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Autora de romance sobre revolta de português no Luxemburgo debate sistema educativo
Luxemburgo 31.05.2018 Do nosso arquivo online

Autora de romance sobre revolta de português no Luxemburgo debate sistema educativo

O livro, publicado em alemão nas edições Saint-Paul, marca a entrada na ficção luxemburguesa de um tema caro aos portugueses: as dificuldades no sistema de ensino do Luxemburgo.

Autora de romance sobre revolta de português no Luxemburgo debate sistema educativo

O livro, publicado em alemão nas edições Saint-Paul, marca a entrada na ficção luxemburguesa de um tema caro aos portugueses: as dificuldades no sistema de ensino do Luxemburgo.
Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 31.05.2018 Do nosso arquivo online

Autora de romance sobre revolta de português no Luxemburgo debate sistema educativo

A escritora Béatrice Peters, que assina um romance sobre a luta de um português para mudar o ensino no Luxemburgo, é a convidada da Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) para um debate sobre o sistema educativo, esta quinta-feira.

É ficção, mas expõe um problema real no Luxemburgo: a integração escolar dos alunos estrangeiros. No seu primeiro romance, Béatrice Peters imaginou a revolta de um jovem português contra o sistema de ensino no Luxemburgo.

“Fremde Heimat” (“Pátria Estranha” ou “Estrangeira”, em alemão) é uma denúncia das dificuldades dos estrangeiros no ensino luxemburguês, que a antiga professora conhece bem. Durante vinte anos, Béatrice Peters deu aulas no ensino primário no Luxemburgo, e conta aliás várias histórias sobre alunos portugueses no livro, a coberto da ficção.

O romance, que tem como subtítulo “Sozinho contra o sistema de ensino luxemburguês”, vai ser apresentado numa conferência-debate organizada pela Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI), esta quinta-feira, dia 31 de maio, às 19h, na sede da organização.

Para o porta-voz da ASTI, Sérgio Ferreira, esta vai ser uma oportunidade para discutir as barreiras enfrentadas pelos estrangeiros no sistema educativo. “É um romance que interpela a sociedade e, sobretudo, o sistema de ensino. Além do interesse literário, tem um interesse social, e em vésperas de eleições legislativas [agendadas para outubro], achamos que o sistema de ensino deve ser debatido”, explicou o porta-voz.

No romance, Jo (diminutivo de João) lidera um partido político que defende a igualdade de oportunidades para os estrangeiros, mas acaba em confrontos com a polícia e os sindicatos de professores. O objetivo é mudar o sistema escolar, tornando-o inclusivo para os estrangeiros, mas as suas propostas dividem o país, e Jo arrisca-se a ser processado por perturbação da ordem pública.

Numa entrevista ao Contacto, em outubro de 2017, a escritora denunciou as barreiras que os estrangeiros enfrentam no sistema escolar luxemburguês. "O Luxemburgo exporta os seus problemas [na educação]: há alunos que vão para a Bélgica, para França ou para a Alemanha, e ali têm sucesso", disse, nessa altura.

Paula Telo Alves


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