Escolha as suas informações

Asselborn: "Se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo"
Luxemburgo 2 min. 04.06.2018 Do nosso arquivo online

Asselborn: "Se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo"

Asselborn: "Se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo"

Foto: AFP
Luxemburgo 2 min. 04.06.2018 Do nosso arquivo online

Asselborn: "Se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo"

Ministro dos Negócios Estrangeiros falava no Diálogo com os Cidadãos, encontro de iniciativa europeia em que participou ao lado do grego Dimitris Avramopoulos, comissário da Migração, Assuntos Internos e Cidadania.

Para Jean Asselborn, ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, não há dúvidas: "Encontramos soluções para o Brexit, encontramos respostas para os problemas do euro, mas, se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo, porque este assunto mexe com os seus princípios".

Asselborn, que também confessou que, caso fosse hoje a crise dos refugiados de 2015, "a União Europeia não estaria preparada para a resolver de forma humana", falava numa sessão do Diálogo com os Cidadãos, iniciativa europeia no Luxemburgo em que participou ao lado do grego Dimitris Avramopoulos, comissário da Migração, Assuntos Internos e Cidadania. 

Avramopoulos destacou que "a gestão da migração tem a ver com solidariedade e responsabilidade", valores que estão em causa devido a "uma crise existencial na União Europeia". E Asselborn lembrou que, embora a Comissão Europeia "faça o seu trabalho através de propostas, tudo se complica no Conselho, ao qual cabe fazer os textos legislativos".

Houve perguntas e as respostas surgiram em seguida. Recordando as dificuldades que alguns países, como a Hungria ou a Polónia, mas também Áustria, Eslováquia ou República Checa, têm colocado quanto às questões do acolhimento, Jean Asselborn mencionou a sentença do Tribunal Europeu de Justiça de setembro do ano passado, contrariando os desígnios da Hungria. "O tribunal bem pode aplicar penalizações, mas não se pode obrigar os países a aceitarem a relocalização", confessou, acrescentando que, "caso os países não percebam todos isso, no Conselho deste mês não haverá decisões e a reforma de Dublin não será possível". E rematou: "Estamos a brincar com o fogo".

Avramopoulos reconheceu que "a Europa foi apanhada de surpresa e não estava preparada para que 1,2 milhões de pessoas cruzassem as fronteiras de forma ilegal. Hoje, 95% daqueles que chegam a solo europeu são identificados de forma rigorosa graças ao reforço do sistema Frontex". Assinalando que "75 milhões de pessoas em todo o mundo são refugiados", Avramopoulos acentuou que "é preciso fazer mais". Na sua perspetiva, é dever dos europeus "defender os princípios que são pilares europeus se se quiser viver em paz neste espaço".

O comissário europeu admitiu que "por o acordo com a Turquia não resolver tudo é precisa a reforma de Dublin. Os turcos acolhem, para já, 3,5 milhões de refugiados. Daqui por 10 anos, a Europa vai precisar de imigrantes que cheguem de forma legal. Por isso se está a trabalhar agora, a Europa como fortaleza contraria os nossos princípios e, se Schengen morrer, a Europa irá atrás".

Falando sobre as restrições à liberdade de expressão e às penalizações a quem ajudar refugiados que a Hungria se prepara para traduzir em lei, Asselborn juntou o caso polaco e concluiu: "É preciso a Comissão agir e dizer 'Basta!'". 

Perto do fim, o ministro luxemburguês falou sobre os perigos que Trump e as suas políticas populistas e isolacionistas representam, confessando que "a Europa não tem meios para combater este caos atual em que o G7 se tornou G6+1, o comércio mundial está em vias de se desequilibrar por causa das taxas de Trump e não se sabe se será possível convencer os iranianos no sentido de que não construam a bomba nuclear".  

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

Jean Asselborn: Refugiados: "Tem de haver uma solução europeia"
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo, Jean Asselborn, afirmou esta atarde que a crise dos refugiados que chegam à Europa tem de ter "uma solução europeia e não nacional". O ministro luxemburguês falava no final da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, que decorreu no Luxemburgo.
Asselborne à conversa com o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros, à direita na foto