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Asselborn critica Bolsonaro e não apoia assinatura do acordo Mercosul
Luxemburgo 2 min. 28.09.2020 Do nosso arquivo online

Asselborn critica Bolsonaro e não apoia assinatura do acordo Mercosul

Asselborn critica Bolsonaro e não apoia assinatura do acordo Mercosul

Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 2 min. 28.09.2020 Do nosso arquivo online

Asselborn critica Bolsonaro e não apoia assinatura do acordo Mercosul

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
"Precisamos de compromissos tangíveis para proteger o ambiente e para combater a desflorestação", afirmou Jean Asselborn em Berlim.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Europeus, Jean Asselborn, deslocou-se a Berlim para participar na reunião informal dos Ministros do Comércio Internacional da União Europeia, em que um dos temas foi a assinatura do acordo comercial Mercosul.

Jean Asselborn assegurou que o Governo do Luxemburgo não pode, no contexto atual, apoiar o acordo, reafirmando que são precisos "compromissos tangíveis para proteger o ambiente e para combater a desflorestação". Em crítica ao Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, Asselborn pede "compromissos adicionais na luta contra as alterações climáticas e a desflorestação" aos países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai). 

O  Mercosul - Mercado Comum do Sul - engloba a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.  Trata-se de um tratado de livre comércio entre estes países.

"Embora as disposições sobre comércio e desenvolvimento sustentável atualmente contidas no acordo permitam o diálogo e possibilitem certos mecanismos, não são suficientemente fortes para provocar mudanças concretas face a um Governo que não está preparado para respeitar os principais acordos sobre proteção ambiental e alterações climáticas", refere Asselborn em comunicado enviado às redações esta segunda-feira. 

Esta posição é já partilhada por França e Alemanha. Em agosto, a chanceler Angela Merkel expressou "sérias dúvidas" sobre o futuro do acordo UE-Mercosul, denunciando a ameaça à Amazónia. O presidente francês, Emmanuel Macron, foi mais longe e ameaçou não ratificar o acordo se o governo brasileiro não tomasse as medidas necessárias para proteger a maior floresta tropical do mundo. 


Bolsonaro diz-se vítima de uma "campanha brutal de desinformação" e culpa os índios pelos incêndios da Amazónia e do Patanal
No discurso que abriu a 75º Assembleia das Nações Unidas, o Presidente brasileiro desmente que o agronegócio seja o motor do desmatamento das maiores áreas florestais do país.

Desde o ano passado, entidades, países e personalidades contestam as políticas do país para o meio ambiente, tomadas pelo atual executivo brasileiro.

Diversos países europeus apontam mesmo os desmatamentos no Brasil como o principal entrave para a confirmação do acordo comercial entres os países do Mercosul e a União Europeia.

Uma acusação que tem vindo a ser rejeitada pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que diz mesmo ser uma vítima de uma "campanha brutal de desinformação". De acordo com o INPE, órgão tutelado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, nos últimos 12 meses os alertas de destruição cobriram um total de 9.205 quilómetros quadrados dentro da maior floresta tropical do mundo. O número supera os alertas registados no período anterior, que detetaram risco de desflorestação em 6.844 quilómetros quadrados da floresta até julho de 2019, ano em que a Amazónia sofreu os piores incêndios numa década. 

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A Comissão Europeia mostrou-se esta sexta-feira “profundamente preocupada” com os incêndios na floresta da Amazónia, no Brasil, manifestando apoio ao pedido feito pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, para debater esta situação, o que já motivou críticas do governo brasileiro.