Escolha as suas informações

Autocarros continuam a ir cheios de alunos para a Bélgica
Bushaltestelle Ramassage scolaire Schultransport Bus Öffentlicher Transport Schüler Schild Verkehr Verkehrsschild transport en commun

Autocarros continuam a ir cheios de alunos para a Bélgica

Bushaltestelle Ramassage scolaire Schultransport Bus Öffentlicher Transport Schüler Schild Verkehr Verkehrsschild transport en commun
Luxemburgo 3 min. 06.12.2018

Autocarros continuam a ir cheios de alunos para a Bélgica

Paula CRAVINA DE SOUSA
Paula CRAVINA DE SOUSA
O Contacto falou com Patrícia, uma mãe que se viu obrigada a inscrever o filho Miguel numa escola fora do país.

A complexidade do sistema de ensino associado a sucessivas mudanças de professores e docentes que estavam sistematicamente ausentes durante o ano letivo levaram Patrícia (nome fictício) a perceber que o seu filho Miguel (nome fictício) estava a ficar para trás e não estava a evoluir de forma normal durante os primeiros anos de escola. A solução acabou por ser o ensino belga e Miguel passou a fazer parte dos cerca de três mil alunos que optam por frequentar um estabelecimento de ensino fora do país. Patrícia contou ao Contacto a angústia, frustração e incerteza pelas quais teve de passar durante os primeiros anos de escola do seu primeiro filho.

Este é apenas um dos resultados da complexidade do sistema de ensino do Grão-Ducado que acaba por enviar muitos alunos para o ensino técnico ou para escolas fora do país. A Comissão Europeia publicou um estudo sobre a matéria na semana passada, em que adverte que o sistema de ensino é desigual, a taxa de chumbos é elevada bem como a taxa de abandono escolar.


Bruxelas avisa Luxemburgo: o sistema de ensino é desigual e a taxa de chumbos é elevada
A Comissão Europeia publicou um relatório onde deixa duras críticas ao sistema de ensino luxemburguês.

A assistente parental percebeu que o seu filho Miguel “andava a navegar” no terceiro ano. Os primeiros anos de escolaridade foram particularmente difíceis, entre mudanças de professores e profissionais de ensino ausentes durante o ano letivo. “No terceiro ano, a professora alertou-me que o meu filho não sabia escrever frases. E a mesma situação passava-se com outros meninos”, conta. “Senti-me muito perdida, ainda por cima era o primeiro filho”, afirma Patrícia. Com muito trabalho da professora e da família, Miguel recuperou e conseguiu ter boas notas nos 3° e 4° anos.

Porém, as coisas voltaram a mudar nos 5° e 6° anos. E na hora de ingressar no sétimo ano, “não o queriam chumbar, queriam encaminhá-lo para o ensino modular [o atual ensino preparatório]”, explica Patrícia. “Por que motivo ’cortam as pernas’ às crianças tão cedo?”. Esta foi a questão que Patrícia mais colocou durante a conversa com o Contacto. “Preferia que ele repetisse o ano, mas não o quiseram chumbar”, disse. “Foi uma altura muito frustrante, sentimo-nos impotentes face àquela situação”. “Até que começámos a perceber que havia outros meninos a quem estava a acontecer a mesma coisa e que iam estudar para a Bélgica”, explica. “Fui ter com as mães desses meninos e era a mesma coisa, passava-se o mesmo”. Patrícia e os outros pais fizeram então uma rede de apoio e de informações sobre as escolas na Bélgica para avaliarem os prós e contras. “Havia um regime de internato, que eu não queria. Mas percebemos que os ’bus’ iam cheios de alunos para a Bélgica”. E decidiram, increvê-lo no liceu na Bélgica, que frequenta ainda hoje, com 15 anos, no equivalente ao ensino clássico no Luxemburgo. “As aulas na Bélgica começam 15 dias antes do que aqui no Luxemburgo e decidimos experimentar.” Ao mesmo tempo, Patrícia increveu Miguel num liceu no Luxemburgo. “Caso corresse mal, tínhamos essa rede de segurança”. “Percebemos que ele passou a gostar das aulas e que queria continuar na Bélgica e assim fizemos”. “Envolveu muito trabalho nosso [dos pais] e dele, foi um esforço muito grande, mas valeu a pena”. “Não é que eu queira que ele seja médico, mas quero que ele tenha escolhas: se quiser ir trabalhar muito bem, ou se quiser ir para a universidade, tudo bem também”.


Notícias relacionadas

EDITORIAL: A quinta das crianças
Por José Luís Correia - A quinta-feira, 15 de Setembro, marca o regresso às aulas, mesmo se muitas escolas já começam a funcionar na segunda-feira e outras ainda antes.
O ano lectivo 2016-2017 arranca no dia 15 de Setembro
Estudo: Preconceitos dos professores podem prejudicar alunos portugueses no Luxemburgo
Chamar-se Carlos ou Roger pode influenciar o percurso no ensino e o sucesso escolar dos alunos. Segundo um estudo da Universidade do Luxemburgo, os preconceitos dos professores em relação à nacionalidade dos alunos podem levá-los a tomar decisões erradas, prejudicando os portugueses. O estudo indica que os docentes cometem mais erros de avaliação com alunos portugueses do que com os estudantes luxemburgueses, quando decidem quem vai para o ensino secundário técnico ou para o clássico.
19.05.08 cours de portuguais, langue portugaise, contacto,  Schule, Schueler, bildung, photo: Marc Wilwert
Regresso às aulas em Esch-sur-Alzette: Um dia de “nervos” para as crianças portuguesas da maior escola primária do país
O regresso às aulas no Luxemburgo arrancou esta segunda-feira, com centenas de escolas primárias a reabrirem as portas a 46.870 alunos. Na terça, foi a vez dos alunos do sétimo ano do liceu, com os restantes alunos do secundário (41.063) a regressarem às aulas esta quarta-feira. O CONTACTO acompanhou o primeiro dia de aulas dos alunos portugueses na maior escola primária do país, em Esch-sur-Alzette. Um dia de “nervos” e ansiedade para a maioria das crianças.
15.09.10 rentree scolaire schulbeginn 2010, primaerschule hesperange grundschule ecole primaire, eleves schule schueler education bildung, photo: Marc Wilwert