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Associações luxemburguesas pedem ao governo estatísticas mais detalhadas sobre a covid-19
Luxemburgo 3 min. 27.04.2020 Do nosso arquivo online

Associações luxemburguesas pedem ao governo estatísticas mais detalhadas sobre a covid-19

Associações luxemburguesas pedem ao governo estatísticas mais detalhadas sobre a covid-19

Foto: AFP
Luxemburgo 3 min. 27.04.2020 Do nosso arquivo online

Associações luxemburguesas pedem ao governo estatísticas mais detalhadas sobre a covid-19

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Num documento enviado a diversos ministérios, as organizações reclamam a análise de vários fatores, incluindo contratos de trabalho e salários, para criar respostas a grupos da população particularmente vulneráveis ao vírus.

Género, condições socio-económicas, país de origem ou nacionalidade, estado civil, número de filhos, salário, situação de habitação ou tipo de contrato de trabalho. Estes são alguns indicadores que várias associações do Luxemburgo querem ver recolhidos e tratados pelas autoridades políticas do país no âmbito do combate à pandemia de covid-19.

A reivindicação é feita através de um comunicado, enviado aos Ministérios de Estado, da Saúde, da Família, do Interior, do Trabalho e a da Igualdade e assinado pela plataforma Journée International de la Femme -JIF, que organizou a primeira greve de mulheres no Luxemburgo, no passado dia 8 de março deste ano, e que engloba associações como a Chambre des Salariés, CID | Fraen an Gender, o Conseil National des Femmes, a OGBL, a Time for Equality, a Union des Femmes Luxembourgeoises, a Planning familial ou Centre LGBTIQ+ CIGALE, às quais se associam as organizações de mulheres de vários partidos e cidadãos a título individual. 

Enviado também aos deputados e a membros do Parlamento Europeu e da sociedade civil, o documento justifica a recolha desses dados com o facto de existiram camadas da sociedade ainda mais vulneráveis a uma pandemia que torna todos desprotegidos. 


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"Todos são afectados, mas nem todos estão em risco em igual dimensão", começa por defender o texto. Entre os "particularmente vulneráveis" ao coronavírus e às suas consequências, a plataforma identifica mulheres, crianças, pessoas com deficiência e/ou doença crónicas, idosos, minorias sexuais e de género, famílias monoparentais, famílias com baixos rendimentos e pessoas sem abrigo ou em situação irregular e sem documentos. 

"A fim de ultrapassar esta crise e revelar, analisar e combater as desigualdades e injustiças, precisamos de números e dados fiáveis", defende o grupo de associações num texto que cita preocupações semelhantes manifestadas pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, a ONU Mulheres e as comissões dos órgãos de Igualdade do G20 e do G7. Entidades que, segundo a plataforma, "sublinham a importância da recolha de dados pormenorizados que mostrem as condições de vida desiguais na nossa sociedade. De forma imediata e durante toda esta crise".

Numa altura em que o Luxemburgo começa a fazer gradualmente o seu desconfinamento, mas existem ainda muitos setores parados e se avizinha uma crise económica global, com piores consequências que a de 2008 e um aumento drástico dos números da pobreza, a plataforma defende que a resposta a essas questões pode ajudar o governo a preparar soluções mais adequadas e direcionadas no período de recuperação que se seguirá à crise pandémica.

"As respostas às perguntas [enviadas] podem contribuir para garantir o desenvolvimento de estatísticas e análises relevantes. E estas podem ajudar o governo a estabelecer socialmente e equitativamente medidas pós-crise que permitam adaptar as ações da ciência, a tecnologia, a economia e a sociedade civil às circunstâncias sociais reais".


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Entre o vasto conjunto de questões, a plataforma quer também que esses indicadores sejam estudados entre os profissionais de saúde e da linha da frente. Ou seja quantas pessoas e qual a sua caracterização demográfica compõem  as unidades de crise, dentro do governo, nos hospitais ou nos lares de idosos. 

O sexo, idade, nacionalidade, país de residência, estado civil, filhos, profissão das pessoas internadas em cuidados intensivos são outros dos dados que querem ver apurados. 

Quantos profissionais de saúde, cuidados e limpeza trabalham nos hospitais no Luxemburgo - repartidos por sexo, idade, nacionalidade, país de residência, situação familiar, filhos, profissão, contrato e horário de trabalho, contrato e estrutura salarial - e quantos médicos e profissionais de saúde trabalham para assistência médica móvel são outras das perguntas que a plataforma gostaria de ver respondidas.

  Além da recolha estatística às perguntas, a plataforma pede que ela seja feita "o mais rapidamente possível" e de "forma transparente, garantindo o livre acesso" dos investigadores.   


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