

França deu o primeiro passo, no início desta semana, com o governo a anunciar a aplicação de uma 'ecotaxa' de 1,5 a 18 euros aos bilhetes de avião a partir de 2020 para todos os voos com partida de aeroportos franceses.  Uma medida que deverá gerar receitas de 182 milhões de euros a partir de 2020. Estas serão investidas em infraestruturas de transportes mais ecológicos, nomeadamente o ferroviário, precisou a ministra dos Transportes francesa, Elisabeth Borne.

Luxemburgo já propôs uma "taxa querosene"

  O Luxemburgo também está preocupado com esta situação. Uma preocupação que levou recentemente François Bausch a propor uma taxa sobre o querosene, o combustível mais utilizado pela aviação comercial, aos congéneres europeus que estiveram reunidos no Luxemburgo na semana passada. Idealmente, a taxa seria aplicada por todos os Estados europeus sobre as companhias aéreas que abastecessem em solo europeu.  

A lista da T&E das companhias aéreas que estão no Top 10 de maiores emissores de CO2 nos seus países. 

Áustria: Austrian Airways (4º lugar)

Chipre: Cobalt Air (4º) and TUS Airways (6º)

Filândia: Finnair (4º)

França: Air France (7º)

Hungria: Wizz Air (2º)

Islândia: Icelandair (3º) and WOW Air (6º)

Irlanda: Ryanair (1º), Aer Lingus (7º)

Letónia: AirBaltic (4º) and Primera Air Nordic (6º)

Lituânia: Small Planet Airlines (6º)

Luxemburgo: Luxair (2º) and Cargolux (8º)

Malta: Air Malta (2º) e mais 4 não especificadas

Noruega: Norwegian (1º)

Portugal: TAP (5º)

Eslovénia: Adria Airways (8º)

Suécia: SAS (1º)

Reino Unido: Easyjet (1º)

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