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Arcebispo imagina "parte do céu reservado a luxemburgueses", presidido por "dinastia"
Luxemburgo 6 3 min. 04.05.2019

Arcebispo imagina "parte do céu reservado a luxemburgueses", presidido por "dinastia"

Arcebispo imagina "parte do céu reservado a luxemburgueses", presidido por "dinastia"

Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 6 3 min. 04.05.2019

Arcebispo imagina "parte do céu reservado a luxemburgueses", presidido por "dinastia"

É frequente associar a imagem do Luxemburgo a paraísos fiscais. Mas na homilia presidida por Jean-Claude Hollerich no funeral do Grão-Duque Jean, na Catedral do Luxemburgo, falou-se noutro tipo de "paraíso luxemburguês", reservado aos crentes.

O arcebispo do Luxemburgo fez hoje o elogio do Grão-Duque Jean, considerando que "o seu primeiro amor" foi pela "pátria", recordando o seu exílio, "com a Grã-Duquesa Charlotte e toda a sua família", durante "a invasão nazi", e "a sua dedicação aos Irish Guards para defender a liberdade do Luxemburgo". "Este amor pelo Luxemburgo e pelos luxemburgueses continuou após a sua acessão ao trono", declarou o arcebispo, considerando que as reações à sua morte mostram que "os luxemburgueses também o amavam".

O prelado, que falou em francês, inglês e luxemburguês, numa missa com convidados estrangeiros e representantes de vários países, elogiou "o amor do Grão-Duque pelo país", pela "família", a "vida", e por "Deus", "um amor discreto, sem fanatismo, sem ostentação, mas bem real". 

"Era um homem que amava a vida e a natureza", disse Hollerich. "A sua jovialidade vai fazer-nos falta. Ele mostrou-nos que a vida é bela, apesar de todas as infelicidades que possam abater-se sobre nós", disse o arcebispo. "A sua morte é um momento de tristeza radical", prosseguiu, "se não tivermos o consolo da nossa fé de que iremos segui-lo". Foi neste ponto que o arcebispo falou de "um paraíso luxemburguês" no além.

"Quando falamos do céu, falamos em imagens para dizer o indizível", começou por dizer Jean-Claude Hollerich. "Imagino uma parte desse céu reservada a todos os luxemburgueses, presidida pelos membros da nossa dinastia reinante", prosseguiu o arcebispo, sublinhando a imagem de "um pequeno paraíso luxemburguês em comunhão com a universalidade de Deus e da humanidade". "É apenas uma imagem", mas "que exprime a nossa afeição pela família grã-ducal", frisou o arcebispo.

A alocução terminou com uma nota emotiva, com a frase em luxemburguês "Monseigneur, mir hun Iech gär" (Monsenhor, gostamos de si). Uma referência à mãe de Jean do Luxemburgo, a Grã-Duquesa Charlotte, muito apreciada pelos luxemburgueses, cuja estátua na praça Clairefontaine tem essa mesma frase inscrita no pedestal. Durante a ocupação nazi, na Segunda Guerra Mundial, Charlotte dirigiu-se aos luxemburgueses com mensagens de alento em luxemburguês, a partir de Londres, através da BBC. A admiração de que Charlotte gozava no país, símbolo de liberdade, é condensada na dedicatória "Madame, mir hun Iech gär" (Minha senhora, gostamos de si), que os luxemburgueses conhecem bem.

Durante a missa, vários elementos da família grã-ducal deverão participar nas leituras, conforme anunciado no programa, com votos redigidos por si, incluindo o Grão-duque herdeiro, Guillaume, Marie-Gabrielle de Nassau, filha mais velha de Jean do Luxemburgo, e a princesa Maria-Annunciata de Liechtenstein, filha mais velha da princesa Margaretha do Luxemburgo, segunda filha do Grão-Duque Jean.

Nascido a 5 de janeiro de 1921, Jean do Luxemburgo era filho da grã-duquesa Charlotte do Luxemburgo e do príncipe Felix de Bourbon de Parma. Depois de estudar no Luxemburgo e no Reino Unido, o herdeiro da coroa entrou na Guarda Irlandesa como voluntário em 1942, uma unidade do exército britânico. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto soldado do exército britânico, participou no desembarque da Normandia.


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Em 1953 casou-se com a princesa Joséphine-Charlotte da Bélgica, irmã dos antigos reis belgas Balduíno e Alberto II. Joséphine morreu em janeiro de 2005.

João do Luxemburgo governou de 1964 a 2000, altura em que abdicou a favor do filho, o atual Grão-Duque Henri. A sua última aparição pública ocorreu no final de março, durante um fórum organizado pela sua nora, a grã-duquesa Maria Teresa, sobre o combate à violência sexual nas zonas de guerra. Morreu na madrugada de 23 de abril, com 98 anos.


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Grand-Duc Jean com o seu filho Henri.