Autarquia de Esch-sur-Alzette confirma fim dos cursos de português
Autarquia de Esch-sur-Alzette confirma fim dos cursos de português
A autarquia de Esch-sur-Alzette informou a Embaixada de Portugal no Luxemburgo que vai acabar com o ensino de português nas escolas daquela localidade a partir do próximo ano letivo, justificando o encerramento com "o mau funcionamento" dos cursos, disse o embaixador ao Contacto.
"Recebemos uma comunicação do vereador da Educação de Esch, na semana passada, e na segunda-feira enviei uma carta à burgomestre", informou Carlos Pereira Marques ao Contacto.
Na carta enviada à Embaixada, a autarquia invoca "o mau funcionamento dos cursos integrados de português" para justificar o encerramento.
O embaixador esteve reunido ontem com o responsável do Sindicato dos Professores de Português no Estrangeiro (SPE), Carlos Pato, e com o ministro da Educação do Luxemburgo, Claude Meisch, para discutir o caso. "Estamos a acompanhar a situação com a atenção que ela merece", disse o embaixador ao Contacto.
O diplomata solicitou também um encontro com a burgomestre de Esch-sur-Alzette, Vera Spautz, e vai estar reunido com a autarca na próxima sexta-feira, dia 9 de dezembro.
Na semana passada, o gabinete do ministro da Educação disse a este jornal que não vai intervir junto da autarquia, alegando que a organização do ensino é uma competência que faz parte da autonomia comunal.
O Contacto tentou várias vezes ouvir o vereador da Educação de Esch e a responsável da Comissão Escolar, sem resultado.
A intenção de encerrar os cursos de português na segunda maior localidade do país tinha sido anunciada pelo responsável do SPE a 18 de novembro. Carlos Pato citava uma ata da Comissão Escolar de Esch-sur-Alzette, a que o Contacto teve acesso. Na ata, datada de 11 de novembro, determinava-se que “os COIP [Cursos Integrados de Português] serão abolidos a partir do regresso às aulas em 2017/2018” no ensino primário.
No documento, a comissão propõe no entanto prosseguir o ensino de português no pré-escolar, um projeto-piloto que arrancou no último ano letivo a título experimental, sustentando que “a valorização e desenvolvimento da língua materna facilitam a aprendizagem de outras línguas, no caso, do luxemburguês”. A continuidade do projeto-piloto, a funcionar numa dezena de escolas no país, depende no entanto de o docente “dominar a língua luxemburguesa”, pode ler-se na ata.
