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Asselborn favorável a novas eleições na Venezuela. UE dividida
Luxemburgo 3 min. 02.02.2019 Do nosso arquivo online

Asselborn favorável a novas eleições na Venezuela. UE dividida

Asselborn favorável a novas eleições na Venezuela. UE dividida

Foto: hris Karaba/Wort
Luxemburgo 3 min. 02.02.2019 Do nosso arquivo online

Asselborn favorável a novas eleições na Venezuela. UE dividida

Apesar de a União Europeia (UE) ter criado um grupo de contacto para ajudar a Venezuela a resolver o impasse político, as divisões entre os ministros europeus foram visíveis em Bucareste, na capital da Roménia, na quinta-feira passada. O Luxemburgo mostra-se favorável a um novo sufrágio.

As conversações entre os ministros da UE-28 para ajudar a resolver o impasse político venezuelano foram "difíceis" e "tensas", disseram várias fontes à agência noticiosa AFP. "Assim não teremos uma política externa comum", lamentou mesmo um ministro. Ainda segundo os relatos, as discussões entre os chefes da diplomacia foram de tal modo intensas que alguns temas da agenda tiveram de ser cancelados.

De acordo com a AFP, a "união plena" anunciada por Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia, poderá mesmo não passar de uma fachada. Na quinta-feira passada o Parlamento Europeu reconheceu Juan Guaidó como o "presidente interino legítimo" da Venezuela e exortou os Estados-membros da UE a assumirem uma posição semelhante, enquanto não for possível convocar eleições presidenciais. Mas no seio da UE há pelo menos três grupos com opiniões diferentes.

De um lado, há um grupo de contacto com os países da América Latina, criado pelas autoridades europeias, para trabalhar numa solução que agrade tanto a Nicolás Maduro como ao presidente recentemente auto-proclamado, Juan Guaidó, com vista a novas eleições presidenciais. A este grupo pertencem países como a Áustria e o Luxemburgo.

Do outro lado, quatro Estados europeus - França, Espanha, Alemanha e o Reino Unido - anunciaram o reconhecimento de Guaidó como presidente interino do país no início da semana "caso não seja anunciado um novo sufrágio até à data limite, o próximo domingo" [este domingo, dia 3 de fevereiro], alertou o primeiro-ministro Edouard Philippe. No mesmo sentido, o anúncio do Parlamento Europeu no final da semana (que reconheceu Guaidó como presidente interino) veio agudizar as tensões.

Há ainda um terceiro 'grupo' - Grécia e Itália -  que apoia Nicolás Maduro.


Que países apoiam Maduro e quais apoiam o líder da oposição
A crise na Venezuela continua a dividir os Estados do globo. Fica aqui a lista dos países que assistiram à tomada de posse de Nicolás Maduro, reconhecendo a sua eleição, e dos países que consideram que o líder da oposição e presidente do parlamento é o dirigente legítimo da Venezuela. Só por curiosidade, o Vaticano reconheceu Nicolas Maduro como presidente da Venezuela e Donald Trump apoia Juan Guaidó.

O Luxemburgo, pela voz de Jean Asselborn, ministro dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus, mostra-se favorável a um novo sufrágio sem reconhecer expressamente o presidente recentemente auto-proclamado como líder interino da Venezuela. "O que nós queremos são eleições, quem é que está autorizado a organizá-las? Juan Gaidó, presidente do parlamento venezuelano. Ele tem esta competência do ponto de vista constitucional. Se formos mais longe, vamos estar perante uma situação  de conflito na Europa", disse Asselborn. Este sábado uma centena de cidadãos venezuelanos manifestaram-se no Luxemburgo a favor de transição política no seu país de origem.

"Estamos numa posição muito peculiar. Julgo que dizer que o presidente do parlamento venezuelano está habilitado a organizar eleições é a solução, é a posição comum da UE", retorquiu o ministro em Bucareste.

Também a Áustria, continua sem reconhecer o novo presidente venezuelano. "Nós reconhecemos Estados, não governos", disse a ministra austríaca Karin Kneissl. Referindo-se ao deadline de 90 dias para encontrar uma solução, Kneissel referiu que este limite de tempo "não deve ser um ultimato" e mostrou-se pouco confiante numa solução que agrade tanto a Maduro como a Guaidó.

"Tendo em conta as experiências passadas e a situação do país, se me perguntar a minha opinião pessoal sobre as chances de atingir um resultado positivo, acho que estamos a correr um grande risco", acrescentou.

A crise política na Venezuela agravou-se há cerca de duas semanas, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro. Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias (a contar desde 19 de janeiro), findo o qual os 28 reconheceram a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral. Na Venezuela residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Contacto com AFP


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