Asselborn: "Se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo"
Asselborn: "Se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo"
Para Jean Asselborn, ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, não há dúvidas: "Encontramos soluções para o Brexit, encontramos respostas para os problemas do euro, mas, se não resolvermos a questão dos migrantes, a União Europeia corre perigo, porque este assunto mexe com os seus princípios".
Asselborn, que também confessou que, caso fosse hoje a crise dos refugiados de 2015, "a União Europeia não estaria preparada para a resolver de forma humana", falava numa sessão do Diálogo com os Cidadãos, iniciativa europeia no Luxemburgo em que participou ao lado do grego Dimitris Avramopoulos, comissário da Migração, Assuntos Internos e Cidadania.
Avramopoulos destacou que "a gestão da migração tem a ver com solidariedade e responsabilidade", valores que estão em causa devido a "uma crise existencial na União Europeia". E Asselborn lembrou que, embora a Comissão Europeia "faça o seu trabalho através de propostas, tudo se complica no Conselho, ao qual cabe fazer os textos legislativos".
Houve perguntas e as respostas surgiram em seguida. Recordando as dificuldades que alguns países, como a Hungria ou a Polónia, mas também Áustria, Eslováquia ou República Checa, têm colocado quanto às questões do acolhimento, Jean Asselborn mencionou a sentença do Tribunal Europeu de Justiça de setembro do ano passado, contrariando os desígnios da Hungria. "O tribunal bem pode aplicar penalizações, mas não se pode obrigar os países a aceitarem a relocalização", confessou, acrescentando que, "caso os países não percebam todos isso, no Conselho deste mês não haverá decisões e a reforma de Dublin não será possível". E rematou: "Estamos a brincar com o fogo".
Avramopoulos reconheceu que "a Europa foi apanhada de surpresa e não estava preparada para que 1,2 milhões de pessoas cruzassem as fronteiras de forma ilegal. Hoje, 95% daqueles que chegam a solo europeu são identificados de forma rigorosa graças ao reforço do sistema Frontex". Assinalando que "75 milhões de pessoas em todo o mundo são refugiados", Avramopoulos acentuou que "é preciso fazer mais". Na sua perspetiva, é dever dos europeus "defender os princípios que são pilares europeus se se quiser viver em paz neste espaço".
O comissário europeu admitiu que "por o acordo com a Turquia não resolver tudo é precisa a reforma de Dublin. Os turcos acolhem, para já, 3,5 milhões de refugiados. Daqui por 10 anos, a Europa vai precisar de imigrantes que cheguem de forma legal. Por isso se está a trabalhar agora, a Europa como fortaleza contraria os nossos princípios e, se Schengen morrer, a Europa irá atrás".
Falando sobre as restrições à liberdade de expressão e às penalizações a quem ajudar refugiados que a Hungria se prepara para traduzir em lei, Asselborn juntou o caso polaco e concluiu: "É preciso a Comissão agir e dizer 'Basta!'".
Perto do fim, o ministro luxemburguês falou sobre os perigos que Trump e as suas políticas populistas e isolacionistas representam, confessando que "a Europa não tem meios para combater este caos atual em que o G7 se tornou G6+1, o comércio mundial está em vias de se desequilibrar por causa das taxas de Trump e não se sabe se será possível convencer os iranianos no sentido de que não construam a bomba nuclear".
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